sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Mahavishnu Orchestra - Birds of Fire (1972)









Os dois discos de estúdio da primeira formação da Mahavishnu Orchestra parecem ter reunido todas as idéias musicais da sua época. Com musicalidade ousada e composições que exigiam mudanças repentinas no ritmo e na direção harmônica, o nosso ouvido os aproxima do Rock Progressivo. Foi uma fusão perfeita. Só que o termo "fusion" estava longe de ser usado nessa época. Jeff Beck até implorou: "Pelo amor de Deus, alguém pode dar um nome para isso que eu chamo de "ain't jazz, ain't rock"?

É sabido que a revista Guitar Player proclamou John McLaughlin como o pai de fato do movimento fusion dos anos 70. Num sentido mais amplo, credita-se essa proeza ao Miles Davis pelo seu álbum In A Silent Way, mas McLaughlin está nele. 
As primeiras experiências de fusão do jazz com outros gêneros foram feitas no início dos anos 60, usando estruturas da música clássica européia e, depois, estruturas rítmicas da música indiana. Seguiram incluindo elementos da música do oriente médio e da música folclórica européia. Thelonious Monk introduziu o uso do espaço e Ornette Coleman estabeleceu a liberdade. Tudo isso tendo como chave central as progressões do blues. Tudo bem parecido com os caminhos do Rock Progressivo. E John McLaughlin colocou tudo isso na sua Mahavishnu Orquestra, incluindo as experiências com Graham Bond e Brian Auger. 

John Mclaughlin saiu de Londres em 1969 rumo à Nova York atendendo a um convite do baterista Tony Williams, que era membro do quinteto de Miles Davis. O convite era para integrar um projeto paralelo chamado Lifetime. Por duas vezes ele recusou convites de Miles para fazer parte de sua banda, embora tenha gravado dois discos históricos com ela. Então veio a MO. 

Birds Of Fire diferencia-se do seu antecessor pela inclusão do sintetizador Moog. Com ele Jan Hammer provou que um tecladista poderia tocar tão rápido e com a mesma dinâmica de um guitarrista. Ele incluiu uma distorção próxima da fuzz e desenvolveu um "bend", mimetizando o idioma da guitarra. Mclaughlin tem muito de Hendrix nos seus solos, mas sua velocidade e a ligação das notas são de cair o queixo. Somando-se o violino frenético do ex-The Flock Jerry Goodman, mais os riffs de Rick Laird, e colocando tudo sobre a polirritmia de Billy Cobham, tem-se algo como a King Crimson com um tecladista dedicado. Mas a estrutura é de jazz mesmo, do tipo "tema - desenvolvimento - solo - volta ao tema - fecha". 

Infelizmente a banda se separou logo depois. McLaughlin queria permanecer como o único compositor e os demais ficaram insatisfeitos por não poder expressar as próprias idéias. O curioso é que esse foi justamente o motivo que o fez recusar os convites de Miles Davis para ser membro permanente da sua banda. De qualquer forma, o legado da MO, com Birds of Fire no topo, é um marco na música sob qualquer orientação.





John McLaughlin - guitarra, violão
Jerry Goodman - violino, violino elétrico
Jan Hammer - piano, piano elétrico, Moog
Rick Laird - baixo
Billy Cobham - bateria





1 Birds of Fire
2 Miles Beyond
3 Celestial Terrestrial Commuters
4 Sapphire Bullets of Pure Love
5 Thousand Island Park
6 Hope
7 One Word
8 Sanctuary
9 Open Country Joy
10 Resolution

Um comentário:

Marcelo disse...

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