quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Béla Fleck - Tales From The Acoustic Planet (1995)







Béla Fleck elevou o banjo a vários patamares acima e cita Chick Corea como uma das suas maiores influências. Eu acho que esse é o primeiro disco em que colaboraram. O que a gente ouve aqui é meio difícil de rotular mas, a grosso modo, pode-se dizer que é a mistura progressiva do bluegrass com o jazz. Quando está plugado, o trabalho de Fleck aproxima-se da Return to Forever e da banda Oregon — os líderes de ambas estão aqui. Assim, acústico, o clima é outro, menos cerebral e mais emocional. A musicalidade é incrível, mas com esses convidados não poderia ser diferente. Também estão aí os irmãos Wooten da Flecktones, bem como os músicos da banda regular de Béla Fleck.
Tá aí a minha sugestão para preparar o espírito para o próximo exercício fiscal.





Béla Fleck - banjo
Chick Corea - piano (8, 9, 12)
Bruce Hornsby - piano (3)
Branford Marsalis - sax soprano e tenôr (14, 8)
Paul McCandless (Oregon) - clarinete, trompa inglêsa, oboé, sax soprano (1,2, 5, 13)
Victor Wooten - baixo com e sem trastes, baixo elétrico vertical (1, 3, 4, 5, 8, 11)
Edgar Meyer - baixo acústico, vertical (2, 4, 6, 7, 9, 10, 13, 14), piano (4)
Jerry Douglas - ressonador (2, 3, 11)
Roy "Futureman" Wooten - percussão, efeitos vocais (1, 3, 4, 5, 6, 8, 13)
Tony Rice - violão (1, 3, 5, 6)
Sam Bush - bandolim (10, 11)
Matt Mundy - bandolim (1, 6, 13)
Mary Kathryn Vanasdale - violino (13)
Kristin Wilkinson - viola (13)
Grace Bahng - cello (13)
Stuart Duncan - violino (3, 6, 10, 11)
Connie Heard - violino (13)
Robert Barry Green - trombone (4)
Dennis Solee - clarinete (4)
George Tidwell - trompete (4)
Kenny Malone - bateria, percussão (tracks 7, 10, 11)





1   Up and Running
2   First Light
3   The Great Circle Route
4   Circus of Regrets
5   Three Bridges Home
6   The Landing
7   Arkansas Traveller (trad.)
8   Backwoods Galaxy
9   In Your Eyes
10 System Seven
11 Cheeseballs in Cowtown
12 Bicyclops
13 Jayme Lynn
14 For Sascha

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Chick Corea and Béla Fleck - The Enchantment (2007)







"O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento." 
                Nelson Rodrigues

É tanto desencanto, mas tanto... Doze milhões de desempregados; mais de dois milhões de empresas fechadas desde 2015; estados falidos; cidades falidas... Pobre brasileiro? Não. Que se foda. Merece. 

Bem, esse álbum é exatamente o que o título diz e a arte da capa ilustra perfeitamente a sensação ao ouvi-lo. Muito oportuno, portanto. Se você se sente como eu, vai por mim, é melhor que pavê de nozes ao rum. Ó lá, ó, tem até Brazil. Esses dois são reis magos.





Chick Corea - piano
Béla Fleck - banjo





1   Señorita
2   Spectacle
3   Joban Dna Nopia
4   Mountain
5   Children's Song #6
6   A Strange Romance
7   Menagerie
8   Waltse For Abby
9   Brazil (Ary Barroso)
10 The Enchantment
11 Sunset Road


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Ilmo Smokehouse - Ilmo Smokehouse (1971)







A Ilmo Smokehouse nasceu das cinzas de duas outras bandas. Uma delas era ativa desde os anos anos 50 e girava em torno do saxofonista Freddie Tieken. Essa banda apresentava-se como um combo postbop de Chicago até St. Louis. A outra era uma banda de garagem chamada Gonn que trazia influências do beat inglês. Com membros de uma e de outra, a Ilmo criou seu rock psicodélico influenciado pelo blues e pelo jazz. 
Suas apresentações eram incendiárias e, não raro, havia intervenção da polícia para, ao menos, abaixarem o volume. Essa  reputação os levou a Nashville para gravar este único disco, em apenas 32 horas. Ele vendeu bem e fez sucesso nas rádios mas Freddie Tieken decidiu sair. Seu irmão Dennis levou a banda adiante em diferentes encarnações e ela abriu shows da MC5, Kiss, Canned Heat e Van Halen, até desaparecer no final da década.
Existe uma versão cheia de bônus desse disco e ela tem uma capa diferente, melhor que essa que, convenhamos, dói nos rins.





Freddie Tieken - sax tenôr, vocal, efeitos
Keith "Slink" Rand - guitarra
Gerry Gabel - piano, flauta, harmônica, vocal
Craig Moore - baixo, vocal
Dennis Tieken - bateria, vocal





1 Devil Take My Grandma
2 Are You Happy
3 Movement 1 And 13
4 Johnny B. Goode (Chuck Berry)
5 Meyer Gold
6 Have You Ever Had The Blues
7 Pine Needle Bed
8 Watch Jimmy Crash

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

After All - After All (1969)







A banda After All existiu por apenas alguns dias, entre a concepção e a gravação deste disco. Seus músicos eram da Florida e tinham bastante experiência em diferentes bandas locais. O baixista e o tecladista tinham estudado música na mesma escola e eventualmente alguns deles tocaram juntos. Num belo dia eles decidiram criar um álbum conceitual e o fizeram muito bem. As letras foram compostas por uma jovem poetisa local chamada Linda Hargrove, que foi a única cuja carreira progrediu. O som disco mistura R&B, psicodelia e jazz naquele caldeirão de diversidades que foi o proto-prog. Acabadas as gravações, cada um foi para um lado. É um ótimo disco e mais parece ter sido feito por uma banda inglesa.





Charles Short - guitarra
Alan Gold - órgão
Bill Moon - baixo, vocal
Mark Ellerbee - bateria, vocal





1 Intangible She
2 Blue Satin
3 Nothing Left To Do
4 And I Will Follow
5 Let It Fly
6 Now What Are You Looking For?
7 A Face That Doesn't Matter
8 Waiting

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Galliard - Strange Pleasure (1969)







A britânica Galliard evoluiu de uma banda psicodélica chamada Craig, que tinha Geoff Brown, Richard Pannel e Carl Palmer, mais tarde da Emerson, Lake & Palmer. Esse é o primeiro disco dos dois únicos que a banda lançou. Seu som é prog com maiores porções de jazz, dadas pelos ótimos arranjos para os metais. O prog fica com as constantes mudanças no andamento. Os dois discos são muito bons, tanto quanto aos das melhores bandas da época, contudo, a Galliard se separou logo após o lançamento do segundo disco. Geoff Brown, o principal compositor, mudou para os teclados e para uma banda de soul/funk. Dave Caswell, outro compositor, foi para a Keef Hartley Band, com a qual gravou The Time Is Near.





Geoff Brown - guitarra rítmica
Dave Caswell - tromprete, vocal
John Smith - sax alto, tenôr e soprano
Richard Pannel - guitarra, violão, alaúde, efeitos, vocal
Andy Abbott - baixo, vocal
Les Podreza - bareria, percussão





1   Skillet
2   A Modern Day Fairy Tale
3   Pastorale
4   I Wrapped Her In Ribbons
5   Children Of The Sun
6   Got To Make It
7   Frog Galliard
8   Blood
9   Hear The Colours
10 I Wanna Be Back Home
11 The Hermit And The Knight
12 I Wrapped Her In Ribbons (Single Version)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Good God - Good God (1972)







Good God foi uma banda americana de jazz-rock que só lançou esse excelente álbum. Ele é tão bom que é difícil acreditar que a banda tenha simplesmente desaparecido; nunca mais se ouviu falar dos seus membros, todos virtuosos instrumentistas. Cotton Kent parece ter tornado-se um músico de estúdio, mas apenas localmente. Eles eram fãs do Captain Beefheart e ele próprio foi quem sugeriu o nome para a banda. A música deles pode ser comparada à da Soft Machine e à da Mahavisnu pois ela tem seu lado prog também. 





Zeno Sparkles (Larry Cardarelli) - guitarra, vocal
Cotton Kent - piano, piano elétrico, Clavinet, sax soprano, marimba, vocal
Greg Scott - sax alto, tenôr e soprano
John Ransome - baixo
Hank Ransome - bateria, vocal
com
Larry Washington - percussão
Bob Martin - trompa francêsa
Bob Shemenek - trompete
Bruce Solomon - trombone
Johnny Almond - sax tenôr





1 A Murder Of Crows
2 Galorna Gavorna
3 King Kong (Frank Zappa)
4 Dragon Song (John Mclaughlin)
5 Zaragoza
6 Fish Eye

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Hundred Seventy Split - The World Won't Stop (2010)







Hundred Seventy Split é um cruzamento de vias em Nashville e colocar esse nome na banda foi sugestão do filho de Leo Lyons. Lyons foi fundador da Ten Years After e seu atual parceiro, Joe Gooch, foi guitarrista dela nos dois últimos discos, em substituição ao Alvin Lee. Gooch estudou violão clássico e acabou sendo convencido a mudar para guitarra elétrica por Jimi Hendrix, Eric Clapton, Led Zeppelin e Frank Zappa. Isso acontece. The World Won't Stop é o primeiro disco da HSS e é blues-rock de primeiríssima classe. 
No Brasil ele pode ser encontrado na Black Rock e na Locomotiva Discos.





Leo Lyons - baixo
Joe Gooch - guitarra, vocal
Billy Livsey - Hammond (3, 4)
Rob Stennett - Hammond (7)
Sean Fuller - bateria 
Tanner Jacobsen - bateria (4, 9, 10)




1   The World Won't Stop
2   Where The Blues Began
3   No Deal
4   Poison
5   The Smoke
6   All My Yesterdays
7   Let The River Flow
8   A Promise Is Forever
9   Yes Man
10 Going Home
11 Wish You Were At Woodstock?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Alvin Lee & Ten Years After - Pure Blues (1995)







Pure Blues é uma coletânea que aborda a carreira solo do Alvin Lee e a Ten Years After também. Quem escolheu as faixas foi o próprio Alvin e é aí que está o bom da coisa. Nela ele se preocupou mais com o blues-rock do com as outras faces, tanto da TYA, quanto dele próprio, ou seja, deixou de fora músicas jazzy e o rock'n'roll.





TYA:
Alvin Lee - guitarra, piano, vocal
Chick Churchill - teclados (1, 3, 5, 6, 10, 12)
Leo Lyons - baixo (1, 3, 5, 6, 10, 12)
Ric Lee - bateria (1, 3, 5, 6, 10, 12)

Mel Collins (King Crimson) - sax (9)
Neil Hubbard (Roxy Music, Juicy Lucy) - guitarra (9)
Clarence Clemons - sax tenor (7)
Ian Wallace (King Crimson) - bateria (9)
Alan Spenner (Spooky Tooth, Roxy Music) - baixo (9)
The Kokomo Singers: Dyan Birch, Frank Collins, Paddy McHugh - vocal (9)
Tim Hinkley (Jody Grind, Vinegar Joe) - Hammond, teclados (8, 9)

banda de 1995:
Steve Gould - baixo, teclados, guitarra (2,4, 4, 11, 13)
Steve Grant - teclados (2, 4)
Alan Young - bateria (2, 4, 7)

com:
George Harrison - guitarra slide (2, 4, 8)
Jon Lord - Hammond (4, 7)





1   Don't Want You Woman
2   The Bluest Blues
3   I Woke Up This Morning
4   Real Life Blues
5   The Stomp
6   Slow Blues In C
7   Wake Up Moma
8   Talk Don't Bother Me
9   Every Blues You've Ever Heard
10 I Get All Shook Up
11 Lost In Love
12 Help Me (Willie Dixon)
13 Outside My Window

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ten Years After - Ten Years After (1967)







Ten Years After foi uma das bandas mais importantes da segunda onda do 'blues boom' britânico, ao lada da Fleetwood Mac de Peter Green, da Savoy Brown e da Chicken Shack. Ela foi formada em 1965 sob o nome The Jaybirds e no ano seguinte mudou para TYA, uma referência cronológica aos dez anos do surgimento do rock. Porém suas raízes estão bem mais distantes no tempo; mais precisamente no tempo de Willie Dixon, John Lee Hooker, Sonny Boy Williamson, etc... Mas não só no blues, no jazz também. Os pais de Alvin Lee eram fãs de jazz e blues, e o primeiro instrumento dele foi o clarinete. Sua admiração por Charlie Christian é que o fez mudar para a guitarra. Christian, aliás, foi uma forte influência para Jimi Hendrix também. O baixista Leo Lyons também gostava de jazz, especialmente do trabalho de Scott LaFaro, o parceiro de Bill Evans. Não por acaso, está aí a faixa 15 do jazzista Woody Herman. 
A banda criou sua reputação baseada nas apresentações altamente energizadas e no virtuosismo de Alvin. Por sua vez, ele inspirou-se no estilo de Clapton, só que acelerou tanto as coisas que recebeu o apelido de "a guitarra mais rápida do oeste". 
Esse é o disco de estréia, fez sucesso, mas o estrelato veio dois anos depois (Two Years After?) no Festival de Woodstock.





Alvin Lee - guitarra, vocal, harmônica
Chick Churchill - teclados (1 à 7, 9)
Leo Lyons - baixo
Ric Lee - bateria
Gus Dudgeon - percussão

com:
Willie Dixon - contra-baixo (9)





1   I Want To Know
2   I Can't Keep From Crying, Sometimes [Al Kooper]
3   Adventures Of A Young Organ
4   Spoonful [Willie Dixon]
5   Losing The Dogs
6   Feel It For Me
7   Love Until I Die
8   Don't Want You Woman
9   Help Me [Willie Dixon]
10 Portable People
11 The Sounds
12 Rock Your Mama
13 Spider In My Web
14 Hold Me Tight
15 Woodchoppers Ball [Woody Herman]

domingo, 11 de dezembro de 2016

Gracious - Gracious! (1970)







Se todo mundo comprasse discos pela capa, este encalharia. Se por fora não entusiasma, o conteúdo surpreende, e muito. A Gracious foi formada em 1968 por Alan Cowderoy e Paul Davis, que na época participavam de uma banda de blues. Os dois reuniram-se a Robert Lipson e Martin Kitcat e foram escolhidos para abrir shows da The Who. A Gracious gravou um disco meio pop, meio blues-rock, que acabou não sendo lançado. Em seguida ela embarcou numa turnê com a King Crimson, e aí viraram totalmente prog. Tim Wheatley juntou-se a eles e conseguiram um contrato com a Vertigo para lançar esse álbum. As influências da KC estão por toda parte mas ainda há o blues e o pop. A música clássica também contribui, especialmente nas partes do habilidoso Kitcat, ou nos arpejos da guitarra em tríades diminutas na faixa 3, por exemplo. As letras tem um fundo religioso.





Alan Cowderoy - guitarra, vocal
Paul Davis - vocal, violão 12 cordas, tímpano
Martin Kitcat - Mellotron, piano, piano elétrico, Harpsichord, vocal
Tim Wheatley - baixo
Robert Lipson - bateria





1 Introduction
2 Heaven
3 Hell
4 Fugue In 'D' Minor
5 The Dream
6 Beautiful
7 What A Lovely Rain
8 Once On A Windy Day

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

The Enid - In The Region Of The Summer Stars (1976)







Numa época em que a modinha 'disco' e o movimento punk iam ganhando o mercado e as bandas progressivas começavam a fazer suas concessões, a The Enid entrou na contra-mão. A história já estava cheia de bandas e músicos que experimentaram fundir a música clássica ao rock, colocando orquestra e tal; a The Enid compôs peças clássicas e as colocou para uma banda tocar. Então a conexão com o rock é o duelo das guitarras e a bateria. O fundador da banda foi Robert John Godfrey, que havia feito e regido orquestrações para dois discos da Barclay James Harvest. Ele, aliás, é o único membro estável da banda, que está na estrada até hoje. Esse é o primeiro disco dela e é todo instrumental, ou acabou por sê-lo. É que haviam letras escritas, mas o vocalista se matou. Ao invés de contratar outro, Godfrey preferiu reescrever tudo. Uma outra curiosidade é que este disco inicialmente tinha o título de 'Voyage of the Acolyte', o mesmo que o de estréia do Steve Hackett e com o mesmo tema das cartas do Tarot. E na mesma gravadora Charisma! 





Robert John Godfrey - teclados, piano
Stephen Stewart - guiatarras, baixo
Francis Lickerish - guitarras
Glen Tollet - baixo, tuba, teclados
Neil Kavanagh - baixo, flauta
Dave Storey - bateria, percussão
Robbie Dobson - percussão
Chris North - bateria, percussão
Dave Hancock - trompete solo (12, 13) 
Neil Michell - trompete solo (1, 6, 9)





1  Fool
2  The Tower of Babel
3  The Reaper
4  The Loved Ones
5  The Demon King
6  Pre-Dawn
7  Sunrise
8  The Last Day
9  The Flood
10 Under the Summer Stars
11 Adieu 
12 Judgement
13 In The Region Of The Summer Stars 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Arc Angels - Arc Angels (1992)







Depois da trágica morte de Stevie Ray Vaughan, sua banda Double Trouble teve que suportar a dor e seguir a vida. Tommy Shanon e Chris Layton começaram então a fazer umas jams no Centro de Ensaios de Austin com o filho de Doyle Bramhall, paraceiro de Jimmie Vaughan, e o prodígio juvenil Charlie Sexton. A coisa tornou-se séria e resultou na banda Arc (Austin Rehearsal Complex) Angels. Nesse único disco de estúdio, Bramhall II e Sexton dividiram as tarefas de composição e se saíram muito bem. O disco recebeu ótimas críticas e a banda prometia muito. Só que o vício em heroína de Bramhall II, que tinha apenas 23 anos, azedou a relação entre todos. Shanon e Layton foram adiante apoiando grandes nomes da música, Sexton firmou-se em carreira solo e Doyle Bramhall II curou-se do vício, ou não estaria tocando com Eric Clapton.





Doyle Bramhall II - guitar, vocals
Charlie Sexton - guitar, vocals
Chris Layton - drums
Tommy Shannon - bass
Ian McLagan (Small Faces) - piano, órgão




1   Living In A Dream
2   Paradise Cafe
3   Sent By Angels
4   Sweet Nadine
5   Good Time
6   See What Tomorrow Brings
7   Always Beleived In You
8   The Famous Jane
9   Spanish Moon
10 Carry Me On
1 1Shape I'm In
12 Too Many Ways To Fall









domingo, 4 de dezembro de 2016

The Vaughan Brothers - Family Style (1990)







Esse álbum ganhou o Grammy de Melhor Blues Contemporâneo e a faixa 3 levou o de Melhor Performance Instrumental. Contudo, Family Style não chega perto de nenhum álbum solo dos irmãos.
Jimmie, três anos mais velho, obviamente foi o primeiro a sair de casa para tocar. Seu pai, Big Jim, era um cara simples que trabalhava duro em construções e quando chegava em casa no fim do dia, afogava as frustrações na bebida. Havia discussões, ele chegava a quebrar os discos dos moleques quando enchia o saco, mas nunca deixou de apoiar os filhos. Jimmie fez um pacote completo: saiu de Dallas, foi para Austin, casou, engravidou, montou uma banda, trabalhou em construção durante o dia, desmanchou essa banda e montou outra com Doyle Bramhall, se separou, casou de novo, engravidou... Certa vêz, de volta à Dallas, visitou a família e levou Bramhall junto. Bramhall ouviu um som de guitarra vindo de um quarto e foi ver. Ficou de queixo caído com a habilidade do jovem Stevie. Stevie também começou cedo. Com 14 anos ele trabalhava como lavador de pratos num restaurante e à noite tocava em pequenos clubes e bares. Tommy Shannon, o baixista de Johnny Winter, entrou num desses lugares e ficou paralisado com o que ouviu — anos mais tarde ele seria membro da Double Trouble.





Jimmie Vaughan - guitarra, lap steel, vocal, órgão
Stevie Ray Vaughan - guitarra, vocal
Nile Rodgers - guitarra, produção
Richard Hilton - órgão, piano
Stan Harrison - sax alto, sax tenôr
Steve Elson - sax barítono, sax tenôr
Rockin' Sidney - acordeon
Al Berry - baixo
Preston Hubbard (Roomful Of Blues, Fabulous Thunderbirds) - contrabaixo acústico
Larry Aberman - bateria
Doyle Bramhall - bateria
Tawatha Agee - vocal
Frank Simms - vocal
George Simms - vocal
Brenda White-King - vocal
Curtis King Jr. - vocal




1   Hard to Be 
2   White Boots 
3   D/FW
4   Good Texan 
5   Hillbillies From Outerspace 
6   Long Way From Home 
7   Tick Tock 
8   Telephone Song 
9   Baboom / Mama Said
10 Brothers

sábado, 3 de dezembro de 2016

Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - Couldn't Stand The Weather (1984)







Este é o segundo dico da curta carreira do SRV. Stevie Ray Vaughan nasceu em Dallas mas sua família perambulou por anos pelos estados do sul seguindo as ofertas de emprego. De volta à Dallas, eles tiveram numa vida humilde. Seu pai era alcoólatra, assim como seu avô. Stevie contou que aos seis anos de idade provou da bebida do pai e desse dia em diante sempre teve problemas com o álcool — e depois com as drogas também. Em 1986 Stevie acabou por internar-se para reabilitação. 
Seu irmão mais velho Jimmie foi tudo para ele. Ensinou-lhe o básico na guitarra e ensinou-lhe como aprender o resto. Deu-lhe suas próprias guitarras usadas, e foi nos discos que ele trazia para casa que SRV desenvolveu seu estilo. Ele disse que os discos do irmão, para ele, eram "coisa de marciano" e o enlouqueceram: Muddy Waters, B.B. King, Beatles, Freddie King, Barney Kessel, Charlie Christian e um tal Jimi Hendrix que se tornou sua maior influência. A banda de Jimmie abriu um show para Jimi em Austin e o irmão lhe conseguiu um autógrafo que permaneceu na carteira até a tinta apagar e o papel desmanchar. Afora estas, o próprio caldeirão musical texano o influenciou. Lá havia o blues do Mississippi, trazido pela sempre crescente população afro-americana, a música hispânica vinda do México, notadamente quanto ao estilo de se tocar violão e havia a música branca, o country à la Willie Nelson. 
A guitarra mais famosa de SRV foi a "Number One" ou "First Wife", uma Stratocaster 1974 com braço de 1962, corpo de 1963 e um dos captadores de 1959. Além disso ela teve os trastes modificados para acomodar cordas com calibre maior. SRV também usou muito uma outra Fender que ele chamava de "Red" e teve seu braço trocado por um de canhotos; assim ele podia replicar um grande ídolo, o Albert King. Mais Fender: uma amarela que pertenceu a Vince Martell da Vanilla Fudge e lhe foi presentada em 1980 (foi roubada em 1987). Um dos seus técnicos lhe deu uma National Steel de 1923 e foi com ela que ele posou na capa do disco In Step. Billy Gibbons da ZZ Top lhe deu uma Hamiltone, fabricada pelo luthier James Hamilton em 1984. E nos últimos anos ele vinha usando uma Gibson Charlie Christian ES150 que aparece no disco póstumo The Sky Is Crying.





Stevie Ray Vaughan - guitarra, vocal
Jimmie Vaughan - segunda guitarra (2,3 cd1)
Stan Harrison - sax tenôr (8 cd1)
Tommy Shannon - baixo
Chris "Whipper" Layton* - bateria
Fran Christina - bateria (8, 19 cd1)




CD 1
1   Scuttle Buttin'
2   Couldn't Stand The Weather
3   The Things (That) I Used To Do
4   Voodoo Child (Slight Return)
5   Cold Shot
6   Tin Pan Alley (AKA Roughest Place In Town)
7   Honey Bee
8   Stang Swang
9   Empty Arms
10 Come On (Pt.III)
11 Look At Little Sister
12 The Sky Is Crying (Previously Unreleased 1984 Version)
13 Hideaway
14 Give Me Back My Wig
15 Boothill (Previously Unreleased 1984 Version)
16 Wham!
17 Close To You
18 Little Wing
19 Stang Swang (Previously Unreleased Alternate Take)


CD 2: Live In Montreal (The Spectrum, August 17, 1984 - Late Show)
1   Testify
2   Voodoo Child (Slight Return)
3   The Things (That) I Used To Do
4   Honey Bee
5   Couldn't Stand The Weather
6   Cold Shot
7   Tin Pan Alley (AKA The Roughest Place In Town)
8   Love Struck Baby
9   Texas Flood
10 Band Intros/Encores
11 Stang's Swang
12 Lenny
13 Pride And Joy


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Albert Collins - Ice Pickin' (1978)








Albert Collins é texano e é um dos muitos seguidores de Lightnin' Hopkins. Apesar de ser um grande inovador, admirado por Albert King e John Lee Hooker, ele permaneceu numa certa obscuridade por um bom tempo. O guitarrista Bob Hite da Canned Heat era outro grande fã e não perdia oportunidade de encaixá-lo em seus concertos, até mesmo no Fillmore East, mas mesmo assim seu sucesso era apenas local. 
Além da influência de Hopkins, ele também tinha semelhanças com Lowell Fulson e mais ainda com Johnny "Guitar" Watson. Seu estilo era econômico, curto, com notas altas e uso sistemático de escalas menores. 
Collins gravou uma série de ótimos álbuns para o selo Imperial nos anos sessenta e outros para o selo Thumbleweed na virada da década de setenta, mas ainda estava longe do grande público, muito embora tivesse uma aura de lenda. Durante os anos setenta ele quase vegetou. As coisas mudaram quando um outro grande fã, o produtor Bruce Iglauer, o convenceu a mudar-se para Chicago e gravar para seu selo Alligator. Cercado por excelentes músicos locais que depois tornaram-se sua banda estável, Collins gravou uma série de grandes sucessos, a começar por Ice Pickin'. 
Dentro desse contexto bem mais favorável, Collins pode revelar suas idéias musicais livremente e gradativamente foi incorporando elementos da black music contemporânea às suas raízes texanas e californianas.





Albert Collins - guitarra, vocal
Larry Burton - guitarra
Allen Batts - teclados
A.C. Reed - sax tenôr
Chuck Smith - sax barítono
Aron Burton - baixo
Casey Jones - bateria




1 Honey. Hush! (Talking Woman Blues)
2 When The Welfare Turns Its Back On You
3 Ice Pick
4 Cold, Cold Feeling
5 Too Tired
6 Master Charge
7 Conversation With Collins
8 Avalanche

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Lightnin' Hopkins - The Texas Bluesman (1990)








Lightnin' Hopkins foi um seguidor de Blind Lemon Jefferson. Pela época de sua morte, em 1982, ele talvez tenha sido o bluesman mais gravado da história. Suas músicas falavam sobre qualquer coisa que lhe viesse a mente, até seu reumatismo. Seu estilo manteve as raízes do campo e somou as tendencias urbanas e elétricas. Portanto, ele mandava muito bem tanto ao violão quanto na guitarra; um virtuoso. Ele tinha um enorme vocabulário musical pois sabia tocar cada riff de várias formas diferentes: de trás para ferente, do meio para o fim ou de volta ao início... Isso resultou numa assinatura musical que o guitarrista Billy Gibbons da ZZ Top chama de "turnaround", não tão difícil de aprender mas muito difícil de replicar.
Sobre esse disco em particular, ele é uma ótima coletânea de gravações feitas entre 1961 e 1965. Existe um LP original de 1968 com o mesmo título e quase todas as faixas dele estão aqui em um belo remaster. Falta "Love Is Like A Hydrant".





Lightnin' Hopkins - vocal, guitarra, violão
Don Crawford - gaita
Jimmy Bond - baixo
Earl Palmer - bateria

1   Mojo Hand
2   Cotton
3   Little Wail
4   Hurricane Betsy
5   Take Me Back Baby
6   Really Nothin' But The Blues
7   Guitar Lightnin'
8   Woke Up This Morning
9   Shake Yourself

Lightnin' Hopkins - vocal, guitarra, violão

10 California Showers

Lightnin' Hopkins - vocal, guitarra, violão
Gino Landry - baixo
Victor Leonard - bateria
11 Goin' Out

Lightnin' Hopkins - vocal, guitarra, violão
12 Tom Moore Blues
13 I Would If I Could
14 At Home Blues
15 Watch My Fingers
16 Bud Russell Blues
17 Cut Me Out Baby


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Blind Lemon Jefferson - Blind Lemon Jefferson (1992)







Não há muita informação sobre a vida de Blind Lemon Jefferson. Estima-se que ele tenha nascido entre 1893 e 1897 numa cidadezinha próxima à Dallas. Sabe-se, contudo, que ele era cego de nascença e a música era um caminho natural para pessoas com tal limitação, impedidas de executar outros trabalhos. Sabe-se também que já na adolescência ele percorria as cidades do Texas tocando nas ruas por gorjetas apenas. Nessa lida ele foi ajudado por músicos ainda mais jovens como T. Bone Walker e Leadbelly —  nos anos 40 Leadbelly compôs uma música sobre as andanças dos dois, a Blind Lemon Blues. Blind Lemon começou a gravar em 1926 e a grande maioria das músicas eram tradicionais. Só que as próprias gravadoras começaram a incentivar os caras a compor, porque ao público não interessaria comprar n discos com as mesmas músicas. Então, em 1929 Lemon já trabalhava com músicas todas de sua autoria. Consideremos aí que a maioria dos músicos naquela época eram autodidatas e analfabetos, que tocavam músicas tradicionais simplesmente porque não podiam escrever as suas. Como se vê, essa dificuldade — mais uma —  foi plenamente superada por Lemon Jefferson. Mais que isso, ele estilizou o blues característico do Texas, o Folk Blues, um meio-termo entre o blues do Delta e o da Georgia e das Carolinas. As canções versavam sobre temas variados, cotidiano e eventos correntes, mas o tema penitenciário foi recorrente. Seu estilo de tocar era muito focado numa corda e ele acelerava e diminuía de acordo com seu espírito na hora, coisa que dificultava para quem quisesse dançar. Infelizmente não houve tempo para que sua carreira progredisse e seu talento fosse registrado em gravações com maior fidelidade do estas. Ele morreu em 1929, aos 36 anos, e até as circunstâncias dessa morte são confusas.





Blind Lemon Jefferson - vocal, violão
Leadbelly - Violão (13)
George Perkins - piano (11, 12)




1   Jack O' Diamond Blues
2   Chock House Blues
3   Stocking Feet Blues
4   That Black Snake Moan
5   Shuckin' Sugar Blues
6   Rabbit Foot Blues
7   Bad Luck Blues
8   Broke And Hungry
9   Easy Rider Blues
10 Match Box Blues
11 Rising High Water Blues
12 Teddy Bear Blues
13 Lonesome House Blues
14 Sunshine Special
15 Change My Luck Blues
16 Prison Cell Blues
17 Blind Lemon's Penitentiary Blues
18 Lock Step Blues
19 Hangman's Blues
20 Mosquito Moan
21 Southern Woman Blues
22 Baker Shop Blues
23 Pneumonia Blues
24 Long Distance Moan
25 That Growling Baby Blues