quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Magma - Mekanïk Destruktïw Kommandöh (1973)








Zeuhl é outro sub-gênero do Rock Progressivo. Ele foi inventado por um único cara, o francês Christian Vander. Vander criou um planeta fictício onde todos os temas se desenrolam chamado Kobaïa e, como se não bastasse, criou também um idioma próprio, mais musical, chamado Kobaïan — a palavra zeuhl significa celestial. 
Musicalmente o estilo tem a mistura da música clássica moderna com o jazz e o rock progressivo. Pode parecer redundância mas ouvindo se percebe que não. Outra característica marcante é o uso do coral, deixando tudo mais... bem mais.
Inicialmente o rótulo referia-se apenas à Magma, mas depois outras bandas passaram a usar os mesmos conceitos e encaixaram-se nele, como a Eskaton e a Pseu, pra citar só duas.

Os dois primeiros discos da Magma são bons mas não prepararam o mundo para o que viria no terceiro. Mekanïk Destruktïw Kommandöh é um épico que conta  a história de um profeta apocalíptico do planeta Kobaïa. Recheado de parábolas, o álbum se apresenta como um Livro das Revelações do outro mundo num futuro longínquo. As referências musicais vão de John Coltrane e Ornette Coleman a Carl Orff e Stravinsky na parte do coral.
A Magma é uma das bandas mais originais não só do Rock Progressivo, e Mekanïk Destruktïw Kommandöh é sua obra prima.

Essa versão em CD foi lançada pelo selo criado por Vander e sua esposa, mas ele não teve acesso às fitas master que continuaram em poder da A&M. Então eles usaram um LP e, embora o resultado seja ótimo, algum ruído pode ser percebido. Como um pedido de desculpas, a faixa 8 foi acrescentada. Ela é uma versão anterior de MDK, tomada em ensaios e item da coleção pessoal de Vander.





Christian Vander - bateria, vocal, órgão, percussão
Claude Olmos - guitarra
Jean-Luc Manderlier - piano, órgão
René Garber - clarinete baixo, vocal
Teddy Lasry - metais, flauta
Klaus Blasquiz - vocal, percussão
Jannik Top - baixo
Stella Vander, Doris Reihnardt, Evelyne Razymovski, Michèle Saulnier, Muriel Streisfeld - côro





1 Hortz Fur Dëhn Stekëhn West
2 Ïma Sürï Dondaï
3 Kobaïa Is De Hündïn
4 Da Zeuhl Wortz Mekanïk
5 Nebëhr Gudahtt
6 Mekanïk Kommandöh
7 Kreühn Köhrmahn Iss De Hündïn
8 Mëkanïk Destruktïw Kommandöh

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Premiata Forneria Marconi - Per Un Amico (1972)








Fora da Inglaterra, nenhuma outra cena progressiva foi tão ampla quanto a italiana. O Rock Progressivo Italiano acabou por se tornar um sub-gênero (RPI) pelas suas particularidades. De uma maneira resumida, pode-se dizer que o prog é a mistura de três ingredientes: a canção, sua composição no estilo clássico e a improvisação do jazz. Em cada país essa mistura se dá de forma diferente; na Inglaterra tem-se as raízes celta e de blues, na Alemanha usou-se mais jazz, e na Itália inclui-se a vasta tradição musical erudita do país representada pelo melodrama. As muitas bandas se inspiraram no Prog Sinfônico britânico mas foi esse legado musical que as diferenciou, digamos assim, pelo romantismo. Logo no início dos anos 70 já havia uma infinidade de bandas que pareciam competir para ver quem fazia o som mais complexo e uma legião de fãs apareceu. Críticos viraram entusiastas também. Isso ajudou a superar algumas barreiras como a do idioma, a falta de tecnologia dos estúdios e o pouco know-how para realizar eventos maiores.

A Premiata Forneria Marconi foi sem dúvida a mais popular banda italiana e esse seu segundo disco lançado no mesmo ano de 1972 foi o responsável por popularizar o RPI pelo mundo. A PFM tinha criatividade, virtuosismo instrumental e uma ótima presença no palco. Esses fatores a aproximaram dos músicos britânicos, seja por incluírem covers de bandas como a King Crimson e a Jethro Tull nos seus concertos, seja por serem escolhidas para abrir shows dessas bandas durante suas turnês italianas. Aí o crédito vai para o empresário dela, Franco Mamone, um especialista em ajeitar essas coisas. Eventualmente uma fita com esses covers da King Crimson chegou às mãos do Greg Lake que os convidou para uma audição na gravadora Island, à qual a ELP estava associada antes de criar o selo Manticore. Foi aí que a PFM conheceu Peter Sinfield, o letrista dos primeiros discos da KC, e Sinfield bolou o lançamento do disco Photos of Ghosts que reuniu partes dos álbuns Per Un Amico e Storia De Un Minuto. Per Un Amico tem arranjos mais complexos que os do álbum anterior e as melodias são bem melhores, se não memoráveis. Ainda assim, são amigáveis ao ouvido.
Com um contrato com o selo Manticore, os discos da PFM tiveram uma melhor distribuição e ganharam mais e mais ouvintes.





Franco Mussida - vocal, violão, violão 12 cordas, guitarra, mandocello
Flavio Premoli - vocal, piano, órgão Hammond, órgão eletromecânico Pari, Harpsichord, Mellotron, Moog
Mauro Pagani - flauta, flauta piccolo, violino, vocal
Giorgio "Fico" Piazza - baixo, vocal
Franz Di Cioccio - bateria, percussão, vocal





1 Appena Un Pó
2 Generale
3 Per Un Amico
4 Il Banchetto
5 Geranio

terça-feira, 29 de agosto de 2017

The Nice - Ars Longa Vita Brevis (1968)








O segundo disco da The Nice já não conta com a guitarra e a flauta de David O'List e a sua inspiração psicodélica, embora ele tenha participado de alguns trechos, sem créditos. Então, o Keith Emerson tomou todos os espaços e mergulhou a banda ainda mais na música clássica. A faixa título, por exemplo, é baseada no Concerto de Brandemburgo nº 3 de Bach, o compositor favorito de Emerson. A música America, originalmente feita para o musical West Side Story, foi lançada como single e fez muito sucesso. Durante sua performance no Royal Albert Hall, Keith Emerson ateou fogo numa bandeira dos Estados Unidos, fato que provocou críticas duríssimas do próprio autor dela, Leonard Bernstein. Aí, não se sabe se o sucesso adveio do interesse musical ou da publicidade dada. O fato é que Ars Longa Vita Brevis não prima pela qualidade musical — há, sim, um certo mau gosto por causa exageros e histrionismos de Emerson. O grande legado de Ars Longa Vita Brevis é ter sido um dos primeiros álbuns a fazer a desconstrução da música clássica e ter exercido grande influência sobre muitos outros músicos e bandas da Inglaterra, Itália e outros. Ou seja, ele estabeleceu as bases para uma parte considerável do Rock Progressivo.





Lee Jackson - guitarra, baixo, vocal, tímpanos
Keith Emerson - órgão, piano, harpsichord, vocal, backing vocal
Brian Davidson - bateria, sinos, tímpanos
com:
Robert Stewart - arranjos orquestrais, regência
Malcolm Langstaff - guitarra





1   Daddy Where Did I Come From
2   Little Arabella
3   Happy Freuds
4   Intermezzo From The Karelia Suite [Sibelius]
5   Don Edito El Gruva
6   Ars Longa Vita Brevis - Symphony For Group And Orchestra
7   America (2nd Amendment) [Leonard Bernstein]
8   Diamond-Hard Blue Apples Of The Moon
9   Daddy, Where Did I Come From (Early Version)
10 Brandenburger (Demo)

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ekseption - Beggar Julia's Time Trip (1970)








O Prog Sinfônico é o maior sub-gênero do Rock Progressivo; o mais conhecido e aquele que abarca o maior número de bandas. Essas bandas caracterizam-se pelo uso elementos clássicos. Elas podem usar orquestrações ou emular orquestrações, mas o mais importante é incorporar esses elementos na forma musical. Via de regra há abundância de teclados dominando as composições.

A Ekseption é a mãe de todas as bandas sinfônicas holandesas. Ela foi formada em 1966 por Rein van den Broek e Rick Van Der Linden. Esses músicos, ambos com sólida formação erudita, inspiraram-se no trabalho da The Nice que fundia o rock à música clássica. Beggar Julia's Time Trip é o segundo álbum que a Ekseption lançou e é um dos primeiros e melhores exemplares do Rock Sinfônico. As gravações anteriores da banda foram quase todas com rearranjos de peças clássicas. Aqui há uma maioria de composições próprias e a banda aumentou com a entrada de um baterista e a inclusão de mais sopros.





Rick Van Der Linden - piano, espineta, xilofone, órgão Hammond, órgão tubular, Mellotron, percussão
Rein van den Broek - trompete, flugelhorn, trompete piccolo
Tony Vos - sax alto, sax soprano, percussão, efeitos eletrônicos, produtor
Dick Remelink - sax tenor, sax soprano, flauta
Erik Van Lier - trombone, tuba
Michel van Dijk - vocal, percussão
Linda Van Dyck - voz
Cor Dekker - baixo
Dennis Whitbread - bateria, tímpanos





1    Ouverture 
2    Prologue 
3    Julia 
4    Flying power 
5    Adagio [Tomaso Albinoni]
6    Space I [Johann Sebastian Bach]
7    Italian Concerto [Johann Sebastian Bach]
8    Concerto [Pyotr Ilyich Tchaikovsky]
9    Space II 
10  Pop Giant
11  Space III
12  Feelings
13  Epilogue 
14  Finale

domingo, 27 de agosto de 2017

Egg - The Polite Force (1971)








A cena Canterbury surgiu praticamente junto com o Rock Progressivo e tinham o Rock Psicodélico como base. Uma diferença é que o pessoal de Canterbury usou muito mais jazz nas suas composições. Outra diferença está na improvisação que, embora complexa, foge da rigidez formal do Prog. Outra ainda, diz respeito às letras que eram leves, cômicas, absurdas ou simplesmente sem sentido. 
Essa cena não se restringiu à cidade de Canterbury, nem ao condado de Kent onde ela está, mas espalhou-se pela França, Bélgica, Itália, Holanda, Alemanha e até Japão. Embora não tenha um número tão expressivo de representantes quanto o Prog, todas as bandas são de altíssima qualidade.

A Egg não foge à regra e seguiu basicamente o roteiro original. Ela surgiu de uma banda psicodélica chamada Uriel que tinha Dave Stewart, Mont Campbell e Steve Hillage. Stewart tocava guitarra nessa época mas mudou para o órgão diante da superioridade de Hillage. Quando Hillage decidiu voltar para a faculdade, nasceu a Egg. O primeiro disco dela foi uma grande estréia mas ainda tinha algo da banda anterior. Já este, que é o segundo, é um clássico do gênero. Talvez seu grande triunfo seja ter conseguido evitar o som pomposo do órgão Hammond, mesmo plugado em caixas Leslie. 





Dave Stewart - órgão, piano, gerador de sinal
Mont Campbell - baixo, vocal, órgão, piano, trompa francêsa, arranjos para metais
Clive Brooks - bateria
com:
Henry Lowther - trompete
Mike Davis - trompete
Bob Downes - sax tenor
Tony Roberts - sax tenor





1 A Visit To Newport Hospital
2 Contrasong
3 Boilk
4 Long Piece No. 3 - Part One
5 Long Piece No. 3 - Part Two
6 Long Piece No. 3 - Part Three
7 Long Piece No. 3 - Part Four

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Can - Future Days (1973)








A cena Krautrock é por alguns vista como um sub-gênero do Rock Progressivo e por outros como um gênero em si. O fato é que o Krautrock originou-se também do Rock Progressivo mas acabou indo além. Quando o Prog estava estagnando na Grã-Bretanha, na Alemanha o Krautrock expandia-se. Ele surgiu de repente em 1968 e ainda se discute o que provocou isso. É verdade que a cena vinha se desenhando desde os anos 50 com um crescente interesse pelo jazz e com uma nova geração de compositores revolucionários, como Herbert Eimert e Karlheinz Stockhausen. Depois, com a influência do pop britânico, sobretudo com os Beatles, que fizeram residência no Star-Club em Hamburgo. Mas em 68 houve uma explosão psicodélica/progressiva. Inicialmente pode ter sido um eco anglo-americano, mas os alemães quiseram fazer uma música exclusiva, com seu próprio blend e definitivamente com muito maior experimentalismo. Nasceu então a "Kosmische Musik", sendo que o cósmico conjura a sensação de espaço, fantasia e ficção científica. Essa música cresceu com a tecnologia e decorreu do uso de efeitos eletrônicos na música psicodélica. Usar o termo em alemão simplesmente diferencia-a da música similar da Pink Floyd, ou da Hawkwind, que foram influências óbvias na cena alemã.

A Can é um grande expoente dessa cena. Ela foi capaz de trazer a vanguarda até às massas com muito sucesso. Seus fundadores, Holger Czukay e Irmin Schmidt estudaram jazz e foram alunos de Stockhausen. Desde o início a Can parecia determinada a fazer com que seus discos não fossem iguais uns aos outros. Então, a palavra chave é "experimentar". Essa premissa ficou mais forte a partir do segundo disco, quando entrou o vocalista Kenji "Damo" Suzuki que experimentava com a própria voz, inclusive gravando-a debaixo d'água.

Future Days é o álbum de maior sucesso da Can e o mais equilibrado, com sua atmosfera cósmica e sobrenatural. Czukay o descreve como um álbum "ambient", mas esse ambiente parece estar situado em 2050.

Depois desse álbum Damo Suzuki se apaixonou e decidiu casar. Só que a noiva era Testemunha de Jeová e exigiu que ele abandonasse a vida de hippie cósmico. E o bocó concordou e saiu da banda. Um dia ela ligou para Liebezeit dizendo que Suzuki estava morrendo. Ele havia contraído uma doença e os tais Testemunhas do Jeová proibiam que ele recebesse uma transfusão de sangue. Os amigos obrigaram-na a concordar com a transfusão e Damo recuperou-se bem. Divorciou-se, claro, mas não voltou para a banda, que tinha seguido adiante como quarteto.





Michael Karoli - guitarra, violino
Irmin Schmidt - teclados, sintetizador analógico Alpha 77
Damo Suzuki - vocal, percussão
Holger Czukay - baixo elétrico e acústico
Jaki Liebezeit - bateria, percussão





1 Future Days
2 Spray
3 Moonshake
4 Bel Air

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Mike Oldfield - Tubular Bells (1973)








Num belo dia o dono da Virgin Records, Richard Branson, recebeu um músico de 19 anos de idade que tentava impressioná-lo com uma fita cassete em cuja gravação ele tocava todos os instrumentos. Mike Oldfield não era exatamente um novato; ele esteve num grupo folk junto com sua irmã Sally desde os 14 anos e depois passou um tempo na banda de Kevin Ayers, a Whole World. Isso ajudou, mas talvez o instinto do visionário Branson tenha falado mais alto. A composição de Oldfield foi gravada entre 1972 e 1973. O LP foi lançado em maio de 1973 e alcançou o número um nas paradas. Oldfield usa temas celtas e os entrelaça de forma gentil e ingênua, minimalista e acessível.
Não bastasse o sucesso natural que o álbum obteve, no ano seguinte um trecho dele foi usado no filme "O Exorcista". A Virgin, claro, além de receber os royalties, faturou ainda mais com a propaganda para o próprio álbum. Dizem que a fortuna de Richard Branson teve suas bases aí. 

Tubular Bells tornou-se um clássico do Rock Progressivo mas também pavimentou o caminho para o surgimento da New Age Music.





Mike Oldfield - grand piano, órgão Farfisa, ógão Hammond, órgão Lowrey, xilofonel, baixo, guitarras, violão flamenco, taped motor drive amplifier organ chord, percussão, violão, flageolet, honky tonk piano, sinos tubulares, tímpanos, vocal

com:
Jon Field - flautas
Steve Broughton - bateria
Lindsay Cooper - baixos
Mundy Ellis - backing vocal 
Sally Oldfield - backing vocal
Vivian Stanshall - mestre de cerimônias, voz




CD 1: 2009 Stereo Mixes
1 Tubular Bells {Part One}
2 Tubular Bells {Part Two}
3 Mike Oldfield's Single
4 Sailor's Hornpipe


CD 2: Original 1973 Stereo Album Mix
1 Tubular Bells {Part One}
2 Tubular Bells {Part Two}

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Genesis - Selling England by the Pound (1973)








Não importava o gênero musical de uma banda, no início dos anos 70 as gravadoras exigiam que um álbum por ano fosse lançado. Nessa mesma época começaram a surgir os álbuns gravados ao vivo que acabavam por cobrir um eventual "branco" criativo, e ao mesmo tempo davam a chance dos músicos respirarem e dedicarem-se a compor com calma. Foi o que aconteceu com a Genesis.
Foxtrot, o álbum de estúdio anterior, havia sido um grande sucesso e proporcionou à Genesis sua primeira turnê pelos Estados Unidos, além da Europa. Tudo exaustivo. O lançamento de "Genesis Live", além de documentar as performances históricas da banda, permitiu à gravadora faturar (o disco chegou ao 9º lugar) e deu chance à oxigenação do processo criativo.
Selling England by the Pound representou um salto para a banda, tanto em maturidade, como em precisão. As músicas deste álbum tornaram-se obrigatórias no repertório dos concertos em todas as fazes posteriores da banda e na carreira solo de Hackett também.
A banda afastou-se um pouco do folk inglês enquanto aproximou-se mais da América. A primeira frase do disco parece antever alguma crítica por causa disso quando pergunta: Can you tell me where my country lies? O fato é que o estilo jazzístico de Phil Collins estava movendo a banda — menos nostalgia pastoral e mais energia.
Selling England by the Pound foi um sucesso enorme, equiparou a Genesis à Yes e à King Crimson, e é um dos álbuns memoráveis do Rock Progressivo.





Peter Gabriel - vocal, flauta, oboé, percussão
Steve Hackett - guitarra, violão
Tony Banks - órgão Hammond T102, piano, piano elétrico RMI 368X, ARP Pro Soloist, Mellotron M400, violão 12 cordas
Michael Rutherford - baixo, pedais de baixo, violão 12 cordas, sitar elétrico, guitarra rítmica, vocal
Phil Collins - bateria, percussão, vocal





1 Dancing With The Moonlight Knight
2 I Know What I Like (In Your Wardrobe)
3 Firth Of Fifth
4 More Fool Me
5 The Battle Of Epping Forest
6 After The Ordeal
7 The Cinema Show
8 Aisle Of Plenty


domingo, 20 de agosto de 2017

Jethro Tull - Thick As A Brick (1972)








Nesses 50 anos de existência do Rock Progressivo as discussões sobre o que é Prog e o que não é são tantas que sites como Progarchives muitas vezes tem que justificar o porquê de um disco estar lá. Tem gente que elabora tutoriais e há outros que fazem umas tabelinhas como se fossem um exame de urina. Diz-se que tem que ter virtuosismo instrumental, logo, as músicas devem ser longas para que haja espaço. Álbuns conceituais são um consenso, ou quase, ou nem sempre. Progressões harmônicas, mudanças no tempo, letras com métrica poética, base erudita, complexidade... 

A definição mais legal que eu li foi dada pelo David Gilmour: É o equilíbrio entre sons e silêncio numa música. Bacana, né? Pois é. Só que tem "pesquisador" que diz que Pink Floyd não é uma banda de Rock Progressivo.

Seja como for, Thick As A Brick parece encaixar-se em todos os quesitos acima.
Aqualung, o álbum anterior da Jethro Tull, foi um tremendo sucesso e a crítica foi logo rotulando-o como um álbum conceitual. Sugeriram que Aqualung era Ian Anderson. Ian protestou, disse que não era nada disso e que entenderam tudo errado. Então ele debruçou-se sobre um verdadeiro trabalho conceitual que acabaria por ser a mãe de todos os álbuns conceituais. 
Ele criou um personagem fictício chamado Gerald Bostock. Gerald seria um garoto prodígio que escreveu um poema épico e esse poema é que foi musicado neste álbum. Portanto, Gerald aparece nos créditos musicais e, portanto, Gerald seria Ian. O jornal que ilustra o disco também é fictício e essa capa é uma das melhores já feitas. 
É apenas uma música que então tomava os dois lados do LP e em algumas edições em CD essa distinção é mantida. Contudo, a continuidade é considerável e a consistência é a mesma do início ao fim. O talento de Ian Anderson para criar ótimas melodias já era reconhecido e foi um trabalho ainda mais inspirado fazer isso para uma composição tão longa. Toda a banda participou dos arranjos, incluindo o novo baterista Barriemore Barlow. Barlow era conterrâneo de Anderson e havia sido seu colega na banda The Blades, a primeira da qual participou. Apesar da mudança, a banda está sólida como um tijolo. John Evan brilha no órgão, que nem é um instrumento dominante na história da JT, mas nenhum outro diz "Prog" tão alto como ele. Só que o senhor Ian Anderson sempre diz que a Jethro Tull não é uma banda de Rock Progressivo.
Thick As A Brick chegou ao primeiro lugar nas paradas. Imagine uma música com mais de 40 minutos entre as mais tocadas, mesmo naquela época.





Ian Anderson - vocal, flauta, violão, violino, sax, trompete
Martin Barre - guitarra, alaúde
John Evan - órgão, piano, cravo
Jeffrey Hammond-Hammond - baixo, voz
Barriemore Barlow - bateria, tímpanos, percussão





1 Thick As A Brick
2 Thick As A Brick


sábado, 19 de agosto de 2017

Chris Squire - Fish Out Of Water (1975)








Antes da internet, dos fóruns, sites e comunidades, as poucas publicações que chegavam ao Brasil falando sobre Rock Progressivo já traziam a fatídica pergunta: "Mas , afinal, o que é Rock Progressivo?". Então é provável que a pergunta tenha os mesmos 50 anos que o gênero está completando e a minha resposta pessoal é que Rock Progressivo é esse álbum.

Fish era o apelido do Chris Squire e o "fora d'água" deduz-se fácil. O porquê dele e dos colegas terem lançado discos solo tem respostas variadas. A mais comum é que eles tinham lançado oito discos em cinco anos, estavam cansados e para relaxar... foram lançar discos. 

Na minha opinião, Fish Out Of Water é uma obra monumental e eterna. Ele é um álbum atemporal. Mesmo o Patrick Moraz, que era useiro e vezeiro dos sintetizadores ARP que acabaram com o som datado, aqui usa os Moogs e parece-se como nunca com Rick Wakeman. Da King Crimson vieram Bill Bruford e Mel Collins. Da Caravan veio Jimmy Hastings com seu acento Canterbury. Andrew Jackman era companheiro de Squire na banda The Syn, pré-Yes. 

Fish Out Of Water deveria estar no topo daquelas listas dos álbuns que você deve ouvir antes de morrer. Não está, lamentavelmente.





Chris Squire - baixos: Rickenbacker 4001, Rickenbacker 8 cordas, Fender Jazz Bass, Fender Telecaster, Gibson Thunderbird, Gibson SG double-neck 4 & 6 cordas, guitarra elétrica 12 cordas, vocal
Andrew Pryce Jackman - piano, piano elétrico, regência
Barry Rose - órgão tubular
Patrick Moraz - órgão, sintetizadores, sintetizador baixo
Jimmy Hastings - flauta
Mel Collins - sax
John Wilbraham - lider da seção de metais
Jim Buck - lider da seção de trompas
Julian Gaillard - líder da seção de cordas
Adrian Brett - líder da seção de sopros de madeira
Nikki Squire - backing vocal
Bill Bruford - bateria e percussão





1 Hold Out Your Hand
2 You By My Side
3 Silently Falling
4 Lucky Seven
5 Safe (Canon Song)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Syd Barrett - The Madcap Laughs (1970)








Neste mês de agosto o Rock Progressivo está completando 50 anos. Na minha modesta opinião, Syd Barrett é o pai da coisa. A história dele é bem conhecida e fontes cheias de detalhes não faltam. Então, dou só uma pincelada: Syd foi o genial líder da Pink Floyd, na qual compôs quase tudo para o primeiro disco, tocou guitarra, experimentou e cantou. Mas o seu apreço pela química o levou a sérios distúrbios psíquicos e sua imprevisibilidade começou a prejudicar a banda. Ele não conseguia ficar no palco (uma turnê americana foi cancelada por conta disso), Gilmour entrou para ajudar, mas a gota d'água foi quando ele quis colocar uma banda marcial nas gravações do segundo disco. 
Esse é o primeiro dos dois discos solo que ele lançou em 1970. Roger Waters veio dar uma mão na produção e David Gilmour também, além de tocar. Gilmour trouxe seu ex-companheiro na banda Jokers Wild, Willie Wilson. O som em quase nada lembra o da PF — são músicas despojadas, quase todas ao violão e com um vocal torturante. Anti-PF, aliás. A produção é simples, a foto da capa é no apartamento dele e a garota nua na contra-capa era namorada dele. Aí ele nem tava tão mal, né?
Ah, e tem a Soft Machine, a Soft Machine do Volume Two, em duas faixas! O cara juntou a Soft Machine com meia Pink Floyd! Ainda que que não fosse o resultado sonhado, foi um delírio pra qualquer proghead.





Syd Barrett - violão, guitarra, vocal
David Gilmour - baixo, violão 12 cordas, bateria (7)
Jerry Shirley (Humble Pie) - bateria (4, 6)
Willie Wilson - baixo (4, 6)
Robert Wyatt - bateria (2, 3)
Hugh Hopper - baixo (2, 3)
Mike Ratledge - teclados (2, 3)
Vic Seywell - tuba, corneta





1   Terrapin
2   No Good Trying
3   Love You 
4   No Man's Land
5   Dark Globe 
6   Here I Go
7   Octopus
8   Golden Hair (um poema de James Joyce)
9   Long Gone
10 She Took A Long Cold Look
11 Feel 
12 If It's In You 
13 Late Night 
14 Octopus [Takes 1 & 2] 
15 It's No Good Trying [Take 5] 
16 Love You [Take 1] 
17 Love You [Take 3] 
18 She Took A Long Cold Look At Me [Take 4] 
19 Golden Hair [Take 5]






Golden Hair

‘Lean out of the window,
Goldenhair,
I hear you singing
A merry air.

My book was closed,
I read no more,
Watching the fire dance
On the floor.

I have left my book,
I have left my room,
For I heard you singing
Through the gloom.

Singing and singing
A merry air,
Lean out of the window,
Goldenhair.‘


Golden Hair é parte de uma coleção de 36 poemas que James Joyce escreveu como se fossem letras de música, ao invés de poesia formal.

domingo, 13 de agosto de 2017

Tibet - Tibet (1978)








A Tibet teve origem na região de Dortmund e esse é o único que disco que lançou. Desde 1972 ela atuava ao vivo, abrindo shows da Out Of Focus e da Embryo, e nesse início seu som estava mais para Yes e Pink Floyd do que para essas bandas. Antes desse disco ela lançou um single que tendia ao pop. Aí, para o LP, eles repensaram todo o trabalho e o resultado foi um prog complexo e sofisticado, com teclados clássicos e com elementos do space-rock. Contudo, sua característica mais marcante está no vocal que, antes de ler-se os créditos, pode-se jurar ser feminino.





Kalus Werthmann - vocal
Deff Ballin - teclados, percussão
Jürgen Grutzsch - guitarra, percussão
Dieter Kumpakischkis - teclados
Karl Heinz Hamann - baixo, percussão
Fred Teske - bateria, guitarra, vocal





1 Fight Back 
2 City By The Sea
3 White Ships And Icebergs 
4 Seaside Evening  
5 Take What's Yours  
6 Eagles
7 No More Time 


sábado, 12 de agosto de 2017

Octopus - The Boat of Thoughts (1976)








A Octopus era de Frankfurt e foi fundada por Pit Hensel e Claus Kniemeyer. Seu som tinha um pé firmemente apoiado no início dos anos 70, enquanto aproveitava as novas tecnologias para criar seu prog pesado e refinado. As letras são em inglês e o vocal feminino a aproxima da Curved Air, porém sem o lado clássico. Eles mesmos financiaram esse primeiro disco e rodaram com ele como demo, até que a gravadora Sky os contratasse e o lançasse no ano seguinte. Ele tem boas estruturas rítmicas e arranjos para os sintetizadores. 





Pit Hensel - guitarras
Werner Littau - teclados
Jennifer Hensel  - vocal
Claus D. Kniemeyer - baixo
Frank Eule - bateria





1 The First Flight Of The Owl
2 Kill Your Murderer
3 If You Ask Me
4 The Delayable Rise Of Glib
5 We're Losing Touch 
6 The Boat Of Thoughts

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Blinddog Smokin' - Up From The Tracks (2010)








A Blinddog Smokin' foi formada em 1993 por Carl Gustafson e Chuck Gullens, e desde então foi indicada ao Grammy e ganhou outros dez prêmios. Ela faz uma mistura bem legal de blues, soul e funk e parece ser mais um coletivo do uma banda. Há uns oito membros mais ou menos estáveis e os demais são convidados. Entre eles destacam-se Bobby Rush e Billy Branch, assíduos nas indicações para o Grammy.





Carl Gustafson - vocal, harmônica
Bobby Rush - harmônica
Billy Branch - harmônica 
Gino Matteo - guitarra
Chalo Ortiz - guitarra
Carl Weathersby - guitarra
Sherman Robertson - guitarra
Donald Markowitz - guitarra, violão
Mo Beeks - teclados, vocal
Alan Steinberger - piano, Wurlitzer, Fender Rhodes
Chicago   (Mr. Look so good) - bateria, vocal
Roland “Junior Bacon” Pritzker - baixo, vocal
Ronnie Gutierrez - percussão
Chuck Findley - trompete
Barry Kim - trompete
Nick Lane - trombone
Tom Saviano - sax
Rev. Dave Bonuff - sax
Mindi Abair - sax
Linda McCrary - vocal
Angela Michael - vocal
Robbyn Kirmssé - vocal
Kayla Balch - vocal





1  Money
2  Angels At The Crossroads 
3  Bobby Rush's Bus
4  Lace & Leather
5  Just Come Home To Die 
6  Miss Peggy's 
7  Funky Old Man
8  Church Of Fools 
9  Cognac And Chocolate 


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Onesko Bogert Ceo Project - Big Electric Cream Jam (2009)








Esse disco é um tributo ao Cream mas não é só isso. Esses caras acabaram por fazer aquilo que a gente esperava que a "Cream Reunion" de 2005 tivesse sido e não foi. Ou seja, eles pegaram dez músicas emblemáticas com aqueles riffs de matar e aplicaram todas as transformações que o blues-rock sofreu em trinta anos. O resultado tem mais musculatura e energia mas cada um segue respeitosamente fiel ao seu correspondente original, especialmente Tim Bogert em relação a Jack Bruce. E Bogert é tão lendário quanto Bruce; certamente dois dos maiores baixistas do rock. Onesko é um veterano virtuoso e em algumas faixas sua guitarra parece encaixar-se melhor que a de Clapton (é heresia minha, eu sei). Emery Ceo é um cara que veio do heavy-metal mas aqui também mantem-se reverente ao estilo jazzy de Ginger Baker. Enfim, o disco foi gravado ao vivo e é pra lá de bom.





Mike Onesko (Blindside Blues Band) - guitarra, vocal
Tim Bogert (Vanilla Fudge, Cactus, Beck, Bogert & Appice) - baixo
Emery Ceo (Blindside Blues Band) - bateria, vocal
Chris Boras - baixo (Sweet Wine)





1   Crossroads [Robert Johnson]
2   Politician
3   Sitting On Top Of The World [Howlin' Wolf]
4   Outside Woman Blues
5   Tales Of Brave Ulysses
6   I'm So Glad [Skyp James]
7   Spoonful [Willie Dixon]
8   Toad
9   We're Going Wrong
10 Sunshine Of Your Love + Hidden Jam : Sweet Wine