domingo, 16 de fevereiro de 2020

Pat Metheny & Lyle Mays - As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls (1981)






Na semana passada a música perdeu Lyle Mays. Lyle foi um extraordinário tecladista, compositor e arranjador, e parceiro de Pat Metheny desde o início da carreira. Ele foi o responsável pelos melhores momentos do Pat Metheny Group com as harmonias e a métrica complexas, que foram a espinha dorsal do som da banda.
Seu disco solo de 1986 está entre os meus favoritos dentre todos os que tenho ou que já ouvi. O LP foi lançado no Brasil e é facilmente encontrado no Mercado Livre.
"As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls" foi gravado em Oslo e é mais introspectivo que os álbuns do Pat Metheny Group, embora mantenha aquela atmosfera rural e bucólica. Ele adianta muito do que seriam os futuros trabalhos solo da dupla e do grupo, pela presença do brasileiro Naná Vasconcelos. Foi a primeira vez que apareceram vocais na música deles e Naná influenciou profundamente aos dois.
Nos próximos dias 16 e 17 de março, Pat Metheny estará tocando em São Paulo e Rio.




Pat Metheny - Guitarras de 6 e 12 cordas, violões de 6 e 12 cordas, baixo
Lyle Mays - piano, sintetizadores, órgão, Autoharp
Nana Vasconcelos - percussão, bateria, berimbau, voz




1 As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls
2 Ozark
3 September Fifteenth (Dedicated To Bill Evans)
4 "It's For You"
5 Estupenda Graça

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Peter Hammill - The Fall of the House of Usher (Deconstructed & Rebuilt) 1999







Traduzir a obra de Edgar Allan Poe em música era um projeto ambicioso do Hammill desde o início dos anos 70. Desde essa época ele se debruçava com Chris Judge Smith sobre esse trabalho. Judge Smith foi co-fundador da Van Der Graaf Generator mas deixou a banda logo no início. Ele frequentemente ainda compunha para a banda e para Hammill. Ele é o autor das letras, que pouco mudaram a história original.
Os dois só conseguiram finalizá-lo em 1991, ano do primeiro lançamento. Não completamente satisfeito, Hammill regravou muitas partes, suprimiu a bateria e a percussão e adicionou o violino de Stuart Gordon nesse relançamento de 1999.
É uma ópera-rock mais baseada na música clássica que no prog conhecido dos fãs da VDGG. A orquestração é feita pelos sintetizadores e por sobreposições de guitarras.




Peter Hammill - vocal [Roderick Usher, The Voices Of The House], guitarras, violões, teclados
Stuart Gordon - violino
Lene Lovich - vocal [Madeline Usher]
Andy Bell (Erasure) - vocal [Montresor]
Sarah-Jane Morris - vocal [The Chorus]
Herbert Grönemeyer - vocal [The Herbalist] 




Act One (The Road To The House Of Usher)
1   An Unenviable Role
2   That Must Be The House

Act Two (Within The House Of Usher)
3   Architecture
4   The Sleeper
5   One Thing At A Time
6   I Shun The Light
7   Leave This House

Act Three (Immediately Following)
8   Dreaming
9   A Chronic Catalepsy
10 The Herbalist
11 The Evil That Is Done

Act Four (The Following Morning)
12 Five Years Ago
13 It's Over Now
14 An Influence
15 No Rot

Act Five (Dawn The Next Day)
16 She Is Dead

Act Six (Three Days Later)
17 Beating Of The Heart
18 The Haunted Palace
19 I Dared Not To Speak
20 She Comes Towards The Door
21 The Fall

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Jethro Tull - Songs from the Wood (1977)







Songs from the Wood é o décimo disco da Jethro Tull e foi lançado nesse mesmo dia 11 de fevereiro, lá em 1977. 
A banda havia perdido totalmente a mão no álbum anterior e Ian Anderson decidiu ir tomar os ares do campo e mudou-se para uma fazenda. Parece que isso ajudou-o a superar a ideia de que era jovem demais para morrer.
Esse ambiente bucólico somado à uma colaboração com a banda Steeleye Span, mais um livro sobre o folclore britânico, o influenciaram na composição de Songs from the Wood. A capa é bem folk e lembra a capa do This Was; o assunto do álbum também é o folclore, mas suas músicas tem muito pouco de folk. 
O arranjador e ocasional saxofonista David Palmer passa a integrar a banda e aumenta o volume instrumental.
Nessa época as bandas reagiram de formas diferentes à onda punk; algumas ignoraram, outras fizeram concessões. A Jethro Tull, portanto, nadou contra a corrente. E deu certo. O público sentiu essa firmeza de propósito e o disco vendeu muito bem e recebeu ótimas críticas também. Songs from the Wood resgatou a carreira da banda e ganhou boas sequências.




Ian Anderson - vocal, flauta, violão,bandolim
Martin Barre - guitarra, alaúde
John Evan - piano, órgão, sintetizador
David Palmer - piano, órgão portátil (organetto), sintetizador
John Glascock - baixo, vocal
Barriemore Barlow - bateria, percussão




1   Songs From The Wood
2   Jack-In-The-Green
3   Cup Of Wonder
4   Hunting Girl
5   Ring Out Solstice Bells
6   Velvet Green
7   The Whistler
8   Pibroch (Cap In Hand)
9   Fire At Midnight
10 Beltane
11 Velvet Green (Live)

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Cain - A Pound Of Flesh (1975)







Cain foi uma banda de Minneapolis que estreou com esse disco de hard-rock simples, direto e muito bem feito. Não há nada memorável mas o trabalho de guitarra é muito bom e o vocalista lembra um pouco de Ian Gillan e um pouco de Dio. 
A banda bem que merecia um contrato com uma major. Só que na época o disco não chamou muita atenção nem mesmo pela capa. Depois do relançamento em CD é que veio o reconhecimento.  




Lloyd Forsberg - guitarra
Jiggs Lee - vocal, percussão
Dave Elmeer - baixo, violão, teclados
Kevin DeRemer - bateria




1   Queen Of The Night
2   Katy
3   Southside Queen
4   Badside
5   Born On The Wind
6   Heed The Call
7   If The Right Don't Get You The Left One Will
8   All My Life
9   Love Is Gonna Come
10 All Wound Up
11 Hard Life
12 Take A Little Time

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Sweet Okay Supersister - Spiral Staircase (1974)







Spiral Staircase é o último disco da banda Suprsister, uma das melhores nascidas na Holanda. Alguns dizem que ele saiu com o nome Sweet Okay porque deveria ter sido um álbum solo do Sacha van Geest. Alguns o consideram o melhor álbum da banda, mesmo que fosse um solo, outros discordam enfaticamente. As grandes bandas e a verdadeira arte geram discussão. 
O fato é que o álbum anterior, Iskander, foi um trabalho muito sério e experimental de rock progressivo e os fãs estavam acostumados com o humor da banda e o som solto na linha Canterbury. As críticas os fizeram dar um tempo. Robert Jan Stips trabalhou no estúdio por um breve período até que eles saíram em turnê acompanhando Elton Dean da Soft Machine. Isso lhes deu maior experiência no jazz.
Spiral Staircase apresenta, então, uma rica variedade de estilos musicais e Van Geest pesou a mão no humor, na direção de Frank Zappa e da Gong. Mas o universo é diferente, está mais para um parque de diversões ou um mundo encantado cheios de efeitos sonoros e vozes aceleradas. É brilhante, infantil, espirituoso, inteligente e inventivo em partes iguais.




Robert Jan Stips - teclados, vocal
Sacha van Geest - vocal, flautas, percussão
Martin Van Wijk - guitarra
Bertus Borgers - sax
Ron van Eck - baixos
Jan Hollestelle - baixos
Louis Debij - bateria
com:
Jan De Hont - guitarra (4)
Mien Van Den Heuvel - bandolim
Anneke Van Der Stee - bandolim
Mr. De Wulf - metais
Dick De Jong - gaita de fole
Cesar Zuiderwijk - bateria (4)
Los Alegres band - steeldrums
Dorien Van Der Valk, Inge Van Iersel, Josee Van Iersel - backing vocal




1  Retroschizive (Introduction Schizo) 
2  Jelly Bean Hop 
3  Dangling Dingdongs 
4  Sylvers Song (Groan, Stamp, Shock, Hoot)
5  Cookies, Teacups, Buttercups
6  Gi, Ga, Go (Gollumble Jafers)
7  It Had To Be 
8  Nosy Parkers 
9  We Steel So Frange (Epilogue)

Sweet Okay Supersister Featuring Los Alegres:
10 Coconut Woman (Single) 
11 Here Comes The Doctor (Single) 


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

J.E.T. - Fede Speranza Carita (1972)







J.E.T. foi uma banda genovesa que lançou esse único álbum conceitual com temas bíblicos que, de certa forma, se tornou um clássico desconhecido. A capa do álbum original tinha sua frente vazada para que o cálice surgisse quando fechada. Por esse capricho e pela qualidade da música, ele se tornou muito cobiçado por colecionadores. Há uma edição japonesa em CD recente que recria essa arte, mas não se compara a um LP. 
Sua música é inteligente — um prog pesado que conduz a momentos de reflexão e tem incursões pelo folk, jazz e música clássica. Há quem critique uma intenção um tanto evangelizadora, mas arte inócua não é bem arte.  
Um segundo álbum não chegou a ser finalizado e a banda lançou vários singles mais comerciais antes de se separar.




Aldo Stelita - guitarra, vocal
Piero Cassano - teclados
Carlo Marrale - baixo, marimba, cello, vibrafone
Pucci Cochis - bateria




1 Fede Speranza Carità
2 Il Prete E Il Peccatore (Fede)
3 C'è Chi Non Ha (Speranza)
4 Sinfonia Per Un Re (Carità)
5 Sfogo
6 Gloria, Gloria
7 Guarda Coi Tuoi Occhi

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Birth Control - Operation (1971)







Operation é o segundo álbum da Birth Control e a banda continuou com seu hard-prog (se não existe, inventei agora) ora clássico, ora psicodélico. Apesar de mais convencional na forma que seu antecessor, ele é coeso e coerente. São ótimas melodias e riffs executados por músicos que estão num nível superior. O órgão é dominante e usa o sistema de alto-falantes rotativos Leslie — que a Hammond detestava, mas acabou incorporando.
Operation também continuou querendo a controvérsia, a começar pela capa. 
Bernd Noske foi assumindo um papel dominante nos vocais. Sua voz é mais complexa e num tom mais alto em comparação com suavidade bluesy da voz do Frenzel.
Além desse álbum ela lançou vários singles com diferentes orientações nesse período. Isso pode ser entendido como uma grande liberdade criativa dada pelo selo Ohr. 




Bruno Frenzel - guitarra, vocal
Reinhold "Booboo" Sobotta - órgão, teclados
Bernd "Koschi" Koschmidder - baixo
Bernd "Nossie" Noske  - bateria, vocal




1   Stop Little Lady
2   Just Before The Sun Will Rise
3   The Work Is Done
4   Flesh And Blood
5   Pandemonium
6   Let Us Do It Now
7   Hope (Single Version)
8   Rollin' (Single Version)
9   The Work Is Done (Single Version)
10 What's Your Name (Single Version)
11 Believe In The Pill (Single Version)


domingo, 2 de fevereiro de 2020

Blood, Sweat & Tears - Child Is Father to the Man (1968)







Mais que uma banda, a BS&T foi uma reunião de músicos admiráveis e diversos. E foi essa diversidade que construiu seu som único. No início era uma banda de jazz e blues que aos poucos foi incorporando rock, rock psicodélico e até bossa nova; e coube à genialidade de Al Cooper dar coesão a tudo. 
Esse é seu disco de estréia, é um álbum conceitual e foi um grande desafio no estúdio justamente por ser eclético. Essa mistura é capaz de balançar o corpo, agradar aos ouvidos e estimular a mente. A ideia toda surgiu depois de Al Cooper assistir a um concerto do trompetista de jazz Maynard Ferguson — montar uma banda de rock com uma sessão de metais e dois grandes trompetistas. 




Al Kooper - vocal, órgão, piano
Steve Katz - guitarra, violão, alaúde, vocal
Jerry Weiss - trompete, flugelhorn, backing vocal
Randy Brecker - trompete, flugelhorn
Dick Halligan - trombone
Fred Lipsius - sax alto, piano
Jim Fielder - baixo
Bobby Colomby - bateria, percussão, backing vocal

com:
John Simon - órgão, pianos, percussão
Al Gorgoni - guitarra (5)
Melba Moorman, Valerie Simpson - backing vocal
Doug James - percussão
Alan Schulman, Charles McCracken - cello
Manny Vardi, Harold Colletta - viola
Anahid Ajemian, Manny Green, Gene Orloff, Harry Katzman, Harry Lookofsky, Julie Held, Leon Kruczek, Paul Gershman - violino




1   Overture
2   I Love You More Than You'll Ever Know
3   Morning Glory
4   My Days Are Numbered
5   Without Her
6   Just One Smile
7   I Can't Quit Her
8   Meagan's Gypsy Eyes
9   Somethin' Goin' On
10 House In The Country
11 The Modern Adventures Of Plato, Diogenes And Freud
12 So Much Love / Underture
13 Refugee From Yuhupitz (Instrumental) (Demo)
14 I Love You More Than You'll Ever Know (Demo)
15 The Modern Adventures Of Plato, Diogenes And Freud (Demo)


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Dinosaur - Wonder Trail (2018)







Novos caminhos para o trompete e para o próprio jazz é o que nos apresenta Laura Jurd e sua banda Dinosaur. Jurd é fã declarada de Miles Davis e também é professora de composição num renomado conservatório de Londres. Também é uma compositora premiada.
Wonder Trail é o segundo disco deles. Em comparação ao álbum anterior, ele cobre um território bem maior e mistura mainstream, nu-jazz, future-jazz, jazz-rock, folk e synth-pop dos anos 80. 




Laura Jurd - trompete, sintetizador
Elliot Galvin - sintetizadores
Conor Chaplin - baixo
Corrie Dick - bateria




1 Renewal (part I)
2 Quiet Thunder
3 Shine Your Light
4 Forgive, Forget
5 Old Times' Sake
6 Set Free
7 Swimming
8 Renewal (part II)
9 And Still We Wonder

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Nils Petter Molvaer - Solid Ether (2000)







Solid Ether é o segundo disco do trompetista norueguês Molvaer. Ele continua na linha do seu antecessor, fundindo jazz à música eletrônica, mas aqui há mais energia e agressividade, ante a melancolia de Khmer. São belíssimas linhas de trompete sobre paisagens sonoras feitas de jazzstep, que consiste em usar o ritmo e a velocidade do drum & bass combinados com a melodia, composição e instrumentação do jazz.
Tudo foi feito com emoção e muito bom gosto, resgatando a música eletrônica do horror que se tornou.




Nils Petter Molvaer - trompete piccolo, trompete, sintetizador, baixos, loops, eletrônicos, samples, synth-bass, percussão, efeitos, trompete eletrônico, teclado, trompete Vocoder, efeitos vocais, beats, piano
Elvind Aarset - guitarra, eletrônicos
Audun Erlien - baixo
Paal Nyhus - beats, samples, vozes, vinil, ambience
Per Linvall - bateria
Rune Arnesen - bateria
Sidsel Endresen - vocal




1   Dead Indeed
2   Vilderness 1
3   Kakonita
4   Merciful 1
5   Ligotage
6   Trip
7   Vilderness 2
8   Tragamar
9   Solid Ether
10 Merciful 2