domingo, 14 de julho de 2013

Embryo - Embryo's Rache (1971)






As raízes da Embryo estão no quinteto do pianista americano de hard-bop Mal Waldron, no qual Christian Burchard  e Dieter Serfas tocaram. Waldron tinha se mudado para Munique em 1965 depois de recuperar-se do vício em heroína e lá residiu até sua morte em 2002. Então a Embryo acabou inventando um novo tipo de fusion. Rache é o segundo disco da banda e é aquele que estabeleceu seu som. Eles incorporaram toda a bagagem jazzística à percussão étnica do oriente médio e importaram da Amon Düül o excelente tecladista Jimmy Jackson para construir uma música hipnótica e complexa.


Edgar Hofmann -sax, violino, percussão
Hansi Fischer -flauta, percussão, vocal
Christian Burchard -bateria, vocal, piano
Roman Bunka -baixo
James "Tabarin Man" Jackson -órgão, Mellotron
Franz Böntgen -vocal
Hermann Breuer -piano elétrico, órgão
Geoff Goodman -guitarra
Dieter Serfas -gan gan

1 Tausendfüssler 
2 I Can't Wait 
3 Eva's Wolke 
4 Revenge 
5 Espamgna Si, Franco No 
6 Sittin' At The Moon
7 Verwandlung 
8 Tabarinman´s Return part 1
9 Tabarinman´s Return part 2 



terça-feira, 9 de julho de 2013

Popol Vuh - Einsjager & Siebenjager (1974)






Popol Vuh foi formada em fevereiro de 69 e foi uma das primeiras bandas orientadas pelos sintetizadores. Seu nome veio do equivalente à Bíblia dos maias. No início seus membros eram Florian Fricke, o líder, e o percussionista étnico Holger Trülzsch, completados por muitos convidados. Da forma eletrônica eles mudaram para um folk gótico e religioso, quase gregoriano, isso já no terceiro disco, Hosianna Mantra. Até aí quem se ocupava das guitarras era o e-Gila, Conny Veit. Este é o quinto disco e o segundo com a participação do Ex-Amon Düül Danny Fichelscher, que veio substituir Veit com a vantagem de tocar vários instrumentos. Neste álbum ele também começa a participar das composições. É um marco na carreira da banda, uma nova mudança no som, muito mais ao rock que os anteriores. Mais adiante essa turma iria compor a trilha sonora para o filme "Aguirre, a Cólera dos Deuses" de Werner Herzog, muito amigo de Fricke.


Florian Fricke -piano, espineta
Daniel Fichelscher -violão,guitarra,percussão
Djung Yun -vocal
Olaf Kübler -flauta


1 Kleiner Krieger
2 King Minos
3 Morgengruß
4 Würfelspiel
5 Gutes Land
6 Einsjäger & Siebenjäger
7 King Minos II
8 Wo Bist Du?

sábado, 6 de julho de 2013

Amon Duul II - Wolf City (1973)





A essa altura, a Amon Düül já era uma banda muito respeitada internacionalmente e excursionava extensivamente. Como resultado da correria, o line-up foi ficando mais instável. Outra coisa: a banda cedia a alguns desejos da United Artists. Foi assim com o álbum anterior a este, Carnivalin Babylon, que foi planejado para ser duplo e acabou saindo simples, deixando a sensação de algo inacabado. A banda também focou no público de fala inglêsa, tanto é que o Wolf City só tem uma faixa totalmente instrumental. Nenhuma faixa ocupa os mesmos músicos de outra, por isso ele é bastante variado e na maior parte do tempo parece um álbum ao vivo. Quem mais aparece é o percussionista Daniel Fichelscher, que viria a ser o líder da Popol Vuh, e a Renate Knaup.


Daniel Secundus Fichelscher -bateria,vocal,guitarra 
Chris Karrer -violão,guitarra,violino,sax soprano,vocal 
Renate Knaup-Krötenschwanz -vocal 
Lothar Meid -baixo,sint,vocal
Falk U. Rogner -órgão,Clavioline,sints
John Weinzierl -guitarra,vocal
com
Al Sri Al Gromer -sitara
Paul Heyda -violino
Jimmy Jackson -piano,órgão 
Olaf Kübler -sax,vocal
Pandit Shankar Lal -tablas
Peter Leopold -vocal,sints,tímpanos
Liz van Nienhoff -tambura 
Rolf Zacher -vocal


1 Surrounded by the stars
2 Green-bubble-raincoated-man 
3 Jail-house Frog 
4 Wolf city  
5 Wie der Wind am Ende einer Strasse 
6 Deutsch Nepal 
7 Sleepwalker's timeless bridge 
8 Kindermörderlied 
9 Mystic Blutsturz 
10 Düülirium 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Utopia - Utopia (1973)






Bem, apesar do que está na capa, esse não é exatamente um álbum da Amon Düül — digamos que ele passou a sê-lo após a segunda edição em cd, em 2000. Consta que durante as gravações do álbum Wolf City, alguns membros queriam aproveitar o vasto material composto num álbum duplo, enquanto outra turma achava que as faixas adicionais não tinham nada a ver com a idéia original. Então eles brigaram, se dividiram, e a banda que surgiu em torno da primeira turma chamou-se Utopia. Eles eram Lothar Meid, Olaf Kübler e Jimmy Jackson, que já tinham tocado juntos no disco de estréia da banda fusion Passport, chamado Doldinger. E é bem por isso que o material não casaria bem com o Wolf City, uma vez que Johnson e Kübler tem suas raízes no jazz e as composições de Meid tem influências de blues. Logo depois disso, todo mundo resolveu deixar a briga pra lá, passar uma borracha e tocar juntos de novo. Então, Utopia e Wolf City são uma espécie de yin e yang. Só que Utopia acabou influenciando o som da A.D. Quem é yin?


Lothar Meid -baixo,vocal,Mellotron 
Chris Karrer -sax soprano,violino
Jim Jackson -piano,piano elétrico,órgão
Olaf Kübler -sax tenôr,flauta nasal,Moog,percussão
Andy Marx -guitarra,violão
John Weinzierl -guitarra
Joe Quick -guitarra 
Siegfried Schwab -guitarra
Renate Knaup -vocal
Ralf Basten -vocal
Christian Schulze -piano elétrico
Falk-U. Rogner -órgão
Peter Kramper -Moog
Edgar Hoffmann -sax soprano (wah-wah)
Keith Forsey -bateria 
Denny Fichelscher -bateria,percussão 
George Green III -bateria 
George Brown -bateria 
Joe Nay -bateria


1 What You Gonna Do 
2 The Wolf-Man Jack Show 
3 Alice 
4 Las Vegas 
5 Deutsch Nepal 
6 Utopia No. 1 
7 Nasi Goreng 
8 Jazz-Kiste 
9 Surrounded By The Stars
10 Dancing On Fire
11 Deutsch Nepal / Rolf Zacher Voc.
12 Goldrush
13 Star Eyed
14 Dr. Stein

terça-feira, 2 de julho de 2013






Pieter Zalis na Veja

Depois de ter de recuar da tentativa desesperada de convocar uma assembleia constituinte, o governo decidiu propor a realização de um plebiscito para fazer uma reforma política. A diferença entre as propostas é que a primeira afrontava a democracia de forma explícita e a segunda é um golpe disfarçado. Ambas, porém, têm os mesmos propósitos: desviar o foco das manifestações e servir ao projeto de poder do PT. Pelos planos do governo, a consulta popular ocorreria em agosto e teria o resultado homologado no início de outubro. Assim, as regras já valeriam para as eleições de 2014. Se emplacar sua manobra, o PT terá os seguintes motivos para comemorar:

• Será o partido cujo caixa receberá mais dinheiro público. Embutido na proposta de reforma política do governo está o obsessivo desejo do PT de impor o financiamento - exclusivamente - público de campanha. Pelo modelo, pessoas e empresas continuarão a poder fazer doações, mas para um fundo, sem escolher destinatários. O dinheiro será dividido conforme a votação do partido na eleição anterior. Se o sistema for adotado em 2014, com o quadro eleitoral mais provável, Dilma terá quase 70% do bolo: 67,59%.

• A candidatura de Marina Silva estará praticamente enterrada: pelas mesmas regras, a ex-senadora, que teve 20 milhões de votos em 2010, mas que agora tenta criar um novo partido, ficaria com ínfimo 0,16% do dinheiro público. Com a campanha inviabilizada, deixaria de ameaçar a liderança de Dilma. Aécio Neves (PSDB) teria direito a 21,77% do dinheiro e Eduardo Campos (PSB), a 6,56%.

• A institucionalização do voto de cabresto. O PT defende o voto em lista fechada para o Legislativo. Por esse método, o eleitor não vota em candidatos, mas na sigla. Traduzindo: os caciques petistas indicam os candidatos a deputado e depois chamam o povo para pagar a campanha. É muita cara de pau.

• À custa dos cofres públicos, Luiz Inácio Lula da Silva aparecerá na TV como garoto-propaganda do PT. O partido planeja aproveitar o tempo dos programas de televisão destinados à discussão das questões do plebiscito para fazer propaganda do governo e atacar adversários, com o ex-presidente no comando do show.

Desde maio, o presidente do PT, Rui Falcão, tenta coletar assinaturas para apresentar esse mesmo projeto de reforma política no Congresso. O argumento que colore os cartazes é que a reforma reduziria "a força do poder econômico" nas eleições, já que acabaria com as doações de bancos e empreiteiras - apontados como os vilões da corrupção. Ocorre que, como sabe muito bem o PT, Lula é hoje o maior amigo das empreiteiras, em cujos jatos viaja e para cujos interesses faz um descarado lobby. "O maior problema de corrupção eleitoral do Brasil vem de recursos que entram pelo caixa dois", lembra o professor de direito eleitoral Carlos Gonçalves Júnior, da PUC de São Paulo. Nenhum país adota o sistema defendido pelo PT. A Dinamarca, a nação menos corrupta do mundo, não restringe o financiamento, mas fiscaliza o uso do dinheiro e pune quem o desvia - estas, sim, medidas efetivas de combate à roubalheira. Para levar ao Congresso a proposta apresentada por Falcão, o PT precisa de 1,4 milhão de assinaturas. Só conseguiu 120 000. A ideia do plebiscito não passa, portanto, de uma tentativa de driblar a falta de apoio popular à iniciativa.

Não fosse o oportunismo escancarado da proposta, a própria iniciativa do plebiscito já é uma farsa. "Nesse tipo de processo, há um risco muito grande de o povo ser usado para legitimar as posições do plantonista no poder. Ditadores sempre se valem de plebiscitos", alerta Carlos Velloso, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. O fato de a reforma política ser um assunto complexo, com o qual a população não tem familiaridade, aumenta ainda mais o risco de a consulta popular ser manipulada a ponto de ganhar o lado que tiver contratado o marqueteiro mais competente. Por mais necessária que seja, e com isso concordam todos os partidos e todos os governos, a reforma foi um tema rarefeito nas manifestações. Os brasileiros não clamam pela reforma política, mas pela reforma ética dos políticos.

Amon Düül II - Tanz der Lemminge (1971)







O terceiro disco da Amon Düül II pode bem ser o seu melhor — junto com mais uns quatro, hehe. É um trabalho mais calmo, que tem alguns momentos de space-rock e foca em composições mais amplas. De fato, apesar de haver a divisão de faixas, elas parecem não existir e os temas se repetem em vários momentos. A guitarra onipresente no álbum Yeti aparece esporadicamente e há uma dose bem maior de acústicos. Se não for seu melhor disco como um todo, no mínimo é o melhor em termos de improviso, mesclando influências que vão desde Stockhausen até Lou Reed. E apesar de um pouco datado, é uma viagem e tanto.


Chris Karrer -guitarra,violão,violino,vocal
Karl-Heinz Hausmann -eletrônicos
Peter Leopold -bateria,percussão,piano 
Lothar Meid -baixo elétrico e acústico,vocal 
Falk U. Rogner -órgão e eletrônicos 
John Weinzierl -violão,guitarra,piano,vocal 
com
Al Gromer -sitara 
Jimy Jackson -órgão,piano,côro 
Henriette Kroetenschwanz -vocal
Rolf Zacher -vocal


01. Syntelman's March of the Roaring Seventies 
a) In The Glassgarden
b) Pull Down Your Mask
c) Prayer To The Silence 
d) Telephonecomplex 

02. Restless Skylight-Transistor-Child  
a) Landing In A Ditch 
b) Dehynotized Toothpaste
c) A Short Stop St The Transylvanian Brain Surgery 
d) Race From Here To Your Ears 
- Little Tornadoes 
- Overheated Tiara 
- The Flyweighted Five 
e) Riding On A Cloud 
f) Paralized Paradise 
g) HG Well's Take Off

Chamsin Soundtrack
03. The Marilyn Monroe-Memorial-Church
04. Chewing Gum Telegram
05. Stumbling over Melted Moonlight 
06. Toxicological Whispering 

domingo, 30 de junho de 2013



"... Seu recado foi claro: o rei está nu. O povo está dizendo que este rei — o governo de farsa montado por Lula há mais de dez anos — rouba, mente, desperdiça, não trabalha, trapaceia, vai para a cama com empreiteiros de obras, entrega-se a escroques, cobra cada vez mais imposto e fornece serviços públicos que são um insulto ao país. Acha que pode comprar o povo com fornos de micro-ondas e outros badulaques de marquetagem.
É covarde e hipócrita: depois de provar por A + B que o aumento das passagens era indispensável, a prefeitura paulistana, apavorada provou por A + B que não era, e cedeu a quem chamava de “baderneiros”. Dilma por sua vez, elogiou a todos, dos manifestantes à polícia, e correu para pedir instruções a Lula — mas não admitiu que seu governo tenha a mais remota culpa por qualquer das desgraças que levaram o povo às ruas.
Espera que a revolta se desfaça sozinha como em geral acontece com movimentos que não têm objetivos claros, liderança e disciplina — e volte à sua sagrada popularidade. Pode ser mais difícil, desta vez."

                                                                  jornalista J.R. Guzzo na Veja.

Chris Karrer - Sufisticated (1996)





Chris Karrer é o multi-instrumentista fundador e líder da Amon Düül e membro ocasional da Embryo. Na sua carreira solo ele explora ainda mais as influências  musicais do oriente médio, principalmente nesse seu terceiro e elogiado álbum, numa linha que poderia ser...world-folk-progressivo (?!). Ele é um álbum sobre sons. Sons delicados e de bom gosto, emitidos por instrumentos exóticos e trabalhados por arranjos muito elaborados. Existe uma atmosfera criada pelos teclados entre a percussão que Karrer batizou de "magic sound carpet".


1. Down at the Casbah
Chris Karrer : oud (alaúde), violão 12 cordas, percussão
Peter Paul Kuen : piano, cimbalo, sintetizador baixo, sopros
Rafael Caro Jr. : darbouka, bongôs, percussão

2. Tritonus Andaluz
Chris Karrer : violão, guitarra, sarangi, percussão
Peter Paul Kuen : teclados, gongo
Rafael Caro Jr. : percussão

3. La Bruja Santa
Chris Karrer : violão, violino, côro

4. Taqsim Supreme 
Chris Karrer : oud, riq (pandeiro)
Mostafa Rafaat : nay (sopro oriental)
Christian Burchard (Amon Düül II) : santure (dulcimer percussivo), darbouka (percussão)

5. Al Risha
Chris Karrer : oud
Peter Paul Kuen : teclados, percussão

6. Visions of Suleika
Chris Karrer : sax, violino, violão, guitarra, kakabou, tamborim
Peter Paul Kuen : teclados, loops, flauta elétrica, percussão
Rafael Caro Jr. : bongôs, percussão

7. El Khahira 
Chris Karrer : violino, sax, oud, violão, duff, riq, tamborim
Marika Falk : dombak (percussão)
Mostafa Rafaat : nay
Peter Paul Kuen : gongos, carrilhões, sint. cordas, percusão

8. El Kabira
Chris Karrer : violino, sax, oud, violão, duff, riq, tamborim
Marika Falk : dombak (percussão)
Mostafa Rafaat : nay
Peter Paul Kuen : gongos, carrilhões, sint. cordas, percusão

9. Barbate 
Chris Karrer : violão
Peter Paul Kuen : sound-design

10. Lamento Del Moro
Chris Karrer : sax, violão
Christian Philippi : violão, vocal
Rai Zimzik : violão
Edgar Hofmann : nay
Michael Wehmeyer : órgão

11. Barzah
Yulius Golombeck : oud
Saam : zarb (percussão persa)

12. Hicaz Oyün Havasi
Chris Karrer : violino, sarangi (instrumento hindú de cordas friccionadas), robab (alaúde paquistanês) (ou político petista)
Yulius Golombeck : oud, nay





quarta-feira, 26 de junho de 2013

Snowy White & The White Flames - Keep Out - We Are Toxic (1999)






O Snowy é um guitarrista inglês autodidata que começou a tocar com 11 anos apenas. Nos anos 70 ele conheceu Peter Green, ficaram amigos e ele acabou participando do álbum de regresso de Green após seu inferno das drogas, o In The Skies. Em 77 ele foi recomendado ao pessoal do Pink Floyd que estava procurando um segundo guitarrista para a turnê do álbum Animals. Ele foi tão bem que repetiu a dose no disco e na turnê do The Wall. Quase ao mesmo tempo, Snowy aceitou o convite para ser membro da Thin Lizzy e com ela gravou dois discos e fêz várias turnês. Aí ele montou a banda White Flames com um baterista holandês e um baixista indonésio. Esse é um dos melhores, senão o melhor disco deles. Nos anos que viriam, Snowy manteve seus laços com o pessoal do PF, participando do concerto The Wall em Berlin do Waters  e de outros concertos dele que viraram disco. Também recebeu David Gilmour no seu disco de 99, Melting.
Snowy White é um grande guitarrista, criativo e refinado. Se um dia houver uma lista séria dos grandes do istrumento, ela não será tão séria se ele não estiver nela.


Snowy White -guitarras e vocal
Juan van Emmerloot -bateria, percussão, samplers
Walter Latapeirissa -baixo, baixo sem trastes, violão
Mick "Tinkerbell" Smith -cordas
Paul Lily -cordas
Thomas White -percussão


1 Keep Out-We Are Toxic
2 What Would I Do 
3 Flamingo Lake 
4 Silence in the Valley
5 Naharia 
6 A Piece of the Action
7 Time Waits for No Man
8 Precious
9 When the Rains Don't Come