quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ash Ra Tempel - Ash Ra Tempel (1971)





A embrionária, radical e inovadora Ash Ra Tempel tem suas raízes, ora vejam!, no beat-rock; mais precisamente em duas bandas: a Bluebirds e a Bad Joe. Essas duas aglutinaram-se noutra, chamada Steeple Chase Bluesband, a qual transformou-se completamente quando seus membros encontraram-se com Klaus Schulze, ex-Tangerine Dream. Em trio, eles seguiram como Ash Ra Tempel, uma banda focada na livre improvisação, cujas performances poderiam ultrapassar os 30 minutos. Com a ajuda do lendário produtor Cony Plank eles gravaram esse primeiro álbum com um novo estilo de space-rock, unindo elementos da Pink Floyd e da Hawkwind com um pouco daquilo que Schulze desenvolveu na Tangerine Dream. Depois desse disco, a exemplo do que já fizera na TD, Schulze saiu da Ash Ra Tempel para experimentar ainda mais — ele disse à Göttsching que mantivesse o nome, mas ele estava indo fazer outras coisas.



Klaus Schulze - bateria, percussão, eletrônicos
Manuel Göttsching - guitarra, eletrônicos, vocal
Hartmut Enke - baixo

1 Amboss
2 Traummaschine







terça-feira, 14 de abril de 2015

Tangerine Dream - Alpha Centauri (1971)





Klaus Schulze e Conrad Schnitzler haviam deixado a Tangerine Dream para colaborar com membros da Agitation Free no projeto Eruption e Schulze ainda foi formar a Ash Ra Tempel. Depois de alguns testes com outros músicos, Edgar Froese acabou meio que emprestando o baterista da Agitation Free, Chris Franke. Franke trouxe dela a experiência em trabalhar com eletrônicos e com o tempo foi efetivado e tornou-se bem mais que o baterista. Alpha Centauri é o segundo álbum da Tangerine Dream e, como sugere seu título, inaugurou a fase do espaço cósmico e sideral da banda.


Edgar Froese - Mellotron, órgão, baixo, guitarra, voz
Chris Franke - bateria, percussão, flauta, pianoharp, zither, sintetizador
Peter Baumann - órgão
Steve Schroyder - órgão, eletrônicos, câmaras de eco, percussão
com:
Udo Dennebourg - flauta, voz
Roland Paulyck - sintetizador


1 Sunrise in the Third System 
2 Fly and Collision of Comas Sola
3 Alpha Centauri 
4 Oszillator Planet Concert
5 Ultima Thule, Part One
6 Ultima Thule, Part Two

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Agitation Free - Malesch (1972)





A Agitation Free foi uma banda seminal do kraurock e uma das mais influentes. Alguns integrantes da sua primeira encarnação foram mais adiante juntar-se à outras bandas também muito influentes, como a Tangerine Dream e a Ash Ra Tempel. Ela foi formada em 1967, em Berlim, e muitos dos seus integrantes haviam estudado com o compositor e teórico suíço Thomas Kessler, um cara da vanguarda musical que ficou conhecido como o pai da "escola de Berlim" e do rock eletrônico, mentor também da Tangerine Dream. Levou bastante tempo para a Agitation Free lançar um álbum, mas esse tempo serviu para que criassem seu próprio estilo de rock cósmico, derivando do que fazia o Pink Floyd pela adição de elementos étnicos. Esse estilo incluía ampla improvisação, muita eletrônica, predominância do instrumental e duas guitarras. Malesh foi o disco de estréia e é o resultado de uma viajem que fizeram pelo norte da África e pelo Oriente Médio. Ax Genrich tocou com ela por uns três meses antes de ser cooptado pela Guru Guru.



Michael Hoenig - sintetizadores, eletrônicos, violão de aço
Lutz Ulbrich - guitarra, zither, órgão
Jorg Schwenke - guitarra
Peter Michael Hamel - órgão
Michel Gunter - baixo
Burghard Rausch - bateria, marimba, vocal
Uli Pop - bongôs


1 You Play For Us Today 
 2 Sahara City 
 3 Ala Tul 
 4 Pulse
 5 Khan El Khalili 
 6 Malesch
 7 Rücksturz


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Guru Guru - UFO (1970)





Em 1970, o guitarrista Ax Genrich era membro da Agitation Free mas não chegou a gravar com ela. No mesmo ano ele saiu para juntar-se à Guru Guru. A Guru Guru havia surgido dois anos antes, em Zurique, fundada por dois ex-integrantes (Neumeier e Trepte) de outra banda chamada Irene Schweizer Trio. Inicialmente ela chamou-se Guru Guru Groove, e eles desenvolveram uma nova forma de rock psicodélico à partir das suas raízes de free-jazz. Nesse ponto eles contavam com um órgão e com um saxofone elétrico. Houve várias mudanças de músicos e apenas Neumeier e Trepte permaneceram. Eles mudaram-se para Berlin, encurtaram o nome da banda e encontraram em Ax Genrich o parceiro ideal — ele podia fazer coisas incríveis com a guitarra. A banda assinou contrato com o selo Ohr e lançou essa acid-trip aqui, composta basicamente por versões condensadas de jams que já haviam feito ao vivo, arrumadas e rearranjadas de um modo mais limpo e espacial.



Mani Neumeier - bateria, percussão, voz, fita
Ax Genrich - guitarra, eco, pedais
Uli Trepte - baixo, eletrônicos, fita


1 Stone In
2 Girl Call
3 Next Time See You At The Dalai Lhama
4 UFO 
5 Der LSD-Marsch







quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ax Genrich - Wave Cut (1995)




Esse é um álbum pra que gosta de guitarra psicodélica, espacial e distorcida, feito por um grande guitarrista. Ax Genrich foi membro da Agitation Free e em abril de 1970 juntou-se à Guru Guru. Nela, ele atuou nos cinco primeiros álbuns e foi genial o bastante para ser considerado um dos melhores guitarristas de todo o krautrock. Ele era capaz de fazer o instrumento falar! Depois de sair da Guru Guru ele envolveu-se em vários projetos, inclusive na organização do festival folk de Odenwald, a partir do qual até formou uma banda, a Odenwald Express. Depois de um longo silêncio, ele ressurgiu com o álbum Psychedelic Guitar e logo depois laçou este aqui, ainda melhor e lembrando muito o que a Guru Guru fez.


Ax Genrich - guitarra, voz
Mario Fadani - baixo
Walt Bender - bateria, sampler, voz
Tom Redecker - vocal

1 Come Back
2 Go! Lemgo
3 Fundador
4 The Rebel
5 Meat
6 Wave Cut



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Buckshot LeFonque - Buckshot LeFonque (1994)






Branford é o mais versátil dos irmãos Marsalis; ele experimenta bastante com a fusão de gêneros sem deixar-se seduzir pelo comercialismo. Sua carreira começou com nada mais, nada menos que Art Blakey & the Jazz Messengers. Depois vieram Dizzy Gillespie e Miles Davis, coisa pouca. Além das fronteiras do jazz, ou expandindo-as, ele tocou em vários álbuns de Sting, em dois de Crosby, Stills & Nash, com a Grateful Dead e até com o brasileiro Dori Caymi. Essa banda Buckshot LeFonque foi sua maior ousadia e nela ele colocou elementos de outros músicos com quem tocara pouco tempo antes: o hip-hop de Public Enemy e o ska-funk de Fishbone. O nome da banda é um pseudônimo que Julian "Cannonball" Adderley usava para driblar o contrato com sua gravadora. A lista de músicos participantes é impressionante e até o grande mestre da Telecaster, Albert Collins, faz um solo no final da faixa 13. É um disco muito legal.



Branford Marsalis - sax alto, soprano e tenôr, programação de percussão
Delfeayo Marsalis - trombone, piano (12, 14)
Albert Collins - guitarra (13)
Kenny Kirkland (Dizzy Gillespie, Wynton Marsalis, Sting) - piano
Greg Phillinganes (Clapton, Toto) - teclados, Moog baixo
Kevin Eubanks - guitarra
Nils Lofgren (Neil Young, Bruce Springsteen) - guitarra
David Barry - guitarra
Ray Fuller - guitarra rítimica (6)
Matt Finders - trombone
Roy Hargrove - trompete
Chuck Findley - trompete
Victor Wooten - baixo
Robert Hurst - baixo
Darryl Jones (Miles Davis) - baixo
Larry Kimpel - baixo (6)
Jeff "Tain" Watts - bateria
Chuck Morris - bateria (6)
Rob Hunter (Raven) - bateria (13)
Uptown - vocal
Frank McComb - vocal
Maya Angelou - vocal
Tammy Townsend - vocal (6)
Mino Cinelu - percussão
Vicki Randle - percussão
DJ Premier - programação, pick-ups
Alexander Assefa, Betlemem Kiros, Fikre Asmamaw, Serlewowgel Solomon, 
Tsige Metageshaic, Beverly Bray, Bobbette Jamison-Harrison, Kim Edwards-Brown - vocais



1  Ladies & Gentlemen, Presenting...
2  The Blackwidow Blues
3  I Know Why The Caged Bird Sings
4  Mona Lisas (And Mad Hatters)
5  Wonders & Signs
6   Ain't It Funny
7  Some Cow Fonque (More Tea, Vicar?)
8  Some Shit @ 78 BPM (The Scratch Opera)
9  Hotter Than Hot
10 Blackwidow
11 Breakfast @ Denny's
12 Shoot The Piano Player
13 No Pain, No Gain
14 Sorry, Elton
15 ...And We Out


segunda-feira, 30 de março de 2015

Wynton Marsalis - J Mood (1986)





Nesse último final de semana rolou em São Paulo o Brasiljazzfest, que um dia já chamou-se  Free Jazz Festival, aquele evento magnífico criado pelas irmãs Gardenberg em 1985, cujo único senão foi o primeiro patrocinador. Foi bem mais econômico nessa edição, porém contou com a presença do trompetista Wynton Marsalis e a orquestra do Lincoln Center. 
Wynton é de uma célebre família de músicos: papai Ellis e brothers Delfeayo e Branford. Considera-se que Wynton foi o primeiro músico de jazz a receber ampla promoção de uma gravadora "major", o que acabou tornando-se uma constante preocupação para ele: não ser confundido com um produto. Com isso em mente, ele assumiu o compromisso de restaurar os valores morais do jazz, deixados um tanto ao largo pelo excesso de intelectualismo do free jazz e do cool jazz, colocando os sentimentos naquele ponto em que o jazz ainda era ligado ao blues. 
Nesse álbum, Wynton reduziu sua banda a um quarteto — não contou com a colaboração de longa data com seu irmão Branford no sax, nem com a do pianista Kenny Kirkland — onde se destaca o pianista Marcus Roberts, um especialista em jazz dos anos 40.
Parabéns à Monique Gardenberg!



Wynton Marsalis - trompete
Marcus Roberts - piano
Robert Leslie Hurst III - baixo
Jeff "Tain" Watts - bateria


1 J Mood
2 Presence That Lament Brings
3 Insane Asylum
4 Skain’s Domain
5 Melodique
6 After
7 Much Later








sexta-feira, 27 de março de 2015

Sphere - Four In One (The Music Of Thelonious Monk) 1982





Sphere é o título do último álbum do quarteto de Thelonious Monk e foi o nome escolhido por Charlie Rouse e Ben Riley, dois integrantes desse quarteto, para batizar essa banda. Segundo Rouse, a intenção era estimular Monk a voltar a tocar, ou, ao menos, voltar a compor. Contudo, no mesmo dia 17 de fevereiro de 1982 em que estes quatro músicos competentíssimos entraram no estúdio para gravar, Thelonious Monk faleceu. A Sphere continuou em frente e gravou mais cinco discos de estúdio e um ao vivo.


Charlie Rouse - sax tenôr
Kenny Barron - piano
Buster Williams - baixo
Ben Riley - bateria


1 Four In One
2 Light Blue
3 Monk's Dream
4 Evidence
5 Reflections
6 Eronel


quinta-feira, 26 de março de 2015

Thelonious Monk - Monk's Music (1957)





Quando Thelonious Monk começou sua carreira no final dos anos 40, ele foi ignorado. Pior, desprezado. As pessoas não compreendiam o estilo que ele desenvolveu, suas progressões e tal. Ao mesmo tempo em que estava enraizado na tradição, ele compunha muito à frente do seu tempo. Era considerado excêntrico ou meio doido. Com frequência ele levantava-se do piano enquanto um colega solava e fazia uma dancinha super tosca, que parecia coisa de bebum. Contudo, dez anos mais tarde ele tornou-se o messias, e sem mudar uma vírgula. Tinha seguidores e admiradores como tal, e ninguém lhe imitava. A música moderna mudou aos seus dedos.
Esse álbum é um dos seus grandes momentos, também pelo incrível septeto que montou — só tem fera.
Em 1973, Monk recolheu-se. Ele disse que simplesmente não queria mais tocar e, excetuando-se pouquíssimas aparições, não tocou mais mesmo. Ele estava mentalmente doente e faleceu em fevereiro de 1982.



Thelonious Monk - piano
Gigi Gryce - sax alto (1, 2, 4 à 9)
Coleman Hawkins - sax tenôr
John Coltrane - sax tenôr (1, 2, 4 à 9)
Ray Copeland - trompete (1, 2, 4 à 9)
Wilbur Ware - baixo (2 à 9)
Art Blakey - bateria (2 à 9)



1 Abide With Me
2 Well, You Needn't
3 Ruby, My Dear
4 Off Minor (take 5)
5 Epistrophy
6 Crepuscule With Nellie (take 6)
7 Off Minor (Take 4)
8 Crepuscule With Nellie (takes 4 and 5)
9 Blues For Tomorrow

sexta-feira, 20 de março de 2015

Gandalf - Gallery Of Dreams (1992)




Não devemos confundir este Gandalf com a banda americana dos anos 70. O nome verdadeiro dele é Heinz Strobl e ele é austríaco. Suas raízes estão no rock progressivo mas ele acabou enveredando pela New Age Music, segundo ele, por cansaço pelos Marshall's. Entre suas influências ele destaca a Genesis e, acima de tudo, sua admiração por Steve Hackett. E os dois estão juntos nesse álbum instrumental e excursionaram juntos apresentando-o. Porém, new age não é prog, não tem mudanças de tempo nem nada. Os caras desse gênero achavam que hoje em dia estaríamos vivendo em Vulcano, sem Estado Islâmico, sem Boko Haram, sem PT nem outras dessas merdas aberracionais. 


Gandalf - guitarra, violão 12 cordas, piano, teclados, bandolim, Taurus Bass-Pedal, vibrafone, percussão
Steve Hackett - guitarra, violão clássico
Tracy Hitchings - vocal
Robert Julian Horky - flautas
Andrea Krauk - oboé


1  Face In The Mirror
2  Willowman - Watcher Of The Waters
3  Alone Again
4  Between Different Worlds
5  Another Dream
6  Song Of The Unicorn
7  Winged Shadows
8  Choir Of Elves
9  Lady Of The Golden Forest
10 Hand In Hand
11 Gallery Of Dreams
12 Fields Of Eternal Harmony
13 End Of The Rainbow