segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Lou Reed - Transformer (1972)






Bem, Bowie é onipresente agora. Vai ser assim por algum tempo. Então, por que não?
Quando David era Ziggy, ele e sua aranha mais perspicaz chamada Mick produziram, arranjaram, tocaram e gravaram o segundo disco solo do Lou Reed, ex-Velvet Underground. A Velvet virou cult, influenciou o punk, a vanguarda e tal e coisa, que esperava-se o mesmo do primeiro disco solo do seu líder. Não rolou. Nem com Rick Wakeman e Steve Howe. Aí entraram as mãos dos padeiros. Com uma banda afiada e experiente, mas sem estrelismos, Bowie e Ronson emolduraram as canções do Reed, as quais tem algumas linhas até bem bocós. Por exemplo: ♪Vicious, you hit me with a flower♫. Walk On The Wild Side tinha tudo pra ser chata, modorrenta, e, no entanto, usando o baixo acústico do Herbie Flowers com o sax do Ronnie Ross ela virou clássica e tocava nas rádios entre AC/DC e Black Sabbath numa boa. 
Mick Ronson, Ziggy Stardust, Major Tom... E o mundinho vai ficando sem talento. 




Lou Reed - vocal, guitarra, violão
David Bowie - backing vocal, arranjos
Mick Ronson - guitarra, piano, backing vocal, arranjos
Ronnie Ross - sax barítono
Klaus Voorman (Manfred Mann) - baixo
Herbie Flowers (T. Rex) - baixo, baixo acústico, tuba
Barry Desouza (Ablution) - bateria
John Halzey (Patto) - bateria
Ritchie Dharma (Mick Abrahams) -bateria
The Thunder Thighs: Casey Synge, Dari Lalou, Karen Friedman - backing vocal




1   Vicious
2   Andy's Chest
3   Perfect Day
4   Hangin' Round
5   Walk On The Wild Side 
6   Make Up
7   Satellite Of Love
8   Wagon Wheel
9   New York Telephone Conversation
10 I'm So Free
11 Goodnight Ladies

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Édition Spéciale - Aliquante (1977)






Édition Spéciale foi uma das melhores bandas da França, e não só no seu gênero fusion/prog. O primeiro disco dela é meio aborrecido mas foi suficiente para atrair o interesse da RCA na produção deste aqui. O som mudou quase por completo, foi dado maior destaque ao instrumental e as composições tornaram-se mais complexas. Há influências de bandas da cena Canterbury como a Caravan e a National Health mas a Édition Spéciale encontrou seu próprio estilo. São todos excelentes músicos mas o baterista impressiona.




Ann Ballester - pianos elétrico e acústico, ARP Odyssey, ARP Omni, Oberheim polyphonic, vocal
Marius "Mimi" Lorenzini - guitarra, violão, vocal
Josquin Turenne des Prés - baixo, vocal 
Alain Gouillard - bateria
com
Mireille Bauer - vibrafone, marimba, percussão (8, 9)
Francois Grillot - baixo (8, 9)




1 Vedra 
2 A La Source Du Rêve 
3 So Deep Inside 
4 Le Temps D'Un Solo 
5 La Ville En Béton
6 La Fille Du Ruisseau 
7 Alone, Completely Unknown
8 Camara 
9 Aurore

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Ain Soph - A Story Of Mysterious Forest (1980)






Ain Soph é um quarteto que faz um virtuoso fusion através do diálogo entre a guitarra e algumas pilhas de teclados. O som deles é muito influenciado pela cena Canterbury, notadamente pela National Health, pela Hatfield and the North e pela Camel. Tanto é, que o disco que saiu depois desse chama-se Hat And Field, e um outro, ao vivo, chama-se Ride On A Camel. Há boa influência da Mahavishnu também. 



Masey Hattori - Grand piano, piano Yamaha CP-70, Fender Rhodes, espineta, celeste, órgão Hammond, Hohner clavinet, MiniMoog, PolyMoog, Solina, Korg, Roland, Oberheim, vocoder, Mellotron
Yozox Yamamoto - guitarras, violão
Masahiro Torigaki - baixo, efeitos
Hiroshi Natori - bateria, percussão



1 Crossfire 
2 Interlude I 
3 Natural Selection 
4 Variations On A Theme By Brian Smith 
5 A Story Of Mysterious Forest
6 Interlude II 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Gamalon - Gamalon (1987)





A Gamalon evoluiu de uma banda prog da cidade americana de Buffalo na medida em que seus membros foram envolvendo-se com o jazz-fusion. Como tal, ela foi fundada pelos irmãos Reinhardt e por Tom Brucato. Ted Reinhardt era um baterista versado em vários gêneros que gostava de música complexa e que havia tocado na conterrânea Spyro Gyra no melhor momento dela, o álbum Morning dance. Eles, então, incluíram mais um guitarrista e convidaram outro membro da Spyro Gyra, o Tom Schuman que está nela até hoje. O som da Gamalon foi um prog/fusion dominado pela dupla de guitarristas, seguros pelas linhas funky do baixo. Por baixo de tudo está o talento de Ted Reinhardt. Ele teve a audição muito prejudicada por um vírus e apresentava-se com protetores para que o volume no palco não piorasse sua lesão ainda mais. Infelizmente ele faleceu num desastre aéreo no ano passado. A capa desse primeiro disco da Gamalon até se parece com as capas dos primeiros discos da Spyro Gyra mas o som não.



Bruce Brucato - guitarra
George Puleo - guitarra
Tom Reinhardt - baixo
Ted Reinhardt - bateria e todos os instrumentos na faixa 7 
Tom Schuman (Spyro Gyra) - piano (3, 6)



1 Billy's Saloon 
2 Ooh...Babe 
3 The King 
4 Black Licorice 
5 Cabin #14
6 Souvenirs
7 Jungle Fever 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Mathematicians - Irrational Numbers (1994)






No final dos anos 80 e início dos 90 houve um movimento de resgate do jazz rock instrumental feito para guitarras, aquilo que começou a ser feito lá nos anos 70 por caras como o Jeff Beck. O selo IRS, por exemplo, lançou uma série chamada No Speak com grandes guitarristas como Jan Akerman, que não  encontravam muito espaço comercial — pena que fechou em 96. A Mathematicians é fruto desse movimento, que se contrapunha ao lançamento em massa daqueles fritadores de guitarra sem noção. Ela é de Indiana e não é uma "guitar band", nem tem um "guitar hero" a frente, muito embora os teclados só sirvam de base para a guitarra. Contudo,  Larry McCullough é um excelente guitarrista. Ao que se sabe, a banda restringiu seu trabalho ao estúdio e pouco se apresentou em público. Gravou dois discos e não se ouviu mais falar dela. Depois é que surgiriam outros seguidores como a Gordian Knot, a Helmet of Gnats e a Ozone Quartet.




Larry McCullough - guitarra, guitarra midi, Roland D20
Andy Ballard - teclados, piano, Emax, Roland D50, Roland JX
Yun Hui - piano
Bob Fields - Ensoniq EPS, Yamaha DX7
Jim Larner - flauta
Eddy Humphrey - baixos com e sem trastes, Chapman stick, baixo acústico
Kevin Kouts  - bateria, percussão
Kevin Kaiser - percussão



1 Spanish Main
2 Dance of the Nile
3 Orlando Furioso
4 Quadari
5 Frontiers
6 Rain
7 Shellshock

domingo, 10 de janeiro de 2016

Alien Cowboys - Zero Gravity (2005)






Essa é uma ótima banda de rock instrumental formada em São Francisco que já tem uns quatro discos. É uma "guitar band" que, pelo som muito legal que fazem, deveria ser mais conhecida. E, ao invés de "guitar band", a gente até poderia chamar de "PRS guitar band", uma vez que os dois guitarristas endossam essa marca e o próprio criador dela dá uma canja na faixa 3. Um disco muito legal.



Bruce Stevenson - guitarra rítmica
Ralph Perucci  - guitarra
Greg Jones - baixo
Ian Thomson - bateria
com
Orianthi (Alice Cooper) - guitarra (2)
Paul Reed Smith - guitarra (3)
Mike Berman - guitarra (1)
Johnny Hiland - guitarra (11)
Gil Watkins - harmônica (10)
Steve Yelick - Hammond B3 (10)



1   A Celtic Heart
2   Zero Gravity
3   Jenna's Eyes
4   Valley of the Moon
5   Chaos
6   Liquid Haze
7   A Lullaby For Our Daughters
8   King Of Kingston
9   Fab Fourmula
10 The Blue Shift
11 Lead Foot Rumble
12 Waltz of the Iguana
13 The Gift 


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Hawkwind - Space Ritual (1973)







Muita gente diz que o space rock começou com a Hawkwind; eu acho injusto com a Pink Floyd. Muita gente compara a Hawkwind com a Pink Floyd; aí acho injusto com a Hawkwind. No primeiro disco, talvez, com benevolência. Acontece que o propósito das duas era diferente e o resultado acabou por sê-lo também. A Hawkwind usou da psicodelia mas nunca foi daquela paz e amor e flores e cores, nem se preocupou com progressão harmônica. Ela pegou o hard-rock pesado, pesadão mesmo, e botou um monte de sintetizadores em cima. A poesia das letras de Robert Calvert e dos textos de Robert Moorcock versava sobre a humanidade e da sua reação ante o infinito do universo. Talvez a banda, no seu início, fosse tão associada ao rock psicodélico e ao movimento hippie pelo fato de tocarem muito, em qualquer lugar e até de graça. As associações com prog vem depois desse disco aqui, com a entrada do violinista Simon House e a saída do Bob Calvert. Space Ritual é um álbum ao vivo que apresenta músicas do anterior Doremi Fasol Latido, na maioria, e esta turnê foi concebida para ser uma ópera rock espacial. Há uma música e então a declamação de uma poesia, outra música e a leitura de texto de Moorcock, outra música e efeitos sonoros, tudo sem intervalos. É a banda no seu pico — de volume também.




Dave Brock - guitarra, vocal
Nik Turner - sax, flauta, vocal
Del Dettmar - sintetizadores
Dik Mik - eletrônicos
Robert Calvert - vocal, poesias
Lemmy Killmister - baixo Rickenbacker, vocal
Simon King - bateria



CD 1
1 Earth Calling / Born To Go
2 Down Through The Night
3 The Awakening
4 Lord Of Light
5 Black Corridor
6 Space Is Deep
7 Electronic No. 1


CD 2
1 Orgone Accumulator
2 Upside Down
3 10 Seconds To Forever
4 Brainstorm
5 Seven By Seven
6 Sonic Attack
7 Time We Left This World Today
8 Master Of The Universe
9 Welcome To The Future

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Sam Gopal - Escalator (1969)






Essa semana esteve em todos o jornais a morte do Lemmy Kilmister. Como sou um puta chato e careta, eu nunca curti a Motörhead mas gosto pra caramba da Hawkwind, principalmente dos discos em que Lemmy tocou e colaborou nas composições. Essa banda, formada em torno do percussionista Sam Gopal, foi uma das primeiras de Lemmy, ou a primeira com a qual gravou um LP. Gopal pode até ter formado a banda e posto seu nome nela, mas Lemmy assina a maioria das músicas. E aqui ele não toca baixo, não. Fica com a guitarra rítmica e um ou outro solo. Curiosamente, as linhas do baixo são ótimas. O som é rock psicodélico, do tipo que pegou a estrada numa van enfumaçada, curtiu muito e chegou atrasado pra festa. 



Roger D'Elia - guitarra, violão, vocal
Ian (Lemmy) Willis - vocal, guitarra
Phil Duke - baixo
Sam Gopal - percussão



1   Cold Embrace
2   The Dark Lord
3   The Sky Is Burning
4   You're Alone Now
5   Grass
6   It's Only Love
7   Escalator
8   Angry Faces
9   Midsummer Night's Dream
10 Season Of The Witch [Donovan]
11 Yesterlove
12 Horse
13 Back Door Man [Willie Dixon]

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

King Crimson - The Power to Believe (2003)







The Power to Believe é o último disco de estúdio da maior banda da Terra. Ele segue a mesma equação desenvolvida no álbum Discipline: o diálogo matematicamente intrincado entre as duas guitarras e o stick, nesse caso, a Warr. Numa primeira ouvida, tudo pode parecer meio repetitivo, contudo, com mais atenção logo percebem-se as texturas e a sofisticação. Depois daquela trilogia dos anos 80 a KC (que deveria ter passado a se chamar Discipline) adormeceu por dez anos, ressurgindo com o álbum Thrak. Depois dele a banda aventurou-se nos diversos ProjeKcts, como se fossem laboratórios para o próximo passo. The Construkction of Light veio em 2000 mas não foi muito bem recebido, talvez por ser meio frio e chatinho. Com The Power to Believe é diferente, embora tenha mesmo aquela reciclagem, quase uma marca registrada. Elektrik, por exemplo, remete claramente à The ConstruKction of Light do álbum anterior, composta sob o impacto do 11 de setembro e da invasão do Iraque, que é meio paranóica.




Robert Fripp - guitarras
Adrian Belew - guitarra, vocal
Trey Gunn - Warr guitar com e sem trastes
Pat Mastelotto - bateria, percussão digital




1   The Power To Believe Part 1 (a cappella) 
2   Level Five 
3   Eyes Wide Open 
4   Elektrik 
5   Facts Of Life (Intro)
6   Facts Of Life 
7   The Power To Believe Part 2
8   Dangerous Curves 
9   Happy With What You Have To Be Happy With 
10 The Power To Believe Part 3 
11 The Power To Believe Part 4 (Coda)




Pelo seu título e pela ideia também, eu achei que seria um bom álbum para se começar o ano. Na verdade, começar coisa nenhuma, já que o tempo é linear. Contudo, há três títulos aí para nós brasileiros refletirmos; dois deles, inversamente. Não basta acreditar, tem que ir para a rua, tem que protestar, tem que assinar petição, tem que mandar e-mail pra congressista, tem que constranger político em qualquer lugar. Lembro que no IMPEACHMENT anterior, o do collor, os governistas asseguravam que não haveria mais do que 160 votos a favor, insuficientes portanto. Mas como povo foi pra rua, foram 441 votos favoráveis a chutar o cara de lá. Agora não não é mais o caso de dar um pé na bunda de um ou dois, mas de vermifugar tudo. O brasileiro também tem essa de ser feliz com o que tem para ser feliz e acaba por convencer a si próprio de que é feliz numa favela sem esgoto, feliz trabalhando para pagar os três ônibus que pega para ir ao trabalho e por aí vai. É a mansidão bovina, tão bem sintetizada por Augusto Nunes. Por último, olhos bem abertos! Quem roubou 100 bi, rouba 200.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

The Allman Brothers Band - Peakin' At The Beacon (2000)






Esse é o primeiro disco da Allman Brothers com seu novo baixista Oteil Burbridge, vindo da Aquarium Rescue Unit. Também é o primeiro com o excelente guitarrista Derek Trucks. Por outro lado, é o último com Dickey Betts, um dos fundadores da banda. O que se sabe é que antes dessa turnê Betts foi advertido pelos outros fundadores de que deveria manter-se longe das drogas. Aparentemente ele ignorou o aviso e por isso foi expulso. No processo legal que moveu ele foi derrotado e montou sua própria banda. Se seus problemas eram tão graves para motivar uma atitude drástica assim, ao menos eles não se refletiram na performance dele e dos demais nessas faixas. Então, muito embora Peakin' At The Beacon não esteja entre os discos mais festejados da ABB, ele tem sua importância. Betts foi brevemente substituído por Jimmy Herring, também da Aquarium Rescue Unit.



Gregg Allman - vocal, órgão Hammond B3, piano acústico e elétrico, violão
Dickey Betts - guitarra, violão, vocal
Derek Trucks - guitarra, slide
Oteil Burbridge - baixo
Butch Trucks - bateria
Jaimoe - bateria
Marc Quinones - percussão, vocal



1   Don't Want You No More
2   It's Not My Cross To Bear
3   Ain't Wastin' Time No More
4   Every Hungry Woman
5   Please Call Home
6   Stand Back
7   Black Hearted Woman
8   Leave My Blues Alone
9   Seven Turns
10 High Falls