domingo, 7 de fevereiro de 2016

Stomu Yamashta's East Wind - Freedom Is Frightening (1973)







... e aí estão Hugh Hopper e Gary Boyle antes de tocarem juntos na Isotope. Stomu Yamash'ta tem uma carreira bem variada. Ele estudou na Berklee School of Jazz, junto com o tecladista Gascoigne, e experimentou na música eletrônica, no prog, no jazz, no space-rock e no erudito; bem como na mistura disso tudo. Ele é mais lembrado por ter montado a super-banda Go que existiu depois dessa East Wind aqui. Contudo, Freedom Is Frightening é uma obra-prima esquecida do rock progressivo, com performances incríveis. 
Vale lembrar que Yamash'ta compôs a trilha do filme "The Man Who Fell To Earth", com o David Bowie. É interessante como nos anos 70 tudo parecia estar conectado de alguma forma, e hoje, com todas as redes e mídias... É uma merda.




Stomu Yamash'ta - bateria, percussão
Gary Boyle - guitarra, violão
Brian Gascoigne - teclados, sintetizadores, vibrafone
Hugh Hopper - baixo
Hisako Yamash'ta - violino




1 Freedom Is Frightening
2 Rolling Nuns
3 Pine On The Horizon
4 Wind Words

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Isotope - Golden Section (1974 - 1975)







A Isotope é uma banda que eu gosto demais e o mesmo digo do guitarrista Gary Boyle — ele é um link entre McLaughlin e Holdsworth. Antes de formar a Isotope em 1972, Boyle já tinha anos de experiência colaborando com músicos como Brian Auger, Stomu Yamashta e Keith Tippett. Dessa mistureba não poderia sair outra coisa senão jazz-rock de primeira. Ele formou a banda com membros da banda de Yamashta e da Nucleus. Esse álbum é de gravações ao vivo feitas entre 1974 e 1975, na sua maioria feitas pela Radio Bremen. Nele está a segunda formação da banda que inclui o grande Hugh Hopper, recém saído da Soft Machine. Da formação inicial, só o Nigel Morris. Completam o line-up Lawrence Scott, que também atuava como dentista, e o percussionista Aureo de Souza que também tocou na Nucleus. As músicas pertencem aos dois primeiros discos, os melhores. E a adição de Hopper fez muita diferença, se comparamos com os registros anteriores feitos pela BBC.




Gary Boyle - guitarras
Laurence Scott - teclados e obturações
Hugh Hopper - baixo
Nigel Morris (Yamashta's East Wind) - bateria
Aureo de Souza - percussão




1  Illusion
2  Rangoon Creeper
3  Attila
4  Spanish Sun
5  Crunch Cake
6  Mr. M's Picture
7  Frog
8  Attila
9  Spanish Sun
10 Lily Kong 
11 E-dorian 
12 Golden Section
13 Illusion

É Carnaval!



Quando o brasileiro é mais brasileiro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sloche - Stadaconé (1976)






Esse é o segundo e último disco da canadense Sloche, tão bom quanto o anterior. Há um novo baterista e um mais um tecladista (celesta) foi adicionado. O som continuou prog/fusion e as composições não seguem tão rigidamente um tema como no disco de estréia. Por outro lada, essas composições estão mais maduras e a performance instrumental aprimorou-se, apesar da introdução de vocais.



Réjean Yacola - grand piano, piano Wurlitzer, piano Fender Rhodes, Mini Moog, clavinet
Martin Murray - Hammond B3, Mini Moog, Solina, sax soprano, percussão, vocal
Caroll Bérard - guitarra, violão, talk box, percussão
Gilles Ouellet - celesta, percussão, vocal
Pierre Hébert - baixo
André Roberge - bateria, percussão




1 Stadaconé
2 Le Cosmophile
3 Il Faut Sauver Barbara
4 Ad Hoc
5 La "Baloune" De Varenkurtel Au Zythogala
6 Isacaaron (Ou Le Démon Des Choses Sexuelles)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Iceberg - Coses Nostres (1976)







A Iceberg surgiu na Espanha no início dos anos 70, muito influenciada pelo prog sinfônico inglês (Yes, Genesis). Aos poucos eles foram acrescentando elementos de jazz nas composições e nesse segundo disco transformaram a coisa toda. Primeiro, dispensaram o vocalista em favor de um som totalmente instrumental. Segundo, introduziram o folk ibérico no blend. Daí em diante ela tornou-se o principal nome do jazz-rock espanhol e uma das bandas mais respeitadas do gênero. Max Sunyer é um guitarrista igual em habilidade a caras bem mais famosos como Santana ou Akkerman.




Joaquim "Max" Sunyer - guitarra, violão
Josep "Krtflus" Mas - piano, piano elétrico, sintetizadores
Primi Sancho - baixo
Jordi Colomer - bateria




1 Preludi I Record
2 Nova (Música De La Llum)
3 L'Acústica (Referéncia D'un Canvi Interior)
4 La D'en Kitflus
5 La Flamenca Eléctrica
6 A Valencia
7 11/8 (Manifest De La Follia)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Berits Halsband - Berits Halsband (1975)







Dizem por aí que discos obscuros o são por alguma razão, e isso é dito como um alerta. Mas frequentemente encontra-se uma jóia musical de rara, e não obscura, beleza. Berits Halsband (colar de Berits) foi uma surpresa. Ela é uma banda sueca de jazz-rock — mais jazz que rock — e a Suécia era um celeiro respeitável para bandas desse tipo. Via de regra elas receberam influência do trabalho de Miles Davis e Herbie Hancock. A Berits quis ir além do fusion e do pós-bop elétrico, adicionando elementos do folclore local. Assim ela ficou até próxima da Soft Machine e parece-se com a Samla Mammas Manna sem a porção Zappa da coisa. Eles gravaram esse disco ao vivo em estúdio, num gravador de dois canais e sem possibilidade de um remix. Um resultado tão bom com tão poucos recursos é sempre louvável.




Jonas Lindgren - piano elétrico
Olof Söderberg - guitarra
Mats Anton Karis - flauta
Bengt Ekevärn - trompete
Tommy Adolfsson - trompete
Göran Frost - baixo
Michael Lindqvist - bateria
Peter Adolfsson - triângulo


1 Myror I Köket
2 Elhamokk
3 Halvvägs Hildur
4 Flaxöras Hemliga Återkomst

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Cybernauts - Live & The Further Adventures Of The Cybernauts (2001)








Antes de apresentar esse disco eu vou fazer um bla-bla-bla que ajuda a ilustrar. Trevor Bolder e Mick Woodmancey foram, respectivamente, o baixista e o baterista da lendária Spiders From Mars, a banda que gravou os álbuns mais importantes de David Bowie, aqueles pelos quais ele será sempre lembrado e que tanta influência exerceram. Mick Ronson, o guitarrista, saiu antes do álbum Diamond Dogs e depois desse álbum, Bowie dispensou a banda roqueira para ser um popstar. Meio sem saber o que fazer, os dois, mais Mike Garson, mantiveram o nome da banda e lançaram um disco sem brilho. Aí cada um foi pro seu lado. Bolder, por exemplo, tocou na Uriah Heep. Pois bem. Esses discos de Bowie com a Spiders influenciaram profundamente também os membros da banda Def Leppard, e, depois que Mick Ronson faleceu, sua irmã convidou o guitarrista Phil Collen e o vocalista Joe Elliott para participarem de um concerto em homenagem ao irmão, que incluiria os remanescentes da Spiders, Bolder e Woodmancey. O concerto aconteceu no Olympia Theatre de Dublin em 1997. Na mesma semana essa banda gravou um EP com quatro faixas e depois de excursionarem pelo Japão, mais três faixas gravadas em Toquio foram separadas. São os dois CDs que estão aqui. Todas as músicas são de Bowie com a exceção de três, e todas são dos discos The Man Who Sold the World, Hunky Dory, Ziggy e Alladin Sane. As versões são beeem legais.
Phil Collen disse que Mick Ronson era tão bom que seria o único guitarrista que ele imitaria, como um garoto no seu quarto com uma raquete de tênis. Eu sei como é; também tinha uma raquete no meu.





Joe Elliott - vocal, guitarras Gibson
Phil Collen - guitarra solo Jackson
Dick Decent - teclados Roland, Korg e Kurzweil, vocal
Trevor Bolder - baixos Fender Precision e Vigier Excess, vocal
Mick "Woody" Woodmansey - bateria Premier





CD 1 - Live: 

1  Watch That Man
2  Hang Onto Yourself
3  Changes
4  The Supermen
5  Five Years
6  Cracked Actor
7  Moonage Daydream
8  Angel No. 9 [Craig Fuller]
9  Jean Genie
10 Life On Mars?
11 The Man Who Sold The World
12 Starman
13 The Width Of A Circle
14 Ziggy Stardust
15 White Light/White Heat [Lou Reed]
16 Rock & Roll Suicide
17 Suffragette City
18 All The Young Dudes



CD 2 - The Further Adventures of the Cybernauts

1 Manic Depression [Jimi Hendrix]
2 All The Young Dudes
3 Moonage Daydream
4 The Man Who Sold The World
5 Time
6 Panic In Detroit
7 Lady Grinning Soul
8 Moonage Daydream (Hidden Track)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

David Bowie - The Man Who Sold The World (1970)







Este é o terceiro álbum do Bowie e o mais pesado deles. É o segundo produzido por Tony Visconti e é um dos primeiros discos a utilizar um sintetizador Moog. Mais importante, é o primeiro disco com Mick Ronson na guitarra. 
Bowie era contratado da mesma agência que cuidava da The Who e dos Stones. Um dia, David Platz, o dono, disse ao jovem produtor e músico americano Tony Visconti mais ou menos assim: "Olha eu tenho esse cara que compõe muito bem mas cada música é de um estilo diferente e eu não sei o que fazer com ele. Que tal você?" Visconti, então, tentou que Bowie focasse num estilo só e começou a montar uma banda — do baixo ele mesmo cuidaria. Dessa iniciativa saiu o Space Oddity com um super elenco. Contudo, a coisa ainda não rolou como eles queriam e decidiram reformular. Para a bateria foi convidado John Cambridge e ele sugeriu o nome de Mick Ronson para a guitarra, que havia sido seu companheiro na banda The Rats. Cambridge não permaneceu e outro ex-membro da The Rats foi chamado: Mick "Woody" Woodmancey. Com essa banda sólida e entrosada, The Man Who Sold The World marca a mudança definitiva do Bowie crooner mod para o Bowie roqueiro. O disco foi lançado primeiro nos Estados Unidos e para lá a capa teve que ser diferente (que surpresa!). A opção foi uma cutucada: um cowboy à la John Wayne portando um rifle. 
No ano seguinte Trevor Bolder, um outro membro da The Rats,  assumiria o baixo. Portanto, a The Rats é o embrião da Spiders From Mars.




David Bowie - vocal, guitarra, stylophone
Mick Ronson - guitarra, vocal
Ralph Mace - sintetizador Moog
Tony Visconti - baixo, piano, guitarra
Mick Woodmansey - bateria, percussão




1 The Width Of A Circle
2 All The Madmen
3 Black Country Rock
4 After All
5 Running Gun Blues
6 Saviour Machine
7 She Shook Me Cold
8 The Man Who Sold The World



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Aynsley Dunbar - Blue Whale (1970)







Aynsley Dunbar foi o baterista daquela banda do David Bowie que gravou o álbum Pin Ups, a melhor banda que ele já teve, na minha modesta opinião. Não que Woody Woodmansey não fosse ótimo, afinal ele esteve em todos os principais discos de Bowie. Dunbar também está no Diamond Dogs. Ele foi, e ainda é, um dos maiores bateristas, e não só do rock. Começou no blues, acompanhando Champion Jack Dupree, depois tocou com John Mayall, com Jeff Beck, com Zappa, com Ponty, com Lennon, na Whitesnake, ... .A Blue Whale é erroneamente confundida com sua banda anterior, a Retaliation, cujo som era blues-rock. Ou esse disco é incluído na discografia da Retaliation, ou na discografia solo do Dunbar, mas ele é de um projeto que não prosseguiu. As influências aqui são uma mistura de rock psicodélico, prog e jazz-rock, ou seja, Zappa — foi lançado logo depois do Chunga's Revenge e enquanto ele ainda era membro da Mothers of Invention.




Aynsley Dunbar - bateria
Paul Williams (Juicy Lucy) - vocal
Ivan Zagni (Jody Grind) - guitarra
Roger Sutton (Jody Grind, Brian Auger) - guitarra
Tommy Eyre (Alex Harvey, Zzebra) - piano, órgão
Charles Greetham - sax
Edward Reay-Smith - trombone
Peter Friedberg - baixo



1 Willing To Fight
2 Willie The Pimp [Zappa]
3 It's Your Turn
4 Days
5 Going Home

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Mike Garson & Jim Walker - Reflections (1985)







Se o trabalho de Mick Ronson podia ser comparado ao de David Bowie, esse do tecladista Mike Garson nem de longe. Garson tem décadas de colaborações com David Bowie que começaram na turnê Ziggy Stardust. Aliás, quem lhe aplicou o teste para entrar na banda foi o Mick Ronson. Nesse ponto ele já tinha uma sólida formação erudita e também no jazz, tendo aulas com Bill Evans e acompanhado Annette Peacock e o trompetista Thad Jones. Alguém disse que ele era o melhor tecladista do rock porque não tocava rock. E então veio Alladin Sane. Essa música o persegue. Ele e Bowie tentaram várias versões em diferentes estilos e num dado momento Bowie lhe pediu que fizesse no seu próprio estilo — ele nem acha Alladin Sane de todo boa. Ele ficou na banda de Bowie até o álbum Young Americans. Depois Bowie dispensou todos e ele, o baterista Woody Woodmansey e o baixista Trevor Bolder formaram a Spiders from Mars, um fiasco. Então vieram dois discos com Stanley Clake, mais um com Mick Ronson e vários com o próprio David Bowie.
O Jim Walker que está nesse disco com Garson, foi solista da Filarmônica de Los Angeles e aqui ambos expõem suas próprias experiências. Alguns colocam esse disco no catálogo do Walker apenas, mas o fato é que Mike Garson compôs tudo.




Mike Garson - piano
Jim Walker - flauta




1  Portrait Of A Friend
2  Love
3  First Song
4  Waltz Of The Arts
5  Ethereal
6  Yearnings
7  Syrinx
8  Pied Piper
9  The Park
10 Magic Spell
11 You're One Of A Kind
12 Homecoming
13 Reflections
14 Reason
15 Admiration