segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Moby Grape - Moby Grape (1967)







A Moby Grape surgiu em 1966 e um dos seus fundadores foi Alexander "Skip" Spence que havia estado no embrião da Quicksilver Messenger Service — depois ele participou como baterista do disco de estréia da Jefferson Airplane. Esses caras tinham muito talento mas a banda foi atrapalhada pela ganância e incompetência do produtor e da gravadora. Ambos organizaram festas absurdamente idiotas para o lançamento disco. Ao invés de popularizar a banda, isso atraiu a antipatia dos críticos. Além disso, perceba que o baterista estica o dedo do meio ali na foto da capa, coisa que não pegou nada bem na super progressista sociedade norte-americana da época e até obrigou a fazerem retoques na gráfica.
O som da Moby Grape vai muito na linha das primeiras jam bands, com músicas curtas e excitantes, num paralelo com o que a Grateful Dead estava fazendo, e num outro com o pop dos Beatles. A Led Zeppelin excursionou com ela e tocava suas músicas nos concertos. E Eric Clapton certa vez declarou que Jerry Miller era o melhor guitarrista do mundo.
É bem verdade que a banda não nasceu da amizade entre seus membros, dos ensaios na garagem e tal. Ela foi reunida pelo produtor. Os caras praticaram muito, ensaiaram muito, todos compunham, todos cantavam, e tornaram-se amigos no processo. Mas as tensões surgiram, as drogas entraram, Skip Spence começou a pirar e, aí, já sabe.




Peter Lewis - guitarra rítmica, vocal
Jerry Miller - guitarra, vocal
Skip Spence - guitarra rítmica, vocal
Bob Mosley - baixo, vocal
Don Stevenson - bateria, vocal




1   Hey Grandma
2   Mr. Blues
3   Fall On You
4   8:05
5   Come In The Morning
6   Omaha
7   Naked If I Want To
8   Someday
9   Ain't No Use
10 Sitting By The Window
11 Changes
12 Lazy Me
13 Indifference
     Studio Recordings, 1967:
14 Rounder (Instrumental)
15 Looper (Audition Rec.)
16 Indifference (Audition Rec.)
17 Bitter Wind
18 Sweet Ride (Never Again)

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Quicksilver Messenger Service - Happy Trails (1969)







Embora menos conhecida, a Quicksilver foi uma das estrelas do acid-rock ao lado da Big Brother and the Holding Company, da Grateful Dead e da Jefferson Airplane. Ela surgiu em São Francisco e na sua primeira formação contava com o vocalista e guitarrista Dino Valente e o também guitarrista Skip Spence, da Moby Grape. Valente foi preso por uso de drogas e Spence foi para a Jefferson Airplane. John Cipollina e David Freiberg convidaram Gary Duncan e Greg Ellmore que eram de uma banda chamada The Brogues e, pronto, estava formada uma das melhores jam bands. A Quicksilver ganhou fama pelas apresentações ao vivo e, especialmente, pelas performances de Cipollina e Freiberg. Happy Trails é o segundo disco dela e foi gravado justamente ao vivo, nos festivais Fillmore East e West. Não se sabe exatamente o que foi gravado em qual, porém parece um disco "ao vivo no estúdio" por conta dos overdubs que recebeu. O disco é centrado em duas músicas de Bo Diddley e a faixa título, imaginem só, é um sucesso do cowboy Roy Rogers totalmente repaginado e lisergicamente executado. É uma viagem ácida. O cowboy partindo, deixando tudo que ama para trás... Parece a história do engenheiro brasileiro que se sente como um filho de bêbado em relação ao seu país: O ama mas não suporta vê-lo assim, e parte. Torço muito por caminhos melhores para todos nós. Ao menos a Bolsa subiu.




Gary Duncan - guitarra, vocal
John Cipollina - guitarra, vocal
David Freiberg - baixo, vocal
Greg Ellmore - bateria




1   Who Do You Love, part 1 (Bo Diddley)
2   When You Love
3   Where You Love
4   How You Love
5   Which Do You Love
6   Who Do You Love, part 2
7   Mona (Bo Diddley)
8   Maiden Of The Cancer Moon
9   Calvary
10 Happy Trails

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Egberto Gismonti - Circense (1980)








Segundo um estudo da empresa BrandAnalytics, uma das maiores do mundo no segmento de pesquisas, 50% dos brasileiros acreditam que nosso país é essencialmente desonesto e apenas 18% pensam que aqui é um lugar ideal para se viver. E, vejam só, 90% creem que devem se defender dos próprios governantes. Não estamos numa ditadura mas continuamos com o sentimento de opressão. Afastamos uma governante corrupta e inepta mas um juiz de churrascaria não lhe impôs a pena que a constituição determina. Não há vermífugo que chegue.
Então, para melhorar do fígado o remédio é ouvir um gênio como Gismonti. Um instrumentista superdotado capaz de nos lembrar que há coisas boas por aqui sim, mesmo que o noticiário seja tão eloquente no contrário. O filho de um libanês com uma italiana é um dos mais brasileiros que há. Nada de barquinho, nada de prainha, nada de "meu viver", muito menos "din-dén-dón" e "bim bom bim bim bom bom". 
Circense é o décimo-terceiro disco do cara e, digamos, a sua décima segunda obra-prima, à qual põe um leve tempero indiano. Segundo a Rolling Stone, é o centésimo melhor álbum da história. 
Prá mim, até o título é adequado para o momento. 
Em tempo, regendo a orquestra está o maestro Benito Juarez que por mais de trinta anos esteve a frente da Orquestra Sinfônica de Campinas e a transformou na melhor do país. Ele também criou o Departamento de música da Unicamp. 




Egberto Gismonti - violões, viola de 10 cordas, piano, flauta, vocal
Silvio Mehry - piano
Pery Reis - violão
Mauro Senise - sax, flauta
Aleuda Malu - vocal e percussão
Dulce Bressane - vocal
Pepê Castro-Neves - vocal
Luiz Alves - baixo
Robertinho Silva - bateria, percussão
Doutor, Eliseu, Luna, Nilton Marçal - percussão
com
Lakshminarayana Shankar - violino (2)
Benito Juarez - regência da orquestra





1 Karatê
2 Cego Aderaldo 
3 Mágico 
4 Palhaço 
5 Tá Boa Santa 
6 Equilibrista
7 Ciranda 
8 Mais Que a Paixão

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Anthony Gomes Band - Blues In Technicolor (1998)








Anthony Gomes é um guitarrista canadense, filho de um imigrante português. Em 1998 ele formou sua banda e foi apresentar-se no clube Legends de Chicago que pertence a Buddy Guy. Era um concurso de melhor banda de blues "sem contrato" e eles faturaram o primeiro lugar. O próprio Buddy Guy os convidou para abrir seus shows e também o fizeram Koko Taylor, Clarence Gatemouth e Lucky Peterson, entre outros. Então a banda não ficou sem contrato por tempo. Com o parceiro Jim Peterik nas letras, Gomes mistura o blues de Chicago às origens do Delta e tudo isso ao rock.





Anthony Gomes - guitarra, vocal
Dan "King" Kahn - guitarra
Ropsevelt "Hatter" Purifoy - teclados
Jr. Fuller - baixo
Brian "BJ" Jones - bateria
Jim Peterik - vocal
Jim Hudson - vocal
Joan Collaso -vocal




1  Blues in Technicolor
2  Gonna Have a Party 
3  Bad Luck Child 
4  Outta the Cathouse 
5  Misery for Company 
6  Love's Got the Power
7  Hard Year for the Blues 
8  Wolf in My Henhouse 
9   Shame on You 
10 Brand New Day 
11 High Calorie Woman 
12 Monday Kinda Tuesday

sábado, 27 de agosto de 2016

Oli Brown - Heads I Win, Tails You Lose (2010)







Oli Brown pertence a novíssima geração de guitarristas de blues-rock britânica, geração essa que vai muito na linha do trabalho de Joe Bonamassa. Oli é um prodígio que começou a tocar e compor aos 15 anos — esse é o segundo álbum da carreira e ele tinha 19 anos quando o lançou. A despeito do cabelo à la Justin Bieber, seu talento foi capaz de retirar da aposentadoria o produtor Mike Vernon. Vernon trabalhou com Otis Spann, Mayall, a Fleetwood Mac de Peter Green, Savoy Brown, Chicken Shack, Ten Years After e até na estréia de David Bowie. Então dá pra confiar no olho clínico dele.




Oli Brown - guitarra, vocal
Dave Lennox - teclados
Gary Rackham - baixo
Jamie Little - bateria, percussão
Mike Vernon - pandeiro, backing vocal




1  Evil Soul
2  Makes Me Wonder
3  Keeping My Options Open
4  Speechless
5  Fever
6  Not A Word I Said
7  I Can Make Your Day
8  Real Good Time
9  Take A Look Back
10 No Diggity
11 Love's Gone Cold
12 On Top Of The World

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Simon McBride - Rich Man Falling (2008)






McBride é um guitarrista irlandês que aos 11 anos de idade já fazia demonstrações para os amps Marshall. Aos 15 ele foi eleito Guitarrista do Ano e logo em seguida foi contratado pela banda de metal Sweet Savage. Depois ele passou seis anos tocando numa banda de soul, até formar sua própria banda. Ele é admirador de Robert Johnson e Son House mas suas maiores influências vem de Jeff Beck e Steve Ray Vaugham. E acima de todas está Gary Moore com aquela coisa de misturar o blues ao hard-rock com extrema paixão. Apesar de ser um virtuoso e exibir as mais diversas técnicas, seu foco sempre está na composição. Esse é o seu primeiro álbum e essa preocupação com a composição logo se evidencia pelo clima de bem-estar que o disco passa. 




Simon McBride - guitarra, vocal 
Gareth Hughes - baixo 
Paul Hamilton - bateria 




1   Down To The River
2   Standing Still
3   Fat Pockets
4   So Much Love To Give
5   Pushing It Out
6   Rich Man Falling
7   Devil Woman
8   Be My Friend (Andy Fraser, Paul Rodgers)
9   Change
10 Tell Me Why
11 You Got A Problem
12 DC
13 Power Of Soul (Hendrix)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Leslie West - Blue Me (2006)






Este é o último disco de uma sequência de três nos quais Leslie West gravou apenas clássicos do blues e alguns standards do blues-rock. Naturalmente, os puristas torcem o nariz ou fazem o sinal da cruz. Já quem gosta de guitarra ergue as mãos ao céu. Leslie West é um cara que tem toda a autoridade para tocar blues como quiser ou, melhor dizendo, como sabe fazer. Porque West é West desde que apareceu, lá com a The Vagrants. Ele não mudou nadinha. Tem aquela voz gutural e tem a guitarra de duas toneladas. Dos três discos — Blues to Die For e Got Blooze são os outros — eu acho esse o melhor porque é de longe o mais elegante. A versão de "Woman" é bem melhor do que a da própria Free.



Leslie West - guitarra, vocal
Art Groom - órgão Hammond
Brian Mitchell - piano
Kevin Curry - guitarra rítmica
Todd Wolfe - guitarra slide (6), guitarra rítmica (8)
Tim Fahey - baixo
Aynsley Dunbar - bateria




1   Blues Before Sunrise (Leroy Carr)
2   I Woke Up This Morning (Graham Barnes)
3   Four Day Creep (Ida Cox)
4   Hit the Road Jack (Percy Mayfield)
5   Standing Around Crying (McKinley Morganfield)
6   One Thing on My Mind (Sammy Hagar, Ronnie Montrose)
7   Green River (John Fogerty)
8   Sinner's Prayer (Lowell Fulson)
9   Woman (Andy Fraser, Paul Rodgers)
10 Tore Down (Sonny Thompson)
11 Summertime (Ira Gershwin, DuBose Heyward)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

The Allman Brothers Band - Southern Harmony (1994)







Blind Willie McTell gravou a música Statesboro Blues em 1928 e Statesboro é uma cidade da Georgia que ele considerava seu verdadeiro lar. A Allman Brothers gravou-a ao vivo no Fillmore East em 1971 com Duane Allman na guitarra slide. Desde então, Statesboro Blues está em quase todos os concertos da banda. Ela foi gravada até pela Deep Purple e está entre as dez melhores músicas de guitarra, segundo a revista Rolling Stone. E tem gente que ainda acha que foi Bill Haley quem criou o rock.
Southern Harmony é um bootleg tirado da mesa de som e lançado pela Octopus, famosa pela alta qualidade. O concerto foi em Raleigh, Carolina do Norte, em 1994, e tem performances na guitarra de tirar o fôlego. 




Gregg Allman - órgão Hammond B-3, vocal
Dickey Betts - guitarra solo e rítmica, violão, vocal
Jaimoe - bateria, percussão, vocal
Butch Trucks - bateria, percussão, vocal
Warren Haynes - guitarras, guitarra slide, vocal
Allen Woody - baixo, vocal
Marc Quinones - percussão




1 Statesboro Blues (Blind Willie McTell)
2 Blue Sky 
3 All Night Train 
4 The Same Thing (Willie Dixon)
5 Seven Turns 
6 No One To Run With 
7 Back Where It All Begins 
8 One Way Out (Sonny Boy Williamson II; Elmore James)
9 Whipping Post 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Blind Willie McTell - Last Session (1992)







... But nobody can sing the blues

Like Blind Willie McTell




Assim diz a letra da música de Bob Dylan, uma música perdida no meio da discografia, que ficou fora do disco Infidels, mas que ficou soberba na guitarra de Mick Taylor. 

Blind Willie McTell nasceu na Georgia em 1901 e não se sabe ao certo se ele nasceu cego ou se tornou-se assim em algum momento. Seja como for, seu desafio físico não foi tão grande quanto sua vontade de se tornar um mestre do blues. Ele frequentou várias escolas especiais, aprendeu Braille, aprendeu os rudimentos do violão com a mãe e praticou muito. Quando sua mãe morreu ele pegou a estrada. McTell pertenceu à primeira geração de músicos que foram gravados, então é difícil descobrir quais foram suas influências, e elas não foram só de blues. O fato é que enquanto Son House e Chaley Patton estavam moldando o blues do Delta e Blind Lemon Jefferson fazia o mesmo para o blues do Texas, McTell criou o blues regional de Atlanta. 
McTell era um dedilhador virtuoso e um cantor com voz e estilo bastante peculiar, além de um compositor talentoso. Ele foi um inovador no violão de 12 cordas e seu estilo incorporava certos traços que ainda viriam a ser conhecidos no rock. Portanto, ele é reconhecido como um dos pais do Southern Rock, um cara que indicou a direção para a Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Molly Hatchet e tantas outras que emergiram nos anos 60. 
McTell gravou para diversas companhias e era uma celebridade regional, porém lhe faltou aquele hit que o levasse a ser conhecido no resto do país. Assim, ele foi-se apagando do cenário. Aliás, esse hit nacional acabou vindo através da Allman Brothers, que gravou sua Statesboro Blues, que virou música obrigatória em seus concertos.
Blind Willie McTell faleceu em 19 de agosto de 1959. Alguns anos antes ele gravou essas faixas para uma loja de discos que tinha o hábito de oferecer um pequeno estúdio para músicos locais, no intuito de lançá-los ao mercado. Ele iria fazer aos poucos, sem pressa e sem público, mas depois de um pouco de bourbon ele mandou ver, pra sorte de quem estava lá para ouvir.




Blind Willie McTell - vocal, violão de 12 cordas



1   Baby It Must Be Love
2   The Dyin' Crapshooter's Blues
3   Don't Forget It
4   Kill It Kid
5   That Will Never Happen No More
6   Goodbye Blues
7   Salty Dog
8   Early Life
9   Beedle Um Bum
10 A Married Man's A Fool
11 A To Z Blues
12 Wabash Cannonball
13 Pal Of Mine
14 Kill It Kid

15 Broke Down Engine Blues

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sex - Sex & The End Of My Life (1970 - 71)






Sex foi uma banda de Montreal que no seu primeiro disco fez um hard-rock rudimentar baseado no blues pesado, bem ao estilo do que se fazia na Inglaterra naquela época. Para o segundo disco um saxofonista foi adicionado e o terreno musical ampliou-se — talvêz fosse uma influência da Mothers of Invention, mas só na forma. Os temas das músicas, tanto num como noutro, é que sempre estão ligados ao nome da banda.




Yves Rousseau - guitarra, violão, vocal
Robert Trépanier - vocal, baixo, harmônica, flauta
Serge Gratton - bateria, percussão, xilofone
Pierre (Pedro) Ouellette - sax, sax elétrico, flauta (End Of My Life)



Sex 
1   Scratch My Back 
2   Not Yet 
3   Doctor
4   I Had To Rape Her 
5   Come, Wake Up! 
6   Try 
7   Night Symphony
8   Love Is A Game

The End Of My Life
9   Born To Love
10 I'm Starting My Life Today
11 Emotions 
12. Pleasure 
13 See
14 Syphillissia
15 The End Of My Life