segunda-feira, 20 de março de 2017

The Who - My Generation (1965)








A The Who não tinha a musicalidade da Beatles ou o apelo sexual da Stones, nem a aura épica da Led Zeppelin. Mas ela foi a melhor expressão para as turbulências dos jovens, e continua sendo para as dos jovens que habitam o interior dos caras velhos. Esses quatro passaram longe de terem uma convivência harmoniosa entre si e, pelo contrário, eram quatro personalidades distintas vivendo em conflito. E esse conflito pode ter sido a razão de tamanha energia. Pete Townshend, o principal compositor, sempre pretendeu entrar na cabeça dos jovens daquela época, filhos da austeridade do pós-guerra, e dar-lhes uma voz, mesmo que fosse gaga e raivosa, e mesmo que saísse de uma banda mod, como era no início. A principal influência de Townshend nessa missão foi Bob Dylan. Falando em influência, a primeira banda de Townshend e Entwistle era de jazz. As músicas de My Generation, ao contrário do que aparentam, foram cuidadosamente elaboradas, especialmente a faixa título. Ideologicamente, ela recebeu inspiração de um conto escrito oitenta anos antes pelo americano Herman Melville chamado Billy Budd, cujo personagem, imerso em fúria, era gago. Segundo Townshend, ela foi inicialmente composta como um blues falado, inspirada pela música Talkin' New York Blues de Jimmy Reed. Numa segunda etapa ela voltou-se ao folk, como o de Dylan, e seguiu por mais seis etapas. A guitarra é fortemente rítmica, enfatizando a estrutura dos acordes em vez da linha melódica. Em contrapartida, Entwistle fez a melhor performance de baixo gravada até então. Ele escolheu um baixo Danelectro que tinha cordas muito finas que faziam soar como um piano. O problema é que não se encontravam essas cordas para comprar e ele acabou com três desses baixos, só pelas cordas. O último deles estourou nos acordes finais e a gravação terminou com um Jazz Bass. 
O disco todo venera o rhythm and blues americano, com duas faixas de James Brown e uma de Bo Diddley, inclusive. Outra faixa, "It's Not True" é uma fantasia sobre Chuck Berry dirigindo como louco para fugir da lei. 
Frustrações, raiva e violência traduzidas em distorções e acordes vibrantes.





Pete Townshend - guitarra
Roger Daltrey - vocal
John Entwistle - baixo
Keith Moon - bateria





1   Out In The Street
2   I Don't Mind (James Brown)
3   The Good's Gone
4   La-La-La Lies
5   Much Too Much
6   My Generation
7   The Kids Are Alright
8   Please, Please, Please (James Brown)
9   It's Not True
10 I'm A Man (Bo Diddley)
11 A Legal Matter
12 The Ox
Bonus:
13 Circles
14 I Can't Explain (single)
15 Bald Headed Woman
16 Daddy Rolling Stone
17 Leaving Here (Alternate)
18 Lubie (Come Back Home)
19 Shout And Shimmy
20 (Love Is Like A) Heat Wave
21 Motoring
22 Anytime You Want Me
23 Anyway Anyhow Anywhere (Alternate single)
24 Instant Party Mixture
25 I Don't Mind (Full Length Version)
26 The Good's Gone (Full Length Version)
27 My Generation (Instrumental Version)
28 Anytime You Want Me (A Capella Version)
29 A Legal Matter (Mono)
30 My Generation (Mono)


sexta-feira, 17 de março de 2017



Bill Perry - Live in N.Y.C (1999)








Esse disco foi gravado na noite de 27 de novembro de 1998 no Manny's Car Wash. Não há no encarte informação sobre quem acompanha Bill Perry nesse show e na web eu também não encontrei. Então eu deduzi que seria a banda que viajava com ele na época, mas posso estar errado. 
Perry faleceu em 2007 de um ataque do coração e ele foi um guitarrista fantástico. Assim desse jeito, tocando em clubes de Nova Iorque, é que ele foi descoberto por Richie Havens e tocou com ele por quatro anos. Além do talento como instrumentista, Perry tinha essa voz perfeita para o blues. 
Manny's Car Wash tinha um selo independente que lançou esse e outros discos. Porém, esse foi lançado na França e acaba não aparecendo em algumas discografias do Perry. Uma pena ele ter morrido tão cedo.





Bill Perry - guitarra, vocal
Jeremy Baum - órgão
Dean Scala - guitarra rítmica
Johnny B. Gayden - baixo
Ernesto "Ernie" Colon - bateria





1   Lost In The Blues
2   Dust My Broom [Elmore James]
3   The Other Night
4   All Along The Watchtower [Dylan]
5   How Blue Can You Get
6   Boogie Blues
7   About Me (Why I Got The Blues)
8   Johnny B. Goode [C. Berry]
9   Fade To Blue
10 Little Wing [Hendrix]

quinta-feira, 16 de março de 2017

Todd Wolfe Blues Project - Live From Manny's Car Wash (1999)







Todd Wolfe é um guitarrista nova-iorquino muito talentoso que já acompanhou muita gente famosa, e de todos eu destaco Leslie West e Mick Taylor. Esse é o álbum de estréia da sua própria banda, criada quando ele acompanhava Sheryl Crow, com outros colegas da banda de Crow. Crow é uma porcaria mas produção dela não brinca em serviço. Enfim, os caras estão no Manny's Car Wash deitando e rolando sobre clássicos do blues e o disco é muito legal.





Todd Wolfe - guitarra, vocal
Eric Massimino - baixo
Mike Lattrell - teclados
Yves Gerard - bateria, vocal
Paul Unsworth - bateria (1, 2, 5, 7)





1 I Can't Quit You Baby (Willie Dixon)
2 Evil (Willie Dixon)
3 Stop Messin' Round
4 On The Run
5 Same Thing (Willie Dixon)
6 You Gonna' Wreck My Life (Chester Burnett)
7 Four Walls 
8 Homework (Otis Rush)
9 Eyesight To The Blind (B.B. King)

quarta-feira, 15 de março de 2017

Hiram Bullock Band - Manny's Car Wash (1996)








Hiram Bullock é japonês. É sério, o cara nasceu lá. Ele aprendeu a tocar piano, sax e baixo antes da guitarra. Aí, ele foi aluno de Pat Metheny e Jaco Pastorius. Quer mais? Ele tocou com Miles Davis. Tocou também com Carla Bley e mais um monte de gente, meio mundo do fusion. Nesse álbum ele e os parceiros se divertem no extinto clube Manny's Car Wash de Nova Iorque, tocando clássicos óbvios. Eles não acrescentam nada a eles e nem precisariam. Will Lee e Clint De Ganon também tem um respeitável currículo cada. Lee, aliás, é mais conhecido por ter tocado na banda do programa do David Letterman, na qual o Bullock também tocou. O programa, como sabem, também foi extinto. O que não pode ser extinto, é a nossa versão de Car Wash, a Lava Jato. Vida longa à Lava Jato! 





Hiram Bullock - guitarra, vocal principal
Will Lee - baixo, vocal
Clint De Ganon - bateria, vocal
com:
Hugo Fattoruso - teclados
Terry Weiss - teclados





1  I Can't Get Next To You
2  I Shot The Sheriff (Bob Marley)
3  Little Wing (Jimi Hendrix)
4  Got To Give It Up (Marvin Gaye)
5   Angelina
6   Bean Burrito
7   Red House (Jimi Hendrix)
8   All Along The Watchtower (Bob Dylan)
9   Dear Prudence (/Lennon/McCartney)
10 Window Shoppin'
11 Higher Ground (Stevie Wonder)


terça-feira, 14 de março de 2017

Lenny White - Venusian Summer (1975)








Lenny White começou sua carreira solo com esse disco, quando ainda era membro da Return to Forever. Se a RTF já não fosse um grande endosso para o rapaz, lembro que ele tocou com Miles Davis no álbum Bitches Brew e no Caravanserai da Santana. Venusian Summer foi uma injeção de ânimo num gênero que já apresentava fadiga de materiais. Ele fundiu ainda mais funk e ao mesmo tempo aproximou a música do rock progressivo, ao seu modo. Falando em endossos, e a lista de músicos, hein? 





Lenny White - bateria, Wandering Clavinet, Minimoog, Eu Synthesizer, ARP 2600, baixo, tímpano, Snare Drum B1, Roto-Toms, triangulo, gongo, marimba, címbalo suspenso
Larry Coryell - guitarra (6)
Al DiMeola - guitarra (6)
Raymond Gomez - guitarra rítmica (1, 5)
Doug Rodrigues - guitarra (1, 2, 5)
Jimmy Smith - órgão (1)
Larry Young - órgão (5)
David Sancious - Minimoog, órgão
Peter Robinson (Quatermass, Brand X) - Clavinet, Minimoog 
Weldon Irvine - órgão (2) 
Onaje Allan Gumbs - piano elétrico, piano, Clavinet, Mellotron, órgão (2, 3, 5, 6)
Tom Harrel - Minimoog, flugelhorn 
Patrick Gleeson - Eu Synthesizer, ARP 2600, Minimoog Hubert Laws  -  flauta
Doug Rauch (Santana) - baixo
Dennis MacKay - gongo





1 Chicken-Fried Steak 
2 Away Go Troubles (Down The Drain) 
3 The Venusian Summer Suite: 
     Part 1. Sirenes 
     Part 2. Venusian Summer 
4 Prelude To Rainbow Delta 
5 Mating Drive
6 Prince Of The Sea 

sábado, 11 de março de 2017

Peter Hammill & Guy Evans - Spur of the Moment (1988)







Esse é um álbum um tanto obscuro com a colaboração entre dois membros da Van Der Graaf Generator. Muitas vezes ele é somado à discografia do Hammill mas as composições são dos dois, igualmente. Melhor dizendo, composições não, apenas improvisações. Segundo o próprio encarte, foram definidos os instrumentos e alguns temas, daí por diante saiu o que saiu. Ainda melhor dizendo, instrumentos nem tanto, e sim sequenciadores e samplers na maioria. Para elevar o experimentalismo a um nível que o fã da VDGG não está acostumado, Hammill, que é aclamado por seus dotes vocais, não abre a boca. É um álbum legal que divide opiniões.





Peter Hammill - guitarra semi-acústica Washburn, piano, piano Roland MKS 20/80, sintetizador Akai MX73 MIDI, Yamaha DX7, samplers  Akai & Emax, módulos Roland Super Jupiter
Guy Evans - bateria, percussão eletrônica Roland Octapad, samplers





1   Sweating It Out
2   Surprise/Little Did He Know
3   Without A Glitch
4   Anatol's Proposal
5   You Think Not?
6   Multiman
7   Deprogramming Archie
8   Always So Polite
9   An Imagined Brother
10 Bounced
11 Roger And Out


quinta-feira, 9 de março de 2017

Polyphony - Without Introduction (1971)








Essa foi uma banda norte-americana que, depois de gravar esse disco, permaneceu esquecida até bem pouco tempo. A reedição desse único álbum dela em CD não faz justiça à qualidade das suas músicas. A gente encontra uma porção de boas influências no som dela, desde a vanguarda da King Crimson, passando pelo prog sinfônico da Genesis, o órgão bombástico da ELP, até a percussão latina à la Santana. A mistura disso tudo acabou tendo um resultado bastante original.





Glenn Howard  - vocal, guitarra, slide
Craig Massey - vocal, órgão, Moog
Martin Ruddy - baixo, vocal
Christopher Spong - bateria
Chatty Cooper - bateria, percussão





1 Juggernaut
2 40 Second Thing In 39 Seconds
3 Ariel's Flight:
   a. Gorgons Of The Glade
   b. The Oneirocritic Man
   c. The Frog Prince
4 Crimson Dagger

terça-feira, 7 de março de 2017

Dan Ar Bras - Douar Nevez (1977)








Dan Ar Bras é um guitarrista francês que tocou na Fairport Convention em 1976. Esse é o primeiro disco solo dele, excelente, e que não se encaixa numa classificação simplista. Obviamente a base é folk e celta, mas ele transcende gêneros. O som alterna entre momentos fortes com a guitarra e idílicos com os sintetizadores, piano e gaitas.






Dan Ar Bras - guitarra, violão
Benoît Widemann (Magma) - piano elétrico, piano, órgão, sintetizadores
Patrig Molard - flautas, gaitas de fole
Emmanuelle Parrenin - hurdy gurdy
Dave Pegg (Fairport Convention, Jethro Tull) - baixo
Michel Santangeli - bateria
Marc Chantereau - percussão






1   Intro
2   Retour De Guerre
3   Naissance De Dahud
4   Mort Et Immersion De Malguen Fin Du Voyage
5   Naissance De La Ville
6   Morvac'h (Cheval De La Mer)
7   Orgies Nocturnes
8   L'Ennui Du Roi
9   Les Forces Du Mal
10 L'Appel Du Sage
11 Submersion De La Ville
12 Douar Nevez (Terre Nouvelle)


segunda-feira, 6 de março de 2017

Still Life - Still Life (1971)








Still Life é uma obscura banda do interior da Inglaterra, formada em 1969 e encerrada em 1971, logo após o lançamento desse disco pela Vertigo. O som dela é um proto-prog dominado pelo órgão. Ele às vezes é agressivo, aproximando-se do hard-rock, mas no geral é focado em ótimas melodias muito bem executadas. A arte da capa do LP é bem interessante pois, ao se abrir o álbum as flores revelam um crânio. Nessa versão em CD o sentido se perdeu.






Martin Cure - vocal, flauta
Terry Howells - órgão Hammond
Graham Amos - baixo
Alan Savage - bateria






1 People In Black 
2 Don't Go 
3 October Witches 
4 Love Song No. 6 (I'll Never Love You Girl) 
5 Dreams 
6 Time