segunda-feira, 17 de julho de 2017

Status Quo - Piledriver (1972)








Piledriver é um dos discos de blues-rock mais legais que eu conheço. Na verdade, é boogie blues-rock. 
Até esse quinto álbum, a Status Quo vinha colocando alguns singles nas paradas e tocando sem parar. Ganhou sua fama ao vivo mas ainda faltava um trabalho convincente. Então, em meados de 1972 eles trocaram de empresário e assinaram contrato com o selo Vertigo, mais versado em prog, é verdade, mas que lhes deu liberdade para produzirem a si próprios. Piledriver foi gravado ao vivo em estúdio, ou seja, sem separação entre os instrumentos. Não se pode dizer que inovaram pois é o mesmo bom e velho blues-rock que faz a gente balançar a cabeça. A qualidade desse trabalho está nas sequências de acordes modulados de maior a menor que dão o peso ao som, sem recorrer a aqueles famigerados três. O DJ John Peel era um dos poucos que tocava Status Quo na época e foi o primeiro a tocar o single com a música Paper Plane, a qual ele duvidou que faria sucesso. Pois fez. Ficou entre as dez mais tocadas, garantiu um bom lançamento para o LP e muitos convites para shows.





Francis Rossi - guitarra, violão 12 cordas, vocal
Richard Parfitt - guitarra, órgão, piano, violão, vocal
Alan Lancaster - vocal, baixo, violão 12 cordas
John Coghlan - bateria, percussão

com
Rob Young - harmônica
Jimmy Horowitz - piano adicional





1 Don't Waste My Time
2 Oh Baby
3 A Year
4 Unspoken Words
5 Big Fat Mama
6 Paper Plane
7 All the Reasons
8 Roadhouse Blues
9 Don't Waste My Time (Live)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Umphrey's McGee - Safety In Numbers (2006)








Hoje baseada em Chicago, a Umphrey's McGee é uma jam band que surgiu em 1997, em Indiana. Ela é classificada assim porque sua carreira é na estrada e uma música dificilmente é tocada duas vezes do mesmo jeito. Ela desenvolveu até uma técnica para os os improvisos coletivos, a qual batizou de Jimmy Stewart. Eles também fazem concertos totalmente improvisados nos quais respondem a comandos da platéia enviados por mensagens de texto. Mas não há improvisação quando o assunto é o talento e o profissionalismo deles. Por ser uma jam band, e pelo fato do som ser guiado por duas guitarras, há quem a coloque junto com a Grateful Dead, ou a Widespread Panic, ou ainda a Allman Brothers, mas elas não estão nem no mesmo planeta. O som da UM é particular e difícil de classificar. Nele pode-se encontrar elementos que remetem aos Beatles, ou à Pink Floyd, ou até à essas três bandas aí. 





Brendan Bayliss - guitarra,vocal
Jake Cinninger - guitarra, Moogs
Joel Cummins - teclados, vocal
Ryan Stasik - baixo
Kris Myers - bateria,vocal
Andy Farag - percussão
com
Huey Lewis(and The News) - harmônica (6,8), vocal(8)
Joshua Redman - sax(7)





1  Believe the Lie  
2  Rocker  
3  Liquid  
4  Words  
5  Nemo  
6  Women, Wine, and Song  
7  Intentions Clear  
8  End of the Road [instrumental]  
9  Passing    
10 Ocean Billy  
11 The Weight Around  




sábado, 8 de julho de 2017

The Plastic People Of The Universe - Egon Bondy's Happy Hearts Club Banned (1978)








Essa foi uma banda formada na Checoslováquia em 1968, importantíssima tanto do lado musical, quanto do ideológico. Ela foi organizada por Ivan Jirouš e liderada por Milan Hlavsa e estreou um mês após a invasão do seu país pelas forças do Pacto de Varsóvia. Por causa do repertório e dos cabelos compridos, ela foi impedida de atuar profissionalmente. Seu som era influenciado pelo de Frank Zappa — o nome da banda vem de uma música dele — e pela Velvet Underground, entre outras do mesmo círculo. Então, por anos eles só puderam se apresentar em concertos não oficiais e festivais, sempre usando equipamentos caseiros. As autoridades não impediam esses eventos mas depois invadiam as casas e levavam os músicos presos. Músicos e fãs, aliás. Vratislav Brabenec, por exemplo, foi sentenciado a 18 meses de prisão. Por volta de 1974 a Plastic People gravou uma fita e essa fita conseguiu chegar até a França, onde o LP foi lançado pelo selo Scopa Invisible. Esse disco continha letras altamente provocativas do poeta Egon Bondy e a música era violenta e áspera, refletindo o clima em Praga na época. Consta que a Plastic People exerceu grande influência sobre o escritor Vaclav Havel, último presidente da antiga Checoslováquia e primeiro presidente eleito da República Checa.





Milan Hlavsa - baixo, vocal
Josef Janíček -  guitarra, piano, piano elétrico, vibrafone, vocal
Jiří Kabes - guitarra, viola, violino, vocal
Vasil Snajdr - flauta
Vratislav Brabenec - sax alto, clarinete
Zdeněk Fiser - theremin 
Jaroslav Nozniček - bateria
Jiří Sula - bateria, percussão (7, 8, 11, 13)
Ivan Jirouš - direção artística
Egon Bondy - letras  





1   Dvacet
2   Zácpa
3   Toxika
4   Magické noci
5   M.G.M.
6   Okolo okna
7   Elegie
8   Podivuhodný mandarin
9   Nikdo
10 Jó-to se ti to spí
11 Já a Mike
12 Ranní ptáče
13 Francovka
14 Jednou nohou
15 Spofa blues

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Rick Wakeman & Mario Fasciano - Black Knights at the Court of Ferdinand IV (1994)








Nos anos 80 o Rick Wakeman fez quatro colaborações. A primeira foi com Jeff Wayne, aquele que fez uma versão de Guerra dos Mundos que se aproximou em forma ao trabalho pretérito do próprio Wakeman. Depois ele gravou com um tenôr e em seguida dividiu composições com seu próprio baterista, o Tony Fernadez. Esses dois últimos tem um sotaque da new age music. Nesse álbum Wakeman colabora com o cantor e baterista Fasciano e com o compositor Giuseppe Castiglia. O título já revela que é um álbum conceitual sobre um personagem histórico, terreno mais que conhecido por Wakeman. O ponto fora da curva é que as letras estão no dialeto napolitano, que deve estranhar até o fã mais apaixonado de RPI. O disco é bacana, superior aos anteriores, mas é uma edição de baixo custo onde até o encarte tem sua parte interna em branco. Se contivesse as letras, talvez desse pra entender do que se fala. Digamos que isso se deve ao fato de Ferdinando IV, o rei das duas Sicílias, ser menos importante que o Rei Artur e muito menos importante que as esposas de Henrique VIII. 





Rick Wakeman - piano, teclados
Mario Fasciano - vocal, bateria
David Sumner - guitarra





1 E Vuje'
2 Favola
3 Umberto II
4 Umbre'
5 Tommaso Aniello
6 Fradiavolo
7 Farfarie
8 'O Bilancio

quarta-feira, 5 de julho de 2017

L'Uovo di Colombo - L'Uovo di Colombo (1973)







Alguns sites e publicações especializados em rock progressivo simplesmente ignoram essa excelente banda romana. Outros desdenham desse único álbum e sugerem que a L'Uovo di Colombo é uma banda de hard-rock que quis fazer prog, ou que é uma seguidora da ELP. Eu não concordo com nada disso. E eu, que nem sou dos maiores fãs do rock progressivo italiano, gosto muito desse álbum e o tenho como um favorito. 
A banda foi formada em 1970 pelos irmãos Volpini — Elio havia sido membro da conceituada Flea On The Honey e depois tocaria com a Etna. O som é dominado pelo órgão, e se não é dos mais originais e emotivos, é muito bem elaborado e altamente energético. Há ainda quem critique o vocalista. OK, mas e o Bob Dylan, hein?





Enzo Volpini - teclados eletrônicos e acústicos, violão, vocal (1), backing vocal
Elio Volpini - baixo, guitarra, backing vocal
Toni Gionta - vocal
Ruggero Stefani - bateria, percussão, backing vocal





1L'indecisione (Vedi "I King")
2 Io
3 Anja (Coscienza E Vanità)
4 Vox Dei
5 Turba
6 Consiglio
7 Vision Della Morte
8 Scherzo

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Edhels - Oriental Christmas (1985)








Essa banda é de Mônaco, foi fundada em 1981 e este aqui é o segundo disco dela. Ela, aparentemente, ainda está na ativa e ainda é liderada pelo excelente guitarrista Marc Ceccotti. Nessa época aí seu som era progressivo e é inegável a influência de Steve Hackett sobre ele e sobre o estilo de Ceccotti também. Se o disco não é nenhum primor de originalidade, ao menos deve-se elogiar a banda por lançar um trabalho assim numa década em que o prog praticamente extinguiu-se e o próprio Steve Hackett estava meio perdido. 





Marc Ceccotti - guitarra, baixo, teclados
Jean Louis Suzzoni - guitarra
Noël Damon - teclados
Jacky Rosati - bateria, percussão, teclados
Valérie - backing vocal (8)





1   Ragtag
2   Spring Road
3   Tepid Wind
4   Ca... Li... Vi... Sco
5   Oriental Christmas
6   F... D... Smile
7   Imaginary Dance
8   Souvenir 76
9   Absynthe
10 Agatha
11 Nan Madol

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Paranoise - Private Power (2000)








Paranoise se define como uma irmandade de músicos que frequentam mais ou menos os mesmos círculos, e aí eu me refiro aos trabalhos do ex-Brand X Percy Jones, do guitarrista David Torn e do trompetista Don Cherry. Aí a gente percebe que o prog e o jazz são elementos do som da banda mas não só, pois tem muito de hard-rock também. O grupo é liderado pelo guitarrista Jim Matus que estudou na Berklee e foi aluno de Pat Metheny e John Scofield. Mas talvez o elemento mais importante, e presente nos cinco discos lançados, é a temática política. Eles criticam duramente a ganancia das corporações e denunciam sua intenção de manter pobres na pobreza. Private Power é o terceiro disco e é muito legal.





Jim Matus - guitarra, violão, dulcimer, alaúde, harmonium, sampling
Thorne Palmer - vocal, violão
Rohan Gregory - violino
Bob Laramie - baixo
Geoffrey Brown - bateria, percussão 
com:
Jim Cole - harmonização vocal (7, 9, 12)
Judy Stanton Cohen - violino elétrico de 5 cordas (1)
Scott Spencer - digeridoo (3, 9, 12)





1   Evil Vs. Evil 
2   Instability, Containment, Rollback 
3   Tetrahedral Metaphor 
4   Mechanical World 
5   International Monetary Fun 
6   Constant Fear
7   Structural Adjustment 
8   Private Power 
9   Tarana 
10 Not There 
11 Centerless Grinding
12 Monuments

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Priam - 3 Distances (1998)








Priam foi uma excelente banda francesa que equilibrou seu som com jazz-rock, prog-rock sinfônico e space-rock — mas pode chamar de fusion. A guitarra é o instrumento dominante, assim como o guitarrista Casagrande é o compositor de quase tudo. Esse é o primeiro disco dela e no lançamento original o título era "... 3 Distances / Irregular Signs ...". A banda lançou mais um álbum e depois se separou. De todos os quatro, apenas o baterista é quem tem uma carreira longeva. 





Chris Casagrande - guitarra
Laurent Lacombe-Colomb - teclados
Bertrand Hulin-Bertaud - baixo
Emma.M (Emmanuel Mario) - bateria





1   Metamorphosis 
2   Labyrinth 
3   Signs Beyond the Euphrates 
4   Initiatic Quotient of the Monk - I. Hyper Eyes 
5   Initiatic Quotient of the Monk - II. Birth of Ucbald 
6   Initiatic Quotient of the Monk - III. Spiral Irregular End 
7   Dream in a Blue Forest 
8   Distances 
9   Eternal Spheres 
10 Irregular Signs 

terça-feira, 27 de junho de 2017

John Coltrane Quartet - Ballads (1962)








Os últimos anos de vida de John Coltrane não foram moleza. Seu trabalho vinha derrubando barreiras, todas aquelas notas, duas notas ao mesmo tempo... No álbum 'Live at Village Vanguard', notadamente na faixa 'Chasin the Trane', ele viaja por 15 minutos sem sequer um tema. Por essas coisas ele começou a ser duramente criticado, acusado de nonsense e de não mais estar tocando jazz. Deve ter sido duro. Com esse seu quarteto solidificado ele respondeu com o álbum 'Ballads' que consiste em releituras de oito clássicos dos seus tempos mais dançantes. Este é um álbum belíssimo, capaz de transformar um dia ruim, o trânsito caótico ou o noticiário político. Aí os tais críticos caíram de pau em cima dele, acusando-o de fazer um disco acessível. 





John Coltrane - sax tenor
McCoy Tyner - piano
Jimmy Garrison - baixo
Elvin Jones - bateria





1 Say It (Over And Over Again)
2 You Don't Know What Love Is
3 Too Young To Go Steady
4 All Or Nothing At All
5 I Wish I Knew
6 What's New
7 It's Easy To Remember
8 Nancy (With The Laughing Face)

domingo, 25 de junho de 2017

Bon Scott with Fraternity - Livestock (1971)








A história das bandas Fraternity e Blackfeather se cruza quando Bon Scott e John Bisset foram colaborar na gravação do álbum da segunda e quando ambas combinaram sobre quem lançaria a música Seasons of Change. Então, o que foi sucesso para a Fraternity, acabou sendo o fim para a Blackfeather. Não porque ela não a lançou, mas porque a gravadora desrespeitou o acordo e a lançou no álbum da Blackfeather sem autorização dos membros.
Já a história do Bon Scott é bem mais complicada mas a gente pode começar pela primeira gravação dele, que foi com a banda The Valentines. Quando essa banda se dissolveu, o líder da banda Fraternity, Bruce Howe, convidou Scott para ser seu vocalista. Eles viviam em Adelaide numa comunidade hippie e assinaram contrato com um selo independente local chamado Sweet Peach. O single com a música Seasons of Change fez muito sucesso e o LP veio logo depois. A banda excursionou muito e abriu shows para bandas famosas como a Deep Purple, Free e Manfred Mann. Tudo ia muito bem até que Bon Scott se arrebentou com uma motocicleta. Ele teve inúmeras fraturas, cortes, perdeu dentes e ficou em coma por um tempão. Quando acordou, a Fraternity não existia mais. Mas ele ficou sabendo que uns tais irmãos Young estavam montando uma banda e ...
O som aqui não tem nada a ver com o hard-rock baseado em blues da AC/DC; é mais psicodélico e tem até uma vontade de ser prog na faixa 5, Raglan's Folly. Isso se deve ao bom guitarrista Mick Jurd, que foi influenciado por músicos como Wes Montgomery e Barney Kessel.





Bon Scott - vocal
Mick Jurd - guitarra
Bruce Howe - baixo
John Bisset - teclados
John Freeman - bateria
"Uncle" John Eyers – harmônica (1, 11)





1   The Race Part I
2   Seasons of Change
3   Livestock
4   Summerville
5   Raglan's Folly
6   Cool Spot
7   Grand Canyon Suites
8   Jupiter's Landscape
9   You Have A God
10 It
11 The Race Part II