quinta-feira, 23 de abril de 2015

Luther Allison - Bad News Is Coming (1972)





Quem olha rápido para essa capa pode até achar que esse é um disco de reggae, mas não, é um grande disco de blues. Bad News Is Coming passou meio despercebido quando de seu lançamento, pois em 1972 o blues de raiz não atraía muita atenção mesmo, e então muita gente perdeu a oportunidade de desentupir os ouvidos com o melhor do blues elétrico e o melhor da guitarra elétrica no blues. Luther foi o único músico de blues da gravadora Motown, e foi uma aposta dela na capacidade que ele tinha de colocar as raízes do blues numa roupagem moderna e de compor suas próprias músicas numa linguagem idem. O reconhecimento acabou vindo adiante, quando ele começou a excursionar pela Europa, o que o levou a mudar-se para a França em 1977.
Ainda sobre a capa, Luther morreu de câncer no pulmão.


Luther Allison - guitarra, vocal
Garfield Angove - harmônica
Paul White - piano
Ray Goodman - guitarra
Andrew Smith - baixo, bateria


1  The Little Red Rooster (Willie Dixon)
2  Evil Is Going On (Willie Dixon)
3  Raggedy And Dirty
4  Rock Me Baby (B. B. King)
5  Bad News Is Coming
6  Cut You A-Loose
7  Dust My Broom (Elmore James)
8  The Stumble (Freddie King)
9  Sweet Home Chicago (Robert Johnson)
10 It's Been A Long Time
11 Take My Love (I Want To Give It All To You)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ash Ra Tempel - Ash Ra Tempel (1971)





A embrionária, radical e inovadora Ash Ra Tempel tem suas raízes, ora vejam!, no beat-rock; mais precisamente em duas bandas: a Bluebirds e a Bad Joe. Essas duas aglutinaram-se noutra, chamada Steeple Chase Bluesband, a qual transformou-se completamente quando seus membros encontraram-se com Klaus Schulze, ex-Tangerine Dream. Em trio, eles seguiram como Ash Ra Tempel, uma banda focada na livre improvisação, cujas performances poderiam ultrapassar os 30 minutos. Com a ajuda do lendário produtor Cony Plank eles gravaram esse primeiro álbum com um novo estilo de space-rock, unindo elementos da Pink Floyd e da Hawkwind com um pouco daquilo que Schulze desenvolveu na Tangerine Dream. Depois desse disco, a exemplo do que já fizera na TD, Schulze saiu da Ash Ra Tempel para experimentar ainda mais — ele disse à Göttsching que mantivesse o nome, mas ele estava indo fazer outras coisas.



Klaus Schulze - bateria, percussão, eletrônicos
Manuel Göttsching - guitarra, eletrônicos, vocal
Hartmut Enke - baixo

1 Amboss
2 Traummaschine







terça-feira, 14 de abril de 2015

Tangerine Dream - Alpha Centauri (1971)





Klaus Schulze e Conrad Schnitzler haviam deixado a Tangerine Dream para colaborar com membros da Agitation Free no projeto Eruption e Schulze ainda foi formar a Ash Ra Tempel. Depois de alguns testes com outros músicos, Edgar Froese acabou meio que emprestando o baterista da Agitation Free, Chris Franke. Franke trouxe dela a experiência em trabalhar com eletrônicos e com o tempo foi efetivado e tornou-se bem mais que o baterista. Alpha Centauri é o segundo álbum da Tangerine Dream e, como sugere seu título, inaugurou a fase do espaço cósmico e sideral da banda.


Edgar Froese - Mellotron, órgão, baixo, guitarra, voz
Chris Franke - bateria, percussão, flauta, pianoharp, zither, sintetizador
Peter Baumann - órgão
Steve Schroyder - órgão, eletrônicos, câmaras de eco, percussão
com:
Udo Dennebourg - flauta, voz
Roland Paulyck - sintetizador


1 Sunrise in the Third System 
2 Fly and Collision of Comas Sola
3 Alpha Centauri 
4 Oszillator Planet Concert
5 Ultima Thule, Part One
6 Ultima Thule, Part Two

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Agitation Free - Malesch (1972)





A Agitation Free foi uma banda seminal do kraurock e uma das mais influentes. Alguns integrantes da sua primeira encarnação foram mais adiante juntar-se à outras bandas também muito influentes, como a Tangerine Dream e a Ash Ra Tempel. Ela foi formada em 1967, em Berlim, e muitos dos seus integrantes haviam estudado com o compositor e teórico suíço Thomas Kessler, um cara da vanguarda musical que ficou conhecido como o pai da "escola de Berlim" e do rock eletrônico, mentor também da Tangerine Dream. Levou bastante tempo para a Agitation Free lançar um álbum, mas esse tempo serviu para que criassem seu próprio estilo de rock cósmico, derivando do que fazia o Pink Floyd pela adição de elementos étnicos. Esse estilo incluía ampla improvisação, muita eletrônica, predominância do instrumental e duas guitarras. Malesh foi o disco de estréia e é o resultado de uma viajem que fizeram pelo norte da África e pelo Oriente Médio. Ax Genrich tocou com ela por uns três meses antes de ser cooptado pela Guru Guru.



Michael Hoenig - sintetizadores, eletrônicos, violão de aço
Lutz Ulbrich - guitarra, zither, órgão
Jorg Schwenke - guitarra
Peter Michael Hamel - órgão
Michel Gunter - baixo
Burghard Rausch - bateria, marimba, vocal
Uli Pop - bongôs


1 You Play For Us Today 
 2 Sahara City 
 3 Ala Tul 
 4 Pulse
 5 Khan El Khalili 
 6 Malesch
 7 Rücksturz


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Guru Guru - UFO (1970)





Em 1970, o guitarrista Ax Genrich era membro da Agitation Free mas não chegou a gravar com ela. No mesmo ano ele saiu para juntar-se à Guru Guru. A Guru Guru havia surgido dois anos antes, em Zurique, fundada por dois ex-integrantes (Neumeier e Trepte) de outra banda chamada Irene Schweizer Trio. Inicialmente ela chamou-se Guru Guru Groove, e eles desenvolveram uma nova forma de rock psicodélico à partir das suas raízes de free-jazz. Nesse ponto eles contavam com um órgão e com um saxofone elétrico. Houve várias mudanças de músicos e apenas Neumeier e Trepte permaneceram. Eles mudaram-se para Berlin, encurtaram o nome da banda e encontraram em Ax Genrich o parceiro ideal — ele podia fazer coisas incríveis com a guitarra. A banda assinou contrato com o selo Ohr e lançou essa acid-trip aqui, composta basicamente por versões condensadas de jams que já haviam feito ao vivo, arrumadas e rearranjadas de um modo mais limpo e espacial.



Mani Neumeier - bateria, percussão, voz, fita
Ax Genrich - guitarra, eco, pedais
Uli Trepte - baixo, eletrônicos, fita


1 Stone In
2 Girl Call
3 Next Time See You At The Dalai Lhama
4 UFO 
5 Der LSD-Marsch







quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ax Genrich - Wave Cut (1995)




Esse é um álbum pra que gosta de guitarra psicodélica, espacial e distorcida, feito por um grande guitarrista. Ax Genrich foi membro da Agitation Free e em abril de 1970 juntou-se à Guru Guru. Nela, ele atuou nos cinco primeiros álbuns e foi genial o bastante para ser considerado um dos melhores guitarristas de todo o krautrock. Ele era capaz de fazer o instrumento falar! Depois de sair da Guru Guru ele envolveu-se em vários projetos, inclusive na organização do festival folk de Odenwald, a partir do qual até formou uma banda, a Odenwald Express. Depois de um longo silêncio, ele ressurgiu com o álbum Psychedelic Guitar e logo depois laçou este aqui, ainda melhor e lembrando muito o que a Guru Guru fez.


Ax Genrich - guitarra, voz
Mario Fadani - baixo
Walt Bender - bateria, sampler, voz
Tom Redecker - vocal

1 Come Back
2 Go! Lemgo
3 Fundador
4 The Rebel
5 Meat
6 Wave Cut



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Buckshot LeFonque - Buckshot LeFonque (1994)






Branford é o mais versátil dos irmãos Marsalis; ele experimenta bastante com a fusão de gêneros sem deixar-se seduzir pelo comercialismo. Sua carreira começou com nada mais, nada menos que Art Blakey & the Jazz Messengers. Depois vieram Dizzy Gillespie e Miles Davis, coisa pouca. Além das fronteiras do jazz, ou expandindo-as, ele tocou em vários álbuns de Sting, em dois de Crosby, Stills & Nash, com a Grateful Dead e até com o brasileiro Dori Caymi. Essa banda Buckshot LeFonque foi sua maior ousadia e nela ele colocou elementos de outros músicos com quem tocara pouco tempo antes: o hip-hop de Public Enemy e o ska-funk de Fishbone. O nome da banda é um pseudônimo que Julian "Cannonball" Adderley usava para driblar o contrato com sua gravadora. A lista de músicos participantes é impressionante e até o grande mestre da Telecaster, Albert Collins, faz um solo no final da faixa 13. É um disco muito legal.



Branford Marsalis - sax alto, soprano e tenôr, programação de percussão
Delfeayo Marsalis - trombone, piano (12, 14)
Albert Collins - guitarra (13)
Kenny Kirkland (Dizzy Gillespie, Wynton Marsalis, Sting) - piano
Greg Phillinganes (Clapton, Toto) - teclados, Moog baixo
Kevin Eubanks - guitarra
Nils Lofgren (Neil Young, Bruce Springsteen) - guitarra
David Barry - guitarra
Ray Fuller - guitarra rítimica (6)
Matt Finders - trombone
Roy Hargrove - trompete
Chuck Findley - trompete
Victor Wooten - baixo
Robert Hurst - baixo
Darryl Jones (Miles Davis) - baixo
Larry Kimpel - baixo (6)
Jeff "Tain" Watts - bateria
Chuck Morris - bateria (6)
Rob Hunter (Raven) - bateria (13)
Uptown - vocal
Frank McComb - vocal
Maya Angelou - vocal
Tammy Townsend - vocal (6)
Mino Cinelu - percussão
Vicki Randle - percussão
DJ Premier - programação, pick-ups
Alexander Assefa, Betlemem Kiros, Fikre Asmamaw, Serlewowgel Solomon, 
Tsige Metageshaic, Beverly Bray, Bobbette Jamison-Harrison, Kim Edwards-Brown - vocais



1  Ladies & Gentlemen, Presenting...
2  The Blackwidow Blues
3  I Know Why The Caged Bird Sings
4  Mona Lisas (And Mad Hatters)
5  Wonders & Signs
6   Ain't It Funny
7  Some Cow Fonque (More Tea, Vicar?)
8  Some Shit @ 78 BPM (The Scratch Opera)
9  Hotter Than Hot
10 Blackwidow
11 Breakfast @ Denny's
12 Shoot The Piano Player
13 No Pain, No Gain
14 Sorry, Elton
15 ...And We Out


segunda-feira, 30 de março de 2015

Wynton Marsalis - J Mood (1986)





Nesse último final de semana rolou em São Paulo o Brasiljazzfest, que um dia já chamou-se  Free Jazz Festival, aquele evento magnífico criado pelas irmãs Gardenberg em 1985, cujo único senão foi o primeiro patrocinador. Foi bem mais econômico nessa edição, porém contou com a presença do trompetista Wynton Marsalis e a orquestra do Lincoln Center. 
Wynton é de uma célebre família de músicos: papai Ellis e brothers Delfeayo e Branford. Considera-se que Wynton foi o primeiro músico de jazz a receber ampla promoção de uma gravadora "major", o que acabou tornando-se uma constante preocupação para ele: não ser confundido com um produto. Com isso em mente, ele assumiu o compromisso de restaurar os valores morais do jazz, deixados um tanto ao largo pelo excesso de intelectualismo do free jazz e do cool jazz, colocando os sentimentos naquele ponto em que o jazz ainda era ligado ao blues. 
Nesse álbum, Wynton reduziu sua banda a um quarteto — não contou com a colaboração de longa data com seu irmão Branford no sax, nem com a do pianista Kenny Kirkland — onde se destaca o pianista Marcus Roberts, um especialista em jazz dos anos 40.
Parabéns à Monique Gardenberg!



Wynton Marsalis - trompete
Marcus Roberts - piano
Robert Leslie Hurst III - baixo
Jeff "Tain" Watts - bateria


1 J Mood
2 Presence That Lament Brings
3 Insane Asylum
4 Skain’s Domain
5 Melodique
6 After
7 Much Later








sexta-feira, 27 de março de 2015

Sphere - Four In One (The Music Of Thelonious Monk) 1982





Sphere é o título do último álbum do quarteto de Thelonious Monk e foi o nome escolhido por Charlie Rouse e Ben Riley, dois integrantes desse quarteto, para batizar essa banda. Segundo Rouse, a intenção era estimular Monk a voltar a tocar, ou, ao menos, voltar a compor. Contudo, no mesmo dia 17 de fevereiro de 1982 em que estes quatro músicos competentíssimos entraram no estúdio para gravar, Thelonious Monk faleceu. A Sphere continuou em frente e gravou mais cinco discos de estúdio e um ao vivo.


Charlie Rouse - sax tenôr
Kenny Barron - piano
Buster Williams - baixo
Ben Riley - bateria


1 Four In One
2 Light Blue
3 Monk's Dream
4 Evidence
5 Reflections
6 Eronel


quinta-feira, 26 de março de 2015

Thelonious Monk - Monk's Music (1957)





Quando Thelonious Monk começou sua carreira no final dos anos 40, ele foi ignorado. Pior, desprezado. As pessoas não compreendiam o estilo que ele desenvolveu, suas progressões e tal. Ao mesmo tempo em que estava enraizado na tradição, ele compunha muito à frente do seu tempo. Era considerado excêntrico ou meio doido. Com frequência ele levantava-se do piano enquanto um colega solava e fazia uma dancinha super tosca, que parecia coisa de bebum. Contudo, dez anos mais tarde ele tornou-se o messias, e sem mudar uma vírgula. Tinha seguidores e admiradores como tal, e ninguém lhe imitava. A música moderna mudou aos seus dedos.
Esse álbum é um dos seus grandes momentos, também pelo incrível septeto que montou — só tem fera.
Em 1973, Monk recolheu-se. Ele disse que simplesmente não queria mais tocar e, excetuando-se pouquíssimas aparições, não tocou mais mesmo. Ele estava mentalmente doente e faleceu em fevereiro de 1982.



Thelonious Monk - piano
Gigi Gryce - sax alto (1, 2, 4 à 9)
Coleman Hawkins - sax tenôr
John Coltrane - sax tenôr (1, 2, 4 à 9)
Ray Copeland - trompete (1, 2, 4 à 9)
Wilbur Ware - baixo (2 à 9)
Art Blakey - bateria (2 à 9)



1 Abide With Me
2 Well, You Needn't
3 Ruby, My Dear
4 Off Minor (take 5)
5 Epistrophy
6 Crepuscule With Nellie (take 6)
7 Off Minor (Take 4)
8 Crepuscule With Nellie (takes 4 and 5)
9 Blues For Tomorrow