quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sloche - Stadaconé (1976)






Esse é o segundo e último disco da canadense Sloche, tão bom quanto o anterior. Há um novo baterista e um mais um tecladista (celesta) foi adicionado. O som continuou prog/fusion e as composições não seguem tão rigidamente um tema como no disco de estréia. Por outro lada, essas composições estão mais maduras e a performance instrumental aprimorou-se, apesar da introdução de vocais.



Réjean Yacola - grand piano, piano Wurlitzer, piano Fender Rhodes, Mini Moog, clavinet
Martin Murray - Hammond B3, Mini Moog, Solina, sax soprano, percussão, vocal
Caroll Bérard - guitarra, violão, talk box, percussão
Gilles Ouellet - celesta, percussão, vocal
Pierre Hébert - baixo
André Roberge - bateria, percussão




1 Stadaconé
2 Le Cosmophile
3 Il Faut Sauver Barbara
4 Ad Hoc
5 La "Baloune" De Varenkurtel Au Zythogala
6 Isacaaron (Ou Le Démon Des Choses Sexuelles)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Iceberg - Coses Nostres (1976)







A Iceberg surgiu na Espanha no início dos anos 70, muito influenciada pelo prog sinfônico inglês (Yes, Genesis). Aos poucos eles foram acrescentando elementos de jazz nas composições e nesse segundo disco transformaram a coisa toda. Primeiro, dispensaram o vocalista em favor de um som totalmente instrumental. Segundo, introduziram o folk ibérico no blend. Daí em diante ela tornou-se o principal nome do jazz-rock espanhol e uma das bandas mais respeitadas do gênero. Max Sunyer é um guitarrista igual em habilidade a caras bem mais famosos como Santana ou Akkerman.




Joaquim "Max" Sunyer - guitarra, violão
Josep "Krtflus" Mas - piano, piano elétrico, sintetizadores
Primi Sancho - baixo
Jordi Colomer - bateria




1 Preludi I Record
2 Nova (Música De La Llum)
3 L'Acústica (Referéncia D'un Canvi Interior)
4 La D'en Kitflus
5 La Flamenca Eléctrica
6 A Valencia
7 11/8 (Manifest De La Follia)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Berits Halsband - Berits Halsband (1975)







Dizem por aí que discos obscuros o são por alguma razão, e isso é dito como um alerta. Mas frequentemente encontra-se uma jóia musical de rara, e não obscura, beleza. Berits Halsband (colar de Berits) foi uma surpresa. Ela é uma banda sueca de jazz-rock — mais jazz que rock — e a Suécia era um celeiro respeitável para bandas desse tipo. Via de regra elas receberam influência do trabalho de Miles Davis e Herbie Hancock. A Berits quis ir além do fusion e do pós-bop elétrico, adicionando elementos do folclore local. Assim ela ficou até próxima da Soft Machine e parece-se com a Samla Mammas Manna sem a porção Zappa da coisa. Eles gravaram esse disco ao vivo em estúdio, num gravador de dois canais e sem possibilidade de um remix. Um resultado tão bom com tão poucos recursos é sempre louvável.




Jonas Lindgren - piano elétrico
Olof Söderberg - guitarra
Mats Anton Karis - flauta
Bengt Ekevärn - trompete
Tommy Adolfsson - trompete
Göran Frost - baixo
Michael Lindqvist - bateria
Peter Adolfsson - triângulo


1 Myror I Köket
2 Elhamokk
3 Halvvägs Hildur
4 Flaxöras Hemliga Återkomst

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Cybernauts - Live & The Further Adventures Of The Cybernauts (2001)








Antes de apresentar esse disco eu vou fazer um bla-bla-bla que ajuda a ilustrar. Trevor Bolder e Mick Woodmancey foram, respectivamente, o baixista e o baterista da lendária Spiders From Mars, a banda que gravou os álbuns mais importantes de David Bowie, aqueles pelos quais ele será sempre lembrado e que tanta influência exerceram. Mick Ronson, o guitarrista, saiu antes do álbum Diamond Dogs e depois desse álbum, Bowie dispensou a banda roqueira para ser um popstar. Meio sem saber o que fazer, os dois, mais Mike Garson, mantiveram o nome da banda e lançaram um disco sem brilho. Aí cada um foi pro seu lado. Bolder, por exemplo, tocou na Uriah Heep. Pois bem. Esses discos de Bowie com a Spiders influenciaram profundamente também os membros da banda Def Leppard, e, depois que Mick Ronson faleceu, sua irmã convidou o guitarrista Phil Collen e o vocalista Joe Elliott para participarem de um concerto em homenagem ao irmão, que incluiria os remanescentes da Spiders, Bolder e Woodmancey. O concerto aconteceu no Olympia Theatre de Dublin em 1997. Na mesma semana essa banda gravou um EP com quatro faixas e depois de excursionarem pelo Japão, mais três faixas gravadas em Toquio foram separadas. São os dois CDs que estão aqui. Todas as músicas são de Bowie com a exceção de três, e todas são dos discos The Man Who Sold the World, Hunky Dory, Ziggy e Alladin Sane. As versões são beeem legais.
Phil Collen disse que Mick Ronson era tão bom que seria o único guitarrista que ele imitaria, como um garoto no seu quarto com uma raquete de tênis. Eu sei como é; também tinha uma raquete no meu.





Joe Elliott - vocal, guitarras Gibson
Phil Collen - guitarra solo Jackson
Dick Decent - teclados Roland, Korg e Kurzweil, vocal
Trevor Bolder - baixos Fender Precision e Vigier Excess, vocal
Mick "Woody" Woodmansey - bateria Premier





CD 1 - Live: 

1  Watch That Man
2  Hang Onto Yourself
3  Changes
4  The Supermen
5  Five Years
6  Cracked Actor
7  Moonage Daydream
8  Angel No. 9 [Craig Fuller]
9  Jean Genie
10 Life On Mars?
11 The Man Who Sold The World
12 Starman
13 The Width Of A Circle
14 Ziggy Stardust
15 White Light/White Heat [Lou Reed]
16 Rock & Roll Suicide
17 Suffragette City
18 All The Young Dudes



CD 2 - The Further Adventures of the Cybernauts

1 Manic Depression [Jimi Hendrix]
2 All The Young Dudes
3 Moonage Daydream
4 The Man Who Sold The World
5 Time
6 Panic In Detroit
7 Lady Grinning Soul
8 Moonage Daydream (Hidden Track)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

David Bowie - The Man Who Sold The World (1970)







Este é o terceiro álbum do Bowie e o mais pesado deles. É o segundo produzido por Tony Visconti e é um dos primeiros discos a utilizar um sintetizador Moog. Mais importante, é o primeiro disco com Mick Ronson na guitarra. 
Bowie era contratado da mesma agência que cuidava da The Who e dos Stones. Um dia, David Platz, o dono, disse ao jovem produtor e músico americano Tony Visconti mais ou menos assim: "Olha eu tenho esse cara que compõe muito bem mas cada música é de um estilo diferente e eu não sei o que fazer com ele. Que tal você?" Visconti, então, tentou que Bowie focasse num estilo só e começou a montar uma banda — do baixo ele mesmo cuidaria. Dessa iniciativa saiu o Space Oddity com um super elenco. Contudo, a coisa ainda não rolou como eles queriam e decidiram reformular. Para a bateria foi convidado John Cambridge e ele sugeriu o nome de Mick Ronson para a guitarra, que havia sido seu companheiro na banda The Rats. Cambridge não permaneceu e outro ex-membro da The Rats foi chamado: Mick "Woody" Woodmancey. Com essa banda sólida e entrosada, The Man Who Sold The World marca a mudança definitiva do Bowie crooner mod para o Bowie roqueiro. O disco foi lançado primeiro nos Estados Unidos e para lá a capa teve que ser diferente (que surpresa!). A opção foi uma cutucada: um cowboy à la John Wayne portando um rifle. 
No ano seguinte Trevor Bolder, um outro membro da The Rats,  assumiria o baixo. Portanto, a The Rats é o embrião da Spiders From Mars.




David Bowie - vocal, guitarra, stylophone
Mick Ronson - guitarra, vocal
Ralph Mace - sintetizador Moog
Tony Visconti - baixo, piano, guitarra
Mick Woodmansey - bateria, percussão




1 The Width Of A Circle
2 All The Madmen
3 Black Country Rock
4 After All
5 Running Gun Blues
6 Saviour Machine
7 She Shook Me Cold
8 The Man Who Sold The World



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Aynsley Dunbar - Blue Whale (1970)







Aynsley Dunbar foi o baterista daquela banda do David Bowie que gravou o álbum Pin Ups, a melhor banda que ele já teve, na minha modesta opinião. Não que Woody Woodmansey não fosse ótimo, afinal ele esteve em todos os principais discos de Bowie. Dunbar também está no Diamond Dogs. Ele foi, e ainda é, um dos maiores bateristas, e não só do rock. Começou no blues, acompanhando Champion Jack Dupree, depois tocou com John Mayall, com Jeff Beck, com Zappa, com Ponty, com Lennon, na Whitesnake, ... .A Blue Whale é erroneamente confundida com sua banda anterior, a Retaliation, cujo som era blues-rock. Ou esse disco é incluído na discografia da Retaliation, ou na discografia solo do Dunbar, mas ele é de um projeto que não prosseguiu. As influências aqui são uma mistura de rock psicodélico, prog e jazz-rock, ou seja, Zappa — foi lançado logo depois do Chunga's Revenge e enquanto ele ainda era membro da Mothers of Invention.




Aynsley Dunbar - bateria
Paul Williams (Juicy Lucy) - vocal
Ivan Zagni (Jody Grind) - guitarra
Roger Sutton (Jody Grind, Brian Auger) - guitarra
Tommy Eyre (Alex Harvey, Zzebra) - piano, órgão
Charles Greetham - sax
Edward Reay-Smith - trombone
Peter Friedberg - baixo



1 Willing To Fight
2 Willie The Pimp [Zappa]
3 It's Your Turn
4 Days
5 Going Home

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Mike Garson & Jim Walker - Reflections (1985)







Se o trabalho de Mick Ronson podia ser comparado ao de David Bowie, esse do tecladista Mike Garson nem de longe. Garson tem décadas de colaborações com David Bowie que começaram na turnê Ziggy Stardust. Aliás, quem lhe aplicou o teste para entrar na banda foi o Mick Ronson. Nesse ponto ele já tinha uma sólida formação erudita e também no jazz, tendo aulas com Bill Evans e acompanhado Annette Peacock e o trompetista Thad Jones. Alguém disse que ele era o melhor tecladista do rock porque não tocava rock. E então veio Alladin Sane. Essa música o persegue. Ele e Bowie tentaram várias versões em diferentes estilos e num dado momento Bowie lhe pediu que fizesse no seu próprio estilo — ele nem acha Alladin Sane de todo boa. Ele ficou na banda de Bowie até o álbum Young Americans. Depois Bowie dispensou todos e ele, o baterista Woody Woodmansey e o baixista Trevor Bolder formaram a Spiders from Mars, um fiasco. Então vieram dois discos com Stanley Clake, mais um com Mick Ronson e vários com o próprio David Bowie.
O Jim Walker que está nesse disco com Garson, foi solista da Filarmônica de Los Angeles e aqui ambos expõem suas próprias experiências. Alguns colocam esse disco no catálogo do Walker apenas, mas o fato é que Mike Garson compôs tudo.




Mike Garson - piano
Jim Walker - flauta




1  Portrait Of A Friend
2  Love
3  First Song
4  Waltz Of The Arts
5  Ethereal
6  Yearnings
7  Syrinx
8  Pied Piper
9  The Park
10 Magic Spell
11 You're One Of A Kind
12 Homecoming
13 Reflections
14 Reason
15 Admiration

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mick Ronson - Slaughter On 10th Avenue (1974)







É impossível não comparar o primeiro disco solo do grande guitarrista de David Bowie com... David Bowie. Bowie assina três faixas e a banda aqui é exatamente a mesma que gravou o insano Pin Ups alguns meses antes. Slaughter On 10th Avenue foi inspirado num filme clássico com o mesmo nome e teve um tratamento vip para o lançamento. Mas um grande erro foi cometido: convencer Ronson que ele podia cantar e ser o "frontman". O próprio Ronson reconheceu isso mais tarde. Erro da gravadora, claro. Por causa disso, talvez o disco não tenha sido tudo o que poderia ser, mas não importa. Ronson foi um grande instrumentista e compositor e todos aqui são geniais — o jazzista erudito Garson, o Uriah Heep Bolder e o Retaliation Mr. Dunbar. A Margaret ali devia ser a patroa, sei lá. 




Mick Ronson - guitarra, piano, vocal
Mike Garson - piano, piano elétrico, órgão
Trevor Bolder - baixo, trompete, trombone
Aynsley Dunbar - bateria, percussão
Margaret Ronson - backing vocal




1   Love Me Tender (Pelvis)
2   Growing Up And I'm Fine (David Bowie / Mick Ronson)
3   Only After Dark 
4   Music Is Lethal (David Bowie)
5   I'm The One
6   Pleasure Man / Hey Ma Get Papa (David Bowie / Mick Ronson)
7   Slaughter On 10th Avenue 
8   Solo On 10th Avenue - Solo Guitar Sections (Live)
9   Leave My Heart Alone (Live) 
10 Love Me Tender (Live)
11 Slaughter On 10th Avenue (Live) 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Steve Hunter - Swept Away (1977)







Steve Hunter é um grande guitarrista que acompanhou Lou Reed a partir do seu terceiro álbum. Ele também acompanhou Peter Gabriel, Jack Bruce, Aerosmith e Alice Cooper. Com Alice Cooper, bem, eventualmente ele conheceu o produtor Bob Ezrin que trabalhava com Cooper e foi convidado por ele a participar do disco Billion Dollar Babies. Ezrin e Hunter, então, iniciaram uma longa parceria. Quando Ezrin foi produzir o álbum Berlin do Lou Reed, chamou Hunter. No disco Welcome to My Nightmare do Alice Cooper foi o mesmo. Em 1976, quando Ezrin produziu o primeiro disco solo do Peter Gabriel, também o convocou. Aí, no ano seguinte, Ezrin produziu e tocou nesse álbum solo do Hunter. Ele é predominantemente instrumental e um show de guitarra. Hunter tocaria em mais álbuns de Lou Reed, Peter Gabriel e Alice Cooper, e muito mais gente, bem como levaria adiante sua carreira solo. Em 1989 ele esteve no Brasil junto com Leslie West, Steve Howe, Randy California & Cia. no projeto Night of the Guitar. 




Steve Hunter - guitarras, vocal
Bob Ezrin - teclados, vocal, percussão
Jozef Chirowski - piano Fender Rhodes
Carol Pope, Joanne Brooks, Tony D'Amico - backing vocal
Prakash John (Parliament) - baixo
Jim Gordon (Derek & The Dominos) - bateria
Jim Maelen - percussão



1   Eight Miles High [Byrds]
2   Eldorado Street
3   Goin' Down [traditional]
4   Rubber Man
5   Of All Times To Leave
6   Jasper St. Viaduct Gitar Rag
7   Sail On Sailor
8   Swept Away
9   Sea Sonata
10 Deep Blue






segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Lou Reed - Transformer (1972)






Bem, Bowie é onipresente agora. Vai ser assim por algum tempo. Então, por que não?
Quando David era Ziggy, ele e sua aranha mais perspicaz chamada Mick produziram, arranjaram, tocaram e gravaram o segundo disco solo do Lou Reed, ex-Velvet Underground. A Velvet virou cult, influenciou o punk, a vanguarda e tal e coisa, que esperava-se o mesmo do primeiro disco solo do seu líder. Não rolou. Nem com Rick Wakeman e Steve Howe. Aí entraram as mãos dos padeiros. Com uma banda afiada e experiente, mas sem estrelismos, Bowie e Ronson emolduraram as canções do Reed, as quais tem algumas linhas até bem bocós. Por exemplo: ♪Vicious, you hit me with a flower♫. Walk On The Wild Side tinha tudo pra ser chata, modorrenta, e, no entanto, usando o baixo acústico do Herbie Flowers com o sax do Ronnie Ross ela virou clássica e tocava nas rádios entre AC/DC e Black Sabbath numa boa. 
Mick Ronson, Ziggy Stardust, Major Tom... E o mundinho vai ficando sem talento. 




Lou Reed - vocal, guitarra, violão
David Bowie - backing vocal, arranjos
Mick Ronson - guitarra, piano, backing vocal, arranjos
Ronnie Ross - sax barítono
Klaus Voorman (Manfred Mann) - baixo
Herbie Flowers (T. Rex) - baixo, baixo acústico, tuba
Barry Desouza (Ablution) - bateria
John Halzey (Patto) - bateria
Ritchie Dharma (Mick Abrahams) -bateria
The Thunder Thighs: Casey Synge, Dari Lalou, Karen Friedman - backing vocal




1   Vicious
2   Andy's Chest
3   Perfect Day
4   Hangin' Round
5   Walk On The Wild Side 
6   Make Up
7   Satellite Of Love
8   Wagon Wheel
9   New York Telephone Conversation
10 I'm So Free
11 Goodnight Ladies