terça-feira, 11 de abril de 2017

Booker T. & the MG's - Green Onions (1962)


               






E pensar que houve um tempo em que um disco instrumental podia chegar aos primeiros lugares nas paradas e ainda influenciar toda uma geração de jovens músicos do outro lado do Atlântico.
Booker T. Jones teve seu primeiro contato com o piano através da sua mãe que tocava Chopin e Lizt em casa. Aos 17 anos, ainda na escola, ele ganhava dinheiro como músico de estúdio da Stax, e foi aí que tudo começou. Booker T havia sido escalado para acompanhar um músico de rockabilly que não apareceu nos estúdios. Então, ele e os outros músicos, todos a serviço da Stax, começaram a brincar com um blues chamado Behave Yourself. O pessoal da produção curtiu e gravou. Booker disse que estava com um riff de órgão na cabeça e, menos de uma hora depois, surgiu Green Onions que estourou como single.
A banda que nasceu por acidente tornou-se a oficial da Stax Records e trabalhou em centenas de discos dos maiores nomes do blues, soul, etc... De certa forma, eles ajudaram a moldar esses discos anonimamente. 
Tão importante quanto sua influência musical, foi o fato de ter se tornado um símbolo de integração racial no sul dos Estados Unidos, numa época de luta pelos direitos civis — dois membros eram negros e dois eram brancos.





Booker T. Jones - Hammond M3, baixo, guitarra
Steve Cropper - guitarra
Lewie Steinberg - baixo acústico e elétrico
Al Jackson Jr. - bateria





1   Green Onions
2   Rinky-Dink
3   I Got A Woman (Ray Charles)
4   Mo' Onions
5   Twist And Shout 
6   Behave Yourself
7   Stranger On The Shore
8   Lonely Avenue (Doc Pomus)
9   One Who Really Loves You (Smokey Robinson)
10 You Can't Sit Down
11 A Woman, A Lover, A Friend
12 Comin' Home Baby

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Neil Young - After The Gold Rush (1970)








Este álbum é aclamado como o melhor de Neil Young, mesmo que algumas músicas pareçam inacabadas ou não amadurecidas o bastante para terem sido gravadas, e mesmo com a voz esquisita, que sempre foi esquisita, mas que aqui está mais esquisita.
After the Gold Rush foi baseado numa peça de mesmo nome do ator e diretor Dean Stockwell. Diante da possibilidade dessa peça virar filme, Stockwell procurou Young para falar sobre a trilha sonora. O filme não rolou mas Young produziu uma peça delicada que fala direto ao coração. A coisa mais bacana é que o disco é extremamente provocativo e expõe a indignação dele — e nossa — com temas como a injustiça social, a discriminação racial, a exploração dos patrões gananciosos sobre os trabalhadores que não tem direitos salvaguardados pela lei... Isso, numa época de convulsão social, aumentada exponencialmente pela guerra do Vietnam. A música Southern Man, por exemplo, é aquela que deixou os caras daquela banda Lynyr-alguma coisa brabinhos, a ponto de comporem uma resposta. 






Neil Young - guitarra, vocal, harmônica, piano, vibrafone
Stephen Stills - vocal
Nils Lofgren - piano, vocal
Danny Whitten -guitarra, vocal
Jack Nitzsche - piano
Billy Talbot - baixo
Greg Reeves - baixo
Ralph Molina - bateria, vocal






1   Tell Me Why
2   After The Gold Rush
3   Only Love Can Break Your Heart
4   Southern Man
5   Till The Morning Comes
6   Oh, Lonesome Me
7   Don't Let It Bring You Down
8   Birds
9   When You Dance You Can Really Love
10 I Believe In You
11 Cripple Creek Ferry

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Max Roach - We Insist! - Max Roach's Freedom Now Suite (1960)








Max Roach foi um dos maiores bateristas de jazz de todos os tempos. Ele nasceu em 1924 na Carolina do Norte e quatro anos depois sua família mudou-se para Nova Iorque. Sua mãe era cantora de gospel e com dez anos de idade Max tocava bateria na igreja. Aos 18 ele já tocava com os grandes músicos, como Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Charles Mingus e Miles Davis. Seu trabalho foi criativo e inovativo, e ele sempre buscou novos caminhos, chegando a trabalhar com o rap.
Em 1959, ele e o letrista Oscar Brown Jr. começaram a compor esse álbum, pensando nas comemorações do centenário da emancipação dos escravos, promulgada por Abraham Lincoln em 1863. Repare no nome da cantora — e futura esposa. As faixas do álbum referem-se ao movimento de independência dos países da Africa e, consequentemente, ao movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. We Insist! foi tão político e desafiador que colocou Roach na famosa "lista negra", que muitos produtores e contratantes tinham que consultar. Na Africa do Sul ele causou uma onda de rebeliões que o fizeram ser banido. Um disco... banido. Frank Zappa, inteirinho, só conseguiu ser banido do Saturday Night Live.
Sempre aparecem aquelas listas dos discos mais isso, mais aquilo, e é tudo balela. "Freedom Now Suite" sim, realmente mudou muita coisa. De novo, um disco. 
Por aqui os milhares e milhares que saem em passeatas não conseguem mudar nadica de nada. Aí bate um desânimo, aquele calor ou a chuva no domingo, ou o frio, e ficamos na merda mesmo. As manchetes dos jornais parecem referir-se ao planeta Klingon e a manada mansa continua se contentando com pouco, acreditando em tudo e não cobrando nada. 





Max Roach - bateria
Coleman Hawkins - sax tenôr 
Walter Benton - sax tenôr
Julian Priester - trombone
Booker Little - trompete
Abbey Lincoln - vocal
James Schenck - baixo
Ray Mantilla - percussão
Michael Olatunji - percussão
Tomas DuVall - percussão





1 Driva'Man
2 Freedom Day
3 Triptych: Prayer/Protest/Peace
4 All Africa
5 Tears For Johannesburg












quarta-feira, 5 de abril de 2017

We Insist! - Oh! Things Are So Corruptible (2006)








Diga aí, meu amigo! Pelo título esse álbum poderia ser brasileiro, não é? Mas é francês. A França é um celeiro para a música de vanguarda e é isso que temos aqui. Essa banda escolheu seu nome com inspiração num álbum conceitual e politizado do baterista de jazz Max Roach, cujo título é "We Insist! Freedom Now Suite". A música que ela faz é uma combinação da forma livre do jazz com o avant-prog, usando progressão de acordes dissonantes e bruscas interrupções com riffs de metal. Então, nem precisaria dizer que os caras tocam pra caramba pra fazer tudo isso que eu disse antes, mas eu digo mesmo assim: eles tocam pra caramba.





Eric Martin - guitarra
Julien Divisia - guitarra, backing vocal
Cyrille Méchin - sax barítono e alto
François Wong - sax alto e tenor
Julien Allanic - baixo, piano
Etienne Gaillochet - bateria, vocal





1   An Architect
2   Imperial Catechism
3   My Own Delight
4   Seclusion
5   The Great Disorder
6   Half Awake
7   No Coward
8   Time Is Lazy
9   Exhausted
10 The Sailor
11 Down To The Cellar
12 Early Recollections




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Avalanche - Perseverance Kills Our Game (1979)








A banda holandesa Avalanche lançou apenas esse disco numa tiragem de 500 exemplares na época, quase totalmente distribuídos entre familiares e amigos. Considerando o baixo orçamento que tiveram para a gravação, a qualidade do som surpreende. As primeiras faixas são basicamente uma mistura muito legal de folk e rock instrumental, enquanto que a partir da faixa cinco as coisas entram num prog mais complexo e culminam no space-rock psicodélico na melhor tradição do Krautrock. Naturalmente esse álbum virou item caríssimo para colecionadores até seu relançamento em CD pelo selo catalão Guerssen. Normalmente essas raridades obscuras tão cultuadas são uma decepção para os ouvidos, mas esse não é o caso de Perseverance Kills Our Game. Duro é que, aparentemente, nenhum dos membros da banda perseverou na música. 





Rob Dekker - piano, teclados
Daan Slaman - guitarra, violão clássico
Jan Blom - vocal, bandolim, guitarra, baixo
Marcella Neeleman - flautas
Fred Dekker - baixo
Johan Spek - bateria





1 Lodalientje 
2 Cola-tik 
3 Hymn On Wind And Water
4 Maiden Voyage 
5 Gimmick For 20 Fingers 
6 Transcendence (for Leo) 
7 Images Of Long Gone By 
8 Oblivion


sexta-feira, 31 de março de 2017

Blodwyn Pig - Ahead Rings Out (1969)








Mick Abrahams foi membro fundador da Jethro Tull e saiu dela logo depois do lançamento do primeiro disco, This Was. Ele queria continuar com a mistura de blues-rock e jazz e discordou das mudanças que Ian Anderson pretendia. Rapidamente ele montou a Blodwyn Pig, cujo nome foi dado por um amigo chapado. Seus companheiros eram todos estreantes mas muito talentosos, especialmente Pyle e Berg. Eles proporcionaram a base segura para banda explorar vários estilos de blues, como o boogie, o country, delta e o R&B, tudo com uma tintura de jazz. Isso é o que diferenciou a Blodwin Pig das demais, que restringiam-se a um estilo apenas, e atraiu ótimas críticas. Ela lançou dois discos e se separou em 1970. Um pouco antes, o Peter Banks, que havia saído da Yes, juntou-se à ela por uns meses apenas. Mick Abrahams seguiu em carreira solo; Pyle e Berg foram para a Savoy Brown e Juicy Lucy, e Lancaster tocou com um monte de gente e é mais conhecido por sua versão da obra Pedro e o Lobo de Prokofiev.





Mick Abrahams - guitarra, guitarra slide 7 cordas, vocal
Jack Lancaster - flauta, sax tenôr, sax barítono, sax soprano, flautas, violino
Andy Pyle - baixo 6 cordas
Ron Berg - bateria
John Peverett - efeitos





1   It's Only Love
2   Dear Jill
3   Sing Me A Song That I Know
4   The Modern Alchemist
5   Up And Coming
6   Leave It With Me
7   The Change Song
8   See My Way
9   Ain't Ya Coming Home, Babe?
10 Sweet Caroline
11 Walk On The Water
12 Summer Day
13 Same Old Story
14 Slow Down
15 Meanie Mornay
16 Backwash

quinta-feira, 30 de março de 2017

James Gang - Live In Concert (1971)








James Gang foi um dos melhores power-trio do rock. Sem que tivessem a intenção, ela foi uma resposta americana às grandes bandas britânicas da época. Joe Walsh, sem dúvida, tinha tanto talento quanto Page ou Beck. Tanto é verdade, que Pete Townshend declarou sua admiração por ele. 
A James Gang lançou três excelentes álbuns — especialmente o Rides Again — que a colocaram junto com a nata do rock. Esse álbum ao vivo foi a sequência natural para uma banda que obteve a maior parte da sua reputação pelas suas apresentações, nas quais não parecia ser um trio, mas que talvez tivesse um quarto ou quinto membro escondidos, tal era a massa sonora. Live in Concert foi gravado em setembro de 1971 no Carnegie Hall, quatro meses antes da banda se separar. É que as coisas já não estavam bem: Walsh se sentia engessado num trio e queria expandir suas composições. Outro fator que contribuiu para o fim da banda foi a fama. Mais tarde o próprio Walsh explicou que o estilo de vida dos super astros suplantou a vontade de fazer boa música. Todos se preocupavam com carros e grana, e uma hora não deu mais pra ele. 
Esse é mais um ótimo álbum que fecha a primeira e grande fase da banda. A James Gang seria reformulada, mas nunca recuperaria a grandeza.
Nessa edição foi corrigido um pecado cometido nas outras edições em CD, que foi a adição de fade out.




Joe Walsh - guitarras de 6 12 cordas, vocal, Hammond B3
Dale Peters - baixo, vocal, percussão
Jim Fox - bateria, percussão, violão





1 Stop
2 You're Gonna Need Me (Albert King)
3 Take A Look Around
4 Tend My Garden
5 Ashes, The Rain & I
6 Walk Away
7 Lost Woman (Yardbirds)

terça-feira, 28 de março de 2017

James Cotton - Cotton Mouth Man (2013)







Cotton Mouth Man é o último disco de James Cotton e é um dos mais energéticos que ele lançou. Nem de longe aparenta, mas ele tinha 77 anos. Ele já quase não podia cantar, sequela de um tumor na garganta que apareceu nos anos 90 e do qual curou-se. Mas tocar, meu Deus... Então, o microfone ficou para os ilustres convidados.





1 Cotton Mouth Man
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, vocal
Joe Bonamassa - guitarra
Rob McNelley - guitarra rítmica
Tommy MacDonald - baixo
Darrell Nulisch - vocal

2 Midnight Train
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria
Chuck Leavell - piano Wurlitzer 
Tom Holland (Steppenwolf) - guitarra
Noel Neal - baixo
Gregg Allman - vocal

3 Mississippi Mud
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, percussão
Chuck Leavell - piano
Rob McNelley - guitarra
Glenn Worf - baixo acústico
Keb Mo - vocal

4 He Was There
James Cotton - harmônica
Jerry Porter - bateria
Chuck Leavell - piano
Tom Holland - guitarra
Noel Neal - baixo
Darrell Nulisch - vocal

5 Something For Me 
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, percussão
Chuck Leavell - piano
Tom Holland - guitarra
Noel Neal - baixo
Warren Haynes - guitarra, vocal

6 Wrapped Around My Heart
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, percussão
Chuck Leavell - Hammond B3 
Rob McNelley - guitarra
Glenn Worf - baixo
Ruthie Foster - vocal

7 Saint On Sunday
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria
Chuck Leavell - piano Wurlitzer 
Rob McNelley - guitarra
Glenn Worf - baixo
Darrell Nulisch - vocal

8 Hard Sometimes
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria
Chuck Leavell - piano
Rob McNelley - guitarra
Glenn Worf - Upright Bass
Delbert McClinton - Vocals

9 Young Bold Women
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, percussão
Chuck Leavell - Hammond B3
Rob McNelley - guitarra
Glenn Worf - baixo acústico
Darrell Nulisch - vocal

10 Bird Nest On The Ground
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, percussão
Chuck Leavell - piano
Tom Holland - guitarra
Noel Neal - baixo
Darrell Nulisch - vocal

11 Wasn't My Time To Go 
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria
Chuck Leavell - piano Wurlitzer
Rob McNelley - guitarra
Glenn Worf - baixo acústico
Keb Mo - vocal, guitarra

12 Blues Is Good For You
James Cotton - harmônica
Tom Hambridge - bateria, percussão
Chuck Leavell - teclados
Rob McNelly - guitarra
Glenn Worf - baixo
Darrell Nulisch - vocal

13 Bonnie Blue 
James Cotton - harmônica, vocal
Colin Linden - ressonador