sábado, 7 de outubro de 2017

Sweet Slag - Tracking With Close-Ups (1971)








Essa banda é inglesa, esse é o único disco que ela lançou e isso é tudo o que eu sei sobre ela. Deduzo que ela não teve muito apoio do selo President ao qual esteve associada porque o som do vinil original é péssimo — essa versão em CD conseguiu melhorar um pouco. É uma pena porque a música nele é bem legal, misturando o hard-rock baseado em blues, que lembra de leve a Cream, ao jazz numa forma livre.





Mick Kerensky - guitarra
Paul Jolly - sax alto, sax soprano, clarinete, flauta, oboé
Jack "Moth" O'Neill - baixo, trombone
Al Chambers - percussão





1 Specific
2 Milk Train
3 Rain Again
4 Patience
5 Twisted Trip Woman
6 World Of Ice
7 Babyi Ar

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

T-Bone Walker - Good Feelin' (1969)








Antes de T-Bone Walker a guitarra ficava no fundão das bandas, exercendo um papel meramente rítmico. Foi Walker quem colocou o instrumento como líder e como a principal voz do blues pelas décadas que viriam. Pode-se dizer sem medo que ele inventou o conceito de guitarra elétrica no blues e o som característico dela, numa afinação que a aproximava dos metais. Ele inovou e sofisticou a maneira de compor e incluiu muitas mudanças vindas do jazz. 
A eletricidade não estava só no instrumento, mas no próprio T-Bone. Ele que tinha atuado como dançarino, incluía performances inusitadas no palco, como tocar a guitarra por detrás da cabeça e tocá-la com os dentes. Pois é, Hendrix o imitou; Chuck Berry também; e também James Brown, à sua maneira.
Como aconteceu com a maioria dos bluesmen, a carreira de Walker foi mais e mais sombreada pelo rock e pelo pop dos anos 60. Mas em 69 ela tomou um fôlego — pequeno, é verdade — ao ganhar um Grammy por Good Feelin'.





T-Bone Walker - guitarra, piano, vocal
Slim Pezin - guitarra
Michel Sardaby - piano
Bernard Estardy - órgão, piano, percussão
Manu Dibango - sax, órgão, percussão
Francis Cournet - sax
Pierre Holassian - sax
Jeannot Karl - baixo
Lucien Dobat - bateria
Jean-Louis Proust - percussão
Earl Lett - percussão





1  Good Feelin
2  Everyday I Have The Blues
3  Woman You Must Be Crazy
4  Long Lost Lover
5  I Wonder Why
6  Vacation
7  Shake It Baby
8  Poontang
9  Reconsider
10 Sail On Little Girl
11 When I Grow Up
12 See You Next Time

domingo, 1 de outubro de 2017

Big Joe Turner with Pee Wee Crayton & Sonny Stitt - Everyday I Have The Blues (1975)








Big Joe Turner foi um cantor de jazz blues, jump-blues, blues urbano e R&B que exerceu muita influência no do rock 'n' roll. Na adolescência ele trabalhou como barman e leão-de-chácara em vários clubes, nos quais eventualmente começou a dar umas palhinhas. A partir do meio dos anos 20, ele estabeleceu uma duradoura parceria com um pianista de boogie-woogie chamado Pete Johnson. Juntos ele compuseram grandes sucessos que foram gravados por vários outros músicos. Entre esses sucessos está "Roll Em', Pete", gravada por Jimmy Reed. 
O melhor período de Turner foi nos anos quarenta e cinquenta, quando muito do seu estilo vocal incluiu elementos do jazz e do swing. Ele gravou "Sweet Sixteen" bem antes de B.B. King e empregou Elmore James como guitarrista.
Talvez o pico da sua sua carreira tenha sido em 1954 quando Charles Calhoun compôs Shake, Rattle And Roll especialmente para ele. No mesmo ano Bill Halley a gravou e em seguida Elvis Presley também. Empolgado, Turner emplacou outros sucessos na mesma linha, como "Flip, Flop and Fly". 
Nos anos 60 sua carreira entrou em declínio depois que ele passou a gravar músicas pop de fácil digestão. Logo ele, cujas letras anteriores eram vulgares, quase explicitamente sexuais.
Nos anos 70 ele excursionou com a orquestra de Count Basie, e nos anos 80 ele se fez acompanhar pela banda Roomful of Blues e pelo guitarrista Ronnie Earl.





Big Joe Turner - vocal
Sonny Stitt - sax tenor, sax alto
Pee Wee Crayton - guitarra
J.D. Nicholson - piano
Charles Norris - baixo
Washington Rucker - bateria





1 Stormy Monday [T. Bone Walker]
2 Piney Brown (K.C.)
3 Martin Luther King Southside
4 Everyday I Have The Blues [Memphis Slim]
5 Shake, Rattle And Roll [Charles Calhoun]
6 Lucille

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bacon Fat - Grease One For Me (1970)








George "Harmonica" Smith nasceu em 1924 no Arkansas. Ele começou a tocar blues muito cedo e praticou exaustivamente até o ponto de poder viver da música decentemente. Nos anos 50 ele mudou-se para Chicago e integrou a banda de Muddy Waters por um ano. Daí ele foi para a costa oeste americana onde ganhou respeitabilidade, mas frequentemente voltava à Chicago para tocar com Otis Spann e Otis Rush.
Rod Piazza nasceu na California em 1947. Entre seus ídolos estavam Little Walter e o próprio Harmonica Smith. Pois foi num desses retornos de Chicago de Harmonica Smith que ambos começaram a trabalhar juntos e formaram a eletrificada Bacon Fat. 
Além de lançar dois discos — este é o primeiro — a banda acompanhou T-Bone Walker, Big Joe Turner e Big Mama Thornton.





George "Harmonica" Smith - harmônica, vocal
Rod "Gingerman" Piazza - harmônica, vocal
J.D. Nicholson - piano, vocal
Gregg Schaefer - guitarra, bandolim
Buddy Reed - guitarra, vocal
Jerry Smith - baixo
Dick Innes - bateria





1  Up The Line
2  Boom Boom (Out of The Lights)
3  Small's On 53rd
4  She's A Wrong Woman
5  I Need Your Love
6  Juicy Harmonica
7  Nobody But You
8  Telephone Blues
9  You're So Fine
10 Too Late

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Wind - Seasons (1971)








Essa banda é alemã de Erlangen e começou sua carreira no meio dos anos 60 como um grupo beat que tocava principalmente em bases militares americanas. Em 1969, após várias mudanças de nome e de pessoal, ela foi rebatizada como Chromosom e apresentava um som influenciado pela west coast music. 
Com a entrada de Bernd Leistner o som da banda foi mudando para o lado do prog e eles conseguiram um contrato com um selo recém criado chamado +Plus+. Esse é o disco de estréia e as músicas são poéticas e complexas, cheias de partes instrumentais. Elas tem muita influência anglo-americana, sobretudo da Vanilla Fudge e da Deep Purple, mas alinha-se com as conterrâneas Ikarus e 2066 And Then. Esse álbum é considerado um clássico mas o seguinte, lançado apenas um ano depois, é feito de músicas curtas e sem envolvimento instrumental.





Lucian Büeler - órgão, piano, vocal, percussão
Thomas Leidenberger - guitarra, vocal
Bernd "Steve" Leistner - vocal, harmônica, flauta  [Schlotterla
Andreas Büeler - baixo, vocal
Lucky Schmidt - bateria, percussão, vibrafone, Clavinet, piano (3)
com
Jochen Petersen - flauta (1)





1 What Do We Do Now
2 Now It's Over
3 Romance
4 Springwind
5 Dear Little Friend
6 Red Morningbird

domingo, 24 de setembro de 2017

Diabolus - Diabolus (1972)








A Diabolus foi uma banda de Oxford, Inglaterra, que fez uma mistura muito competente de jazz e prog-rock. O amplo uso da flauta lembra bastante a Jethro Tull e na faixa 2 eu diria que é um pouco mais do lembrança. 
Dizem que a banda estabeleceu-se na Alemanha mas o que na verdade aconteceu é que, em 1971, as gravadoras inglesas não quiseram lançar o disco por não verem muita viabilidade comercial. Como o baterista era alemão, ele usou seus contatos e conseguiu que o selo Bellaphon enfim o lançasse no ano seguinte. E esse foi único álbum da Diabolus.





John Hadfield - guitarra, vocal
Anthony Hadfied - baixo, vocal
Philip Howard - flauta, sax, orgão, piano
Ellwood Von Seibold - bateria





1 Lonely Days
2 Night Clouder Moon
3 1002 Nights
4 3 Piece Suite
5 Lady Of The Moon
6 Laura Sleeping
7 Spontenuity
8 Raven's Call


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ornette Coleman - The Shape Of Jazz To Come (1959)







Ornette Coleman nasceu no Texas, tocou na banda de Pee Wee Crayton e foi piloto de elevador — durante as paradas nos andares ele estudava música. Ele chegou em Nova York em 1959 e foi nesse momento que o jazz de vanguarda, ou free jazz, ou "new thing", teve seu grande impulso. Tocando um sax de plástico ele dividiu a comunidade jazzística; alguns o consideravam um gênio, outros, um charlatão. Os primeiros achavam que ele era uma extensão de Charlie Parker, um cara que pegou de onde Bird parou, sem imitá-lo. Os outros achavam que até começava bem uma música, mas de repente ia para o espaço sideral. De certa forma, sim. Coleman mesmo declarou que não dizia para os músicos do seu quarteto como deveriam tocar, e sim, que deveriam ouvir a própria musica e interpretar com seus sentimentos. Esse quarteto, aliás, já era meio incomum por não ter instrumentos de cordas, como o piano — acusavam-no de rejeitar a tradição do jazz. Dessa forma, suas músicas não estavam amarradas à progressões harmônicas tradicionais e os solistas podiam mover-se para diferentes áreas, apenas com o baixo de Charlie Haden a manter a coisa unida.
O título desse álbum é bastante adequado e não foi Coleman quem escolheu. Ele já tinha outro mas quando os caras da Atlantic ouviram o material, impuseram "The Shape Of Jazz To Come". 





Ornette Coleman - sax alto
Don Cherry - trompete
Charlie Haden - baixo
Billy Higgins - bateria





1 Lonely Woman
2 Eventually
3 Peace
4 Focus On Sanity
5 Congeniality
6 Chronology



terça-feira, 19 de setembro de 2017

Porcupine Tree - Deadwing (2005)








O neo-prog que surgiu no início dos anos oitenta pegou influências do prog sinfônico mas fez concessões ao mercado, como ser melódico e adotar os sintetizadores como instrumentos dominantes. Do jazz não exibiu vestígios e a complexidade deu lugar à composições lineares, muito próximas do pop. Não a toa, foi um voo de galinha. 
Naturalmente, bons músicos sempre houve e aqueles que queriam fazer um rock com qualidade e boas idéias tiveram que buscar outras fórmulas. Alguns aproximaram-se ainda mais do jazz num som totalmente instrumental, e outros acrescentaram elementos do metal. 
Pessoalmente, eu acho que a grande banda desses nossos dias é a Porcupine Tree, muito embora ela esteja inativa há sete ou oito anos. Ela começou meio que satirizando o som espacial da Pink Floyd mas acabou mergulhada nele. Na sua trajetória ela foi se modificando com muita coerência, integridade e, acima de tudo, talento. Em 2002 ela saiu em turnê com a Yes e muita gente viu nisso um simbolismo, uma passagem de bastão. O que se sente é que essa trajetória sintetiza todo o gênero. 
A partir de 1999 ela lançou uma sequência de quatro álbuns fantásticos, cada um deles com mais e mais riffs típicos do metal, mais peso, até chegar a Deadwing, que eu considero o máximo.
Esse álbum foi baseado num roteiro escrito por Steven Wilson e pelo artista gráfico Mike Bennion para um filme que não chegou a ser realizado. Deadwing seria um personagem desse filme, um fantasma, mas o álbum não é uma trilha sonora. Como se supõe, o clima é soturno e há várias referências religiosas. O som é acessível o suficiente para cativar ouvintes mais jovens, mas é profundo o suficiente para sugerir de onde as coisas vêm. As canções são concisas, com exceção de Arriving Somewhere But Not Here. Ela começa com um minuto e meio de som ambiente, passa para um vocal suave ao som do violão, à la Pink Floyd, e quando a banda toda entra vão-se mais dez minutos de riffs, até o mais pesado, cortesia de Mikael Åkerfeldt.
Essa edição inclui uma faixa bônus e um segundo CD com faixas já conhecidas, algumas em versão ao vivo. 





Steven Wilson - guitarras, violão, teclados, Dulcimer, baixo
Richard Barbieri - teclados
Colin Edwin - baixo
Gavin Harrison - bateria, percussão

com (CD 1):
Adrian Belew - guitarra solo (1,4)
Mikael Åkerfeldt (Opeth, Storm Corrosion) - guitarra (5), vocal (1, 3, 5, 10)





CD 1
1 Deadwing
2 Shallow
3 Lazarus
4 Halo
5 Arriving Somewhere But Not Here
6 Mellotron Scratch
7 Open Car
8 Start Of Something Beautiful
9 Glass Arm Shattering
10 Shesmovedon (2004 Version)

CD 2
1 Even Less
2 Pure Narcotic
3 How Is Your Life Today
4 Buying New Soul
5 Russia On Ice (Live)
6 Blackest Eyes
7 Trains (Edit)
8 Open Car
9 Lazarus (Single Edit)
10 Halo (Live)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Twelfth Night - Fact And Fiction (1982)








Quando o Rock Progressivo surgiu, e antes de assim ser chamado, algumas publicações se referiam ao gênero como "rock clássico influenciado pelo jazz". As bandas eram encaradas como curiosidades — alguém disse que o nome "Emerson, Lake & Palmer" poderia ser o de um escritório de advogados — mas rapidamente se transformaram em astros. Elas provaram que o rock não precisava ser necessariamente simples e bobo, que poderia ser complicado e bobo. O sucesso deu permissão para todo tipo de extravagância: álbuns conceituais não consensuais, instrumentos estranhos e pilhas deles, exibicionismo instrumental e exibicionismo no palco. Peter Gabriel tinha seus trajes, Rick Wakeman tinha sua capa de lantejoulas e Keith Emerson brigava com seu Hammond até o dia em que o órgão caiu em cima dele e foi preciso ajuda para libertá-lo do ippon. 




Todos levaram muito a sério o termo "progressivo", e isso não é uma crítica. Mas a auto-indulgência produziu seus males. Jon Anderson disse que era a forma mais elevada de arte e Robert Fripp declarou que queria fazer álbuns que durassem. Isso ele conseguiu. 
No final da década de setenta o boom do prog já tinha ido e a reação ao prog repudiou tudo o que ele estabeleceu, principalmente a inteligência. De uma patada só vieram o punk e a disco music. Depois veio o pior: a punk-disco ou disco-punk, ou "new wave". A new wave esfregou na cara dos punks o ditado que nada é tão ruim que não possa piorar. Mas passou, tudo passa (menos a KC).

Com nome tirado de uma peça de Shakespeare, a Twelfth Night é considerada a fundadora do Neo-Prog. Ela fez a ponte entre o prog e a new wave, mas não torça o nariz sem ouvir. Sim, ela é melódica e meio melosa mas as melodias são bonitas. São tristes também. Sim, a banda faz concessões comerciais, mas como resgatar um gênero sem fazê-lo? Sua principal influência vem da Genesis, sobretudo no vocal, e esse estilo vocal e melódico marcou todo o Neo-Prog. Seu legado está na Marillion, na IQ, Pallas...
Esse foi o primeiro álbum dela que teve um lançamento propriamente dito — há outras gravações anteriores que só saíram em cassete ou LP quase caseiro. O primeiro disco mesmo foi todo instrumental e gravado ao vivo, um verdadeiro ato de bravura naqueles dias.





Geoff Mann - vocal, efeitos
Clive Mitten - teclados, baixo, violão clássico
Andy Revell - guitarra, violão
Brian Devoil - bateria, percussão
Jane Mann - backing vocal





1 We Are Sane
2 Human Being
3 This City
4 World Without End
5 Fact And Fiction
6 The Poet Sniffs A Flower
7 Creepshow
8 Lovesong


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Jimi Hendrix - Message From Nine To The Universe (2006)








A ideia inicial dessa coletânea era mostrar que Hendrix estava propenso ao jazz entre 1969 e 1970. O principal material seriam as sessões que Hendrix gravou com John McLaughlin, mas parece que John não autorizou o uso delas. Essas gravações acabaram surgindo como bootlegs, com má qualidade sonora e sem muito interesse, nem jazz. O álbum saiu mesmo assim, só com jams muito editadas; entre elas algumas com o organista Larry Young e o baixista Dave Holland que foram companheiros de McLaughlin na banda Lifetime do Tony Williams. Também quase nada de jazz ou fusion se percebe, a não ser pelo estilo pessoal de Dave Holland. Talvez Hendrix ainda não tivesse pego a coisa, ou talvez fossem mesmo apenas jams descontraídas — Hendrix está sendo Hendrix e isso é sempre bom. Esse relançamento em CD é bacana porque os takes não estão editados, e ainda há faixas a mais.





Jimi Hendrix - guitarra, vocal
Larry Young - órgão (3, 4)
Dave Holland - baixo (2, 4, 6, 7)
Billy Cox - baixo (1, 3, 4, 5)
Buddy Miles (1, 2, 8, 9, 10), 
Mitch Mitchell - bateria (3 à 7)
Jim McCarty (Cactus) - guitarra (5)
Larry Lee (Gypsy Sun And Rainbows) - guitarra (10)
Juma Sultan (Gypsy Sun And Rainbows) - percussão (10)





1 Nine To The Universe
2 Jimi / Jimmy Jam
3 Young / Hendrix Jam
4 Easy Blues
5 Drone Blues
6 Midnight Lightning Jam
7 Highway Of Broken Dreams
8 Lonely Avenue Jam
9 Lover Man
10 Tring To Be