segunda-feira, 30 de abril de 2012

Bill Evans Trio - Waltz for Debby (1961)


Ninguém discute que Bill Evans é até hoje o pianista mais importante do jazz. De Keith Jarrett à Brad Mehldau, todos o citam como uma influência primária. De formação clássica, ele introduziu a técnica erudita e o estudo da harmonia ao jazz, somados a uma sensibilidade ímpar. De fato, Evans era um cara tímido, introspectivo e de fala mansa que parecia sempre deslocado a menos que estivesse ao piano. Essa vulnerabilidade acabou levando-o ao vício em heroína e cocaína que foram minando seu físico.
Esse disco foi gravado num clube de Nova Iorque e essas sessões renderam mais um álbum, Sunday At The Village Vanguard. Poucos dias depois, o jovem baixista LaFaro morreu num acidente de carro e Evans, de tão abalado, ficou recluso por quase um ano.

Bill Evans -piano
Scott LaFaro -baixo
Paul Motian -bateria

1 My Foolish Heart
2 Waltz For Debby [Take 2]
3 Detour Ahead [Take 2]
4 My Romance [Take 1]
5 Some Other Time
6 Milestones
7 Porgy (I Loves You, Porgy)
8 Discussing Repertoire
9 Waltz For Debby [Take 1]
10 Detour Ahead [Take 1]
11 My Romance [Take 2]

Charles Mingus - The Black Saint and the Sinner Lady (1963)


Baixista sem igual, grande compositor e bandleader, Charles Mingus não viveu essa glória. Em vida ele sofreu muito com o racismo e com a oposição da indústria fonográfica às suas idéias. Ao racismo ele respondia com títulos politizados como "Fables of Faubus", uma referência a um governador do Arkansas que queria manter a segregação nas escolas. Àqueles que tentavam limitá-lo ele respondia com agressividade. Mingus era um cara grande e, não raro, usava isso para intimidar quem quer que fosse. Se um músico atravessasse, coitado; se alguém da platéia atrapalhasse, perigava ele parar tudo prá dar uma bronca — proto Robert Fripp. Na verdade a coisa era extrema, ele berrava, ofendia e ridicularizava. Claro que arrumou um monte de detratores pelo caminho e essas batalhas lhe causaram várias crises nervosas. Em 77 ele foi dignosticado com uma séria doença neurológica que avançou rapidamente deixando-o em cadeira de rodas até falecer em 79, aos 57 anos.
Esse disco é seu auge criativo e um dos momentos mais altos do jazz todo. Devido ao perfeccionismo inflexível de Mingus, esse foi o primeiro album de jazz a usar overdubs.

Charles Mingus -baixo,piano
Jay Berliner -guitarra
Jaki Byard -piano
Charlie Mariano -sax alto
Dick Hafer -sax tenôr,flauta
Jerome Richardson -sax soprano,barítono,flauta
Richard Gene Williams -trompete
Rolf Ericson -trompete
Quentin Jackson -trombone
Don Butterfield -tuba
Dannie Richmond -bateria

1 Track A - Solo Dancer
2 Track B - Duet Solo Dancers
3 Track C - Group Dancers
4 Mode D - Trio and Group Dancers/Mode E - Single Solos and Group Dance Mingus

domingo, 29 de abril de 2012

Joe Farrell - Moon Germs (1972)


Farrell teve sólida formação em clarinete e depois dedicou-se a vários outros sopros, incluindo o sax. Ele tocou com Charles Mingus e outros proeminentes e foi experimentando coisas novas aqui e ali, como com a banda de psy-folk Pearls Before Swine, Hermeto Pascoal e até mesmo o Tom Jobim. Ele comçou a trocar figurinhas com o Chick Corea lá no meio dos anos 60 e acabou sendo membro original da célebre Return to Forever. Mas as drogas, sempre elas, estragaram tudo.
Os músicos nesse disco dispensam qualquer introdução, né mesmo?

Joe Farrell -sax e flauta
Herbie Hancock -piano
Stanley Clarke -baixo,vocal
Jack DeJohnette -bateria
com
Ron Carter -baixo,cello
Bob James -Harpsichord,piano elétrico
Hubert Laws -flauta
Gene Bertoncini -violão
Stuart Scharf -guitarra
Airto Moreira -percussão
David Friedman -percussão,vibrafone
Jane Taylor -fagote
Walter Kane -fagote
Wally Kane -fagote

1 Great Gorge
2 Moon Germs
3 Time's Lie
4 Bass Folk Song

Keith Tippett Group - Dedicated To You, But You Weren't Listening (1971)


Keith Tippett é bem conhecido dos progheads por ter sido membro do King Crimson mas além desse lado ou melhor dizendo incluído nele, Tippett é um jazzista muito comprometido. De uma família de músicos, ele aprendeu piano e outros instrumentos de sopro muito cedo e sobre as partituras do jazz. Keith lançou seu primeiro disco solo chamado "You Are Here...I Am There" em 69 e junto teria composto a maioria do material para este aqui mas logo em seguida veio o KC, houve participações em trabalhos da Julie Driscoll e o "Dedicated..." foi finalizado em 71. Além de ter uma capa muito bacana ele é considerado um dos melhores discos do jazz inglês. Aqui está meia Soft Machine, com cujos membros ele já havia trabalhado antes e trabalharia ainda mais depois.

Keith Tippet -piano,piano elétrico Hohner
Elton Dean(Soft Machine) -sax
Nick Evans(Soft Machine) -trombone
Mark Charig(Soft Machine)-corneta
com
Gary Boyle(Isotope) -guitarra
Roy Babbington(Soft Machine,Nucleus) -baixo
Neville Whitehead -baixo
Robert Wyatt(Soft Machine) -bateria
Phil Howard(Soft Machine) -bateria
Brian Spring -bateria
Tony Uta -percussão

1 This is What Happens
2 Thoughts to Geoff
3 Green and Orange Night
4 Gridal Suite
5 Five After Dawn
6 Dedicated to You, But You Weren't Listening
7 Black Horse

sábado, 28 de abril de 2012

Tina Brooks - True Blue (1960)


Olha, o nome dele é Haroldo. O Tina aí é variação de "tiny" ou "teeny", sacou? Então não se fala mais nisso, mesmo porque o cara é um gigante do sax que teve uma carreira extremamente curta. Culpa da heroína. As gravações mais importantes dele foram todas pelo sêlo Blue Note entre 1956 e 61, depois disso ele não gravou mais nada, até falecer em 74. Seu disco de estréia, Minor Move, só foi lançado uns vinte anos depois mas hoje ele é reverenciado pela sofisticação ao compor e pela maneira passional com que tocava.

Tina Brooks -sax tenôr
Freddie Hubbard -trompete
Duke Jordan -piano
Sam Jones =baixo
Art Taylor -bateria

1 Good Old Soul
2 Up Tight's Creek
3 Theme For Doris
4 True Blue
5 Miss Hazel
6 Nothing Ever Changes My Love For You

Art Blakey - Paris Jam Session (1959)


Art Blakey era o cara para quem só existiam dois tipos de baterista: os que a tocam e os que batem nela. Não creio que alguém ouse contradizê-lo.
Esse foi um concerto realizado no Teatro dos Campos Elíseos em dezembro de 59 em que tudo deu errado e saiu perfeito. Primeiro o programa tava todo errado e esperava-se que o público emputecesse. Depois, havia uma lista enorme de músicos convidados que não apareceram e o Bud Powell nem sabia que iria tocar, tava lá só prá assistir aos amigos. Mas é bem como aquele slogan de publicidade, nada supera o talento.
Paris nessa época era palco, refúgio e morada para um sem número de grandes jazzistas que lá buscavam maior reconhecimento e menos racismo, e assim, o sêlo Verve lançou uma extensa coleção desses grandes momentos. Essa mesma coleção foi relançada pela Universal em parceria com a fabricante de cigarros Gitanes, mas se pensa ela que isso a redime, que morra mais rápido.

Art Blakey -bateria
Bud Powell -piano
Lee Morgan -trompete
Barney Wilen -sax alto
Wayne Shorter -sax tenôr
Walter Davis Jr. -piano
Jymie Merritt -contra-baixo

1 Dance Of The Infidels [Powell]
2 Bouncing With Bud [Powell]
3 The Midget [Morgan]
4 A Night In Tunisia [Dizzy Gillespie]

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Herbie Hancock - Empyrean Isles (1964)


Por sugestão do Herbie Hancock, a ONU criou o "Dia Mundial do Jazz" a ser comemorado todo dia 30 de abril. Justo. E já que ele sugeriu, é justo também comemorar ao som de sua música.
Olha, se esse não for seu melhor trabalho, no mínimo é aquele que o projetou definitivamente. Nessa época Hancock já estava trabalhando com Miles Davis e aí já viu, né? Se antes ele tinha gravado com big bands, aqui a coisa se resume a três jovens e geniais companheiros. Além de tudo, apresenta Cantaloupe Island, um dos temas mais emblemáticos do jazz, segundo o IBGE.


Herbie Hancock -piano
Freddie Hubbard -corneta (trompete curto)
Ron Carter -baixo
Tony Williams -bateria

1. One Finger Snap
2. Oliloqui Valley
3. Cantaloupe Island
4. The Egg
5. One Finger Snap [alternate take]
6. Oliloqui Valley [alternate take]

Room - Pre-Flight (1970)


A Room é mais uma daquelas ótimas bandas inglêsas que lançaram um disco muito bom e que sem mais nem menos desapareceram depois. O som dela é prog com vários elementos de blues e jazz, e o instrumental é bastante amplo, o que sugeriria uma aproximação ao sinfônico mas não chega a tanto — quem domina é a guitarra.

Chris Williams -guitarra
Steve Edge -guitarra
Jane Kevern -vocal,pandeiro
Michael J. Hart -baixo
Roy Putt -baixo
Cello– Denis Nesbitt -cello
Norman Jones -cello
Bob Jenkins -bateria,percussão
Mo Miller -flugelhorn
Peter Hodge -trombone
J. McLevy -trompete
N. Carter -trompete
Ray Hudson -trompete
Max Burwood -viola
Tom Lister -viola
Brian Smith -violino
Denis East -violino
Eric Eden -violino
Raymond Moseley -violino

1 Pre-Flight Parts I & II
2 Where Did I Go Wrong
3 No Warmth In My Life
4 Big John Blues
5 Andromeda
6 War
7 Cemetery Junction Parts I & II

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Killing Floor - Killing Floor (1969)


O nome Killing Floor saiu de uma música de Howlin' Wolf que está no seu disco The Real Folk Blues e a banda nasceu em Londres, inicialmente como um duo formado pelo Clarke e pelo Thorndycraft. Como o blues estava na ordem do dia, eles quiseram aumentar o plantel e seguir nessa. E fizeram um considerável sucesso, já que logo de cara arrumaram contrato e pouco depois já estavam abrindo concertos para Ten Years After, Yes, The Nice e Tull, por exemplo. A favor do talento deles, deve-se dizer ainda que enquanto a maioria das bandas bluseiras da época limitavam-se a covers ou releituras de clássicos, eles compunham ótimo material e nesse disco aqui, o de estréia, só incluiram um standard.

Mick Clarke -guitarra
Bill Thorndycraft -vocal,harmônica
Lou Martin -piano,órgão
Stuart MacDonald -baixo
Bazz Smith -bateria

1 Woman, You Need Love [Willie Dixon]
2 Nobody By My Side
3 Come Home Baby
4 Bedtime Blues
5 Sunday Morning
6 Try To Understand
7 My Mind Can Ride Easy
8 Wet
9 Keep On Walking
10 Forget It!
11 Lou's Blues
12 People Change Your Mind

terça-feira, 24 de abril de 2012

George Harrison - Live In Japan (1992)


Como guitarrista, ele foi o cara para quem cada nota importava. Como músico, ele quis ir muito além da música, além do espírito da música, exibindo a tragédia — Nietzsche iria curtir — de populações inteiras no oriente que o ocidente fazia de conta que nem sabia. Como Beatle, ele foi o cara que detestava se apresentar ao vivo.
Depois de uma ausência de vários anos dos palcos, George Harrison fez essa turnê pelo Japão acompanhado pela banda de Eric Clapton inteirinha, incluindo até o próprio. Essas bandinhas amadoras são assim mesmo: de porteira fechada sai mais em conta.

George Harrison -guitarra,violão,slide,vocal
Eric Clapton -guitarra,vocal
Andy Fairweather-Low -guitarra,vocal
Nathan East - bass, backing vocals
Greg Phillinganes -teclados,Hammond,vocal
Chuck Leavell -piano,teclados
Steve Ferrone -bateria
Ray Cooper -percussão
Katie Kissoon -vocal
Tessa Niles -vocal


CD 1
1 I Want To Tell You
2 Old Brown Shoe
3 Taxman
4 Give Me Love (Give Me Peace On Earth)
5 If I Needed Someone
6 Something
7 What Is Life
8 Dark Horse
9 Piggies
10 Got My Mind Set On You

CD 2
1 Cloud 9
2 Here Comes The Sun
3 My Sweet Lord
4 All Those Years Ago
5 Cheer Down
6 Devil's Radio
7 Isn't It A Pity
8 While My Guitar Gently Weeps