quinta-feira, 10 de maio de 2012
If - Waterfall (1972)
Se não se deu conta disso ainda, digo-lhe que cachoeira é a coisa mais comum no Brasil. Tem de tudo quanto é jeito, de todo tamanho e em todo lugar. Tem aquelas que molham de senador prá cima e outras muitas que molham de senador prá baixo. Nem é coisa dos nossos dias como o noticiário pode fazer crer, tanto que lá em 1972 a banda If lançou esse álbum Waterfall em nossa homenagem.
A If foi uma banda inglêsa que fundia muito bem o jazz ao rock. Seus membros tinham muito talento para improvisar e entre eles estava um ótimo guitarrista. Enquanto outras bandas do gênero usavam uma seção de metais, a If baseava seu som apenas no sax e na flauta, coisa que foi bastante imitada por inúmeras bandas alemãs. Esse é o único disco da If que tem um título alfabético, ou alfanumérico. É que ele foi lançado nos EUA como Waterfall e na Europa como If 4, depois do 3, do 2 e do...não lembro. Durante as gravações houve troca do baterista e do baixista e um pouco depois do lançamento a banda se desfêz. Talvêz seja o que nos espera.
Dick Morrissey -sax,flauta,vocal
J. W. Hodkinson -vocal,percussão
Terry Smith -guitarra
Dave Quincy -sax,piano elétrico
Jim Richardson -baixo
Dave Wintour -baixo,vocal
Dennis Elliott -bateria
Cliff Davies -bateria
John Mealing -órgão,piano
1 Waterfall
2 The Light Still Shines
3 Sector 17
4 Paint Your Pictures
5 Cast No Shadows
6 Throw Myself to the Wind
7 You in Your Small Corner
8 Waterfall (Single Version)
9 Waterfall (Radio Station Mono Version)
terça-feira, 8 de maio de 2012
Gong - Gazeuse! (1976)
Quem curtia a Gong da fase do Daevid Allen, aquele space-prog do Flying Teapot, estranhou prá caramba essa guinada ao jazz-rock totalmente instrumental. Tudo bem que já tinha aquele disco anterior sem o Allen, o Shamal, mas o pessoal fêz careta na época assim mesmo.
Em Gazeuse!, que primeiro foi lançado em vinil como "Expresso", Pierre Moerlen tomou a liderança da banda e botou nela sua maestria. São detalhes e mais detalhes de percussão trabalhados minuciosamente, diálogos entre vibrafones permeados por frases curtas de sax e pela guitarra sobre-humana do Holdsworth. Francis Moze é um dos melhores seguidores do estilo de Jaco Pastorius e dá a liga perfeita.
Quem entende o prog como umbilicalmente ligado ao jazz, gosta demais desse disco. E quem não tá nem aí prá essas besteiras e achou o "umbilicalmente" a maior delas, vai achar delicioso de qualquer forma.
Pierre Moerlen -bateria,glockenspiel,marimba,tímpano,vibrafone
Allan Holdsworth -guitarra,violão,pedal steel,violino
Didier Malherbe -flauta,sax
Francis Moze -baixo sem trastes,gongo,piano,piano elétrico
Mireille Bauer -glockenspiel,marimba,tom-tom,vibrafone
Mino Cinelu -congas,cuíca,gongo,maracas,talking drum,triângulo
Benoit Moerlen -percussão,vibrafone
1 Expresso
2 Night Illusion
3 Percolations, Parts I and II
4 Shadows Of
5 Esnuria
6 Mireille
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Dave Stewart & Barbara Gaskin - Spin (1991)
Depois de um porre de Bruford, Stewart & Cia., nada melhor que um pouco mais. Lembrando que o Dave Stewart participou da primeira formação da banda Spirogyra com a Barbara Gaskin, a gente também lembra que o Bruford também participou do primeiro disco deles e que os dois acabaram se casando — não o Bruford com o Stewart, bem entendido.
Esse disco aqui é o segundo do casal como tal e é muito bonito, mesmo indo meio pro pop. A voz da Barbara é bárbara, como também o é o talento do Dave aos teclados e arranjos. O destaque vai para a faixa 2 que é construída sobre um poema de William Butler Yeats.
Dave Stewart -teclados,vocal
Barbara Gaskin -vocal
Andy Reynolds -guitarra,teclado baixo
Gavin Harrison (Porcupine Tree,KC) -bateria,percussão
Jimmy Hastings (Caravan,Hatfield & the North,Soft Machine) -clarinete,flauta
Roger Planer -voz
Sam Ball -voz
Dexter James -voz
Victor Lewis-Smith -voz
1 Walking the Dog
2 The Cloths of Heaven
3 8 Miles High
4 Amelia [Joni Mitchell]
5 Trash Planet
6 Golden Rain
7 Your Lucky Star
8 Cast Your Fate to the Wind/Louie Louie
9 The 60s Never Die
10 Star Blind
11 Hidden Track
domingo, 6 de maio de 2012
Bruford - Gradually Going Tornado (1980)
O terceiro e último disco de estúdio da Bruford já não conta com o Holdsworth que tinha ido gravar com a Gong e depois com a Soft Machine. No lugar entrou um seu protegido e seguidor, o John Clark, até então desconhecido e depois também. Mas o cara não decepciona e até soa como o Holdsworth. O que decepciona são os vocais. Mesmo demonstrando a vontade de voltar a ser prog que esse trabalho tem, o que nunca é mau em se tratando de Bruford, o Jeff Berlin deveria ter declinado em favor de uma das meninas aí. Em todo caso, ele compensa a voz com com o contorcionismo ao baixo, que tem maior destaque que nos outros álbuns.
Bill Bruford -bateria,percussão
John Clark (Aretha Franklin) -guitarra
Dave Stewart -teclados
Jeff Berlin -baixo,vocal
Georgie Born (Henry Cow) -cello
Barbara Gaskin (Spirogyra) -voz (8)
Amanda Parsons (Hatfield and the North) -voz (8)
1 Age of Information
2 Gothic 17
3 Joe Frazier
4 Q.E.D.
5 The Sliding Floor
6 Palewell Park
7 Plans for J.D.
8 Land's End
sábado, 5 de maio de 2012
Bruford - Rock Goes To College, Live 1979
Esse concerto foi gravado na Escola Politécnica de Oxford — que gosta de imitar a USP até no nome dos institutos — em março de 79 e lançado recentemente em 2006. Nele, Bruford executa o repertório de Feels Good to Me e antecipa músicas do One of a Kind, que tava no forno.
Bill Bruford -bateria,percussão
Annette Peacock -vocal
Allan Holdsworth -guitarra
Dave Stewart -teclados
Jeff Berlin -baixo,vocal
1 Sample and Hold
2 Beelzebub
3 The Sahara of Snow, Pt. 1
4 The Sahara of Snow, Pt. 2
5 Forever Until Sunday
6 Back to the Beginning
7 Adios a la Pasada (Goodbye to the Past)
8 5G
Bruford - Feels Good To Me (1977)
Primeiro disco solo do Bill depois que deixou o King Crimson ou o primeiro álbum da Bruford, que de certo modo manteve-se como uma banda até 1980. Embora indo para o jazz, e aí está o grande Kenny Wheeler prá atestar, ainda ouve-se um teco de KC e um tantão da Brand X, já que quem produz o disco é o Robin Lumley e John Goodsall está na guitarra.
Bill Bruford -bateria,percussão
Annette Peacock -vocal
Allan Holdsworth -guitarra
John Goodsall (Atomic Rooster,Brand X) -guitarra
Dave Stewart -teclados
Jeff Berlin -baixo,vocal
Neil Murray (National Health,Black Sabbath) -baixo
Kenny Wheeler -flugelhorn
1 Beelzebub
2 Back to the Beginning
3 Seems Like a Lifetime Ago, Pt. 1
4 Seems Like a Lifetime Ago, Pt. 2
5 Sample and Hold
6 Feels Good to Me
7 Either End of August
8 If You Can't Stand the Heat...
9 Springtine in Siberia
10 Adios a la Pasada (Goodbye to the Past)
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Bruford - One of a Kind (1979)
Um ano depois de participar da U.K., Bill Bruford reuniu um grupo realmente notável para fazer esse ótimo disco de fusion. Allan Holdsworth já tinha trabalhado com ele no primeiro disco solo e depois na U.K.; Jeff Berlin também tocou no Feels Good to Me e, embora mais versado em jazz, até tinha tido um teco de prog com o Patrick Moraz no Story of I. Aí chega a vez de falar do Stewart e a gente tem que dar o devido crédito: o Bruford pinta e borda na poliritimia, Holdsworth é phoda mesmo, mas o Stewart leva o prêmio aqui. Ele foi o tecladista da Spirogyra, da Khan com Steve Hillage e depois das três grandes bandas Canterbury: Egg, National Health e Hatfield and the North. O cara é ótimo.
Bill Bruford -bateria,percussão
Allan Holdsworth -guitarra
Dave Stewart -teclado
Jeff Berlin -baixo,vocal
1 Hell's Bells
2 One of a Kind, Pt. 1
3 One of a Kind, Pt. 2
4 Travels With Myself - and Someone Else
5 Fainting in Coils
6 Five G
7 The Abingdon Chasp
8 Forever Until Sunday
9 The Sahara of Snow, Pt. 1
10 The Sahara of Snow, Pt. 2
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Bill Evans Trio - Waltz for Debby (1961)
Ninguém discute que Bill Evans é até hoje o pianista mais importante do jazz. De Keith Jarrett à Brad Mehldau, todos o citam como uma influência primária. De formação clássica, ele introduziu a técnica erudita e o estudo da harmonia ao jazz, somados a uma sensibilidade ímpar. De fato, Evans era um cara tímido, introspectivo e de fala mansa que parecia sempre deslocado a menos que estivesse ao piano. Essa vulnerabilidade acabou levando-o ao vício em heroína e cocaína que foram minando seu físico.
Esse disco foi gravado num clube de Nova Iorque e essas sessões renderam mais um álbum, Sunday At The Village Vanguard. Poucos dias depois, o jovem baixista LaFaro morreu num acidente de carro e Evans, de tão abalado, ficou recluso por quase um ano.
Bill Evans -piano
Scott LaFaro -baixo
Paul Motian -bateria
1 My Foolish Heart
2 Waltz For Debby [Take 2]
3 Detour Ahead [Take 2]
4 My Romance [Take 1]
5 Some Other Time
6 Milestones
7 Porgy (I Loves You, Porgy)
8 Discussing Repertoire
9 Waltz For Debby [Take 1]
10 Detour Ahead [Take 1]
11 My Romance [Take 2]
Charles Mingus - The Black Saint and the Sinner Lady (1963)
Baixista sem igual, grande compositor e bandleader, Charles Mingus não viveu essa glória. Em vida ele sofreu muito com o racismo e com a oposição da indústria fonográfica às suas idéias. Ao racismo ele respondia com títulos politizados como "Fables of Faubus", uma referência a um governador do Arkansas que queria manter a segregação nas escolas. Àqueles que tentavam limitá-lo ele respondia com agressividade. Mingus era um cara grande e, não raro, usava isso para intimidar quem quer que fosse. Se um músico atravessasse, coitado; se alguém da platéia atrapalhasse, perigava ele parar tudo prá dar uma bronca — proto Robert Fripp. Na verdade a coisa era extrema, ele berrava, ofendia e ridicularizava. Claro que arrumou um monte de detratores pelo caminho e essas batalhas lhe causaram várias crises nervosas. Em 77 ele foi dignosticado com uma séria doença neurológica que avançou rapidamente deixando-o em cadeira de rodas até falecer em 79, aos 57 anos.
Esse disco é seu auge criativo e um dos momentos mais altos do jazz todo. Devido ao perfeccionismo inflexível de Mingus, esse foi o primeiro album de jazz a usar overdubs.
Charles Mingus -baixo,piano
Jay Berliner -guitarra
Jaki Byard -piano
Charlie Mariano -sax alto
Dick Hafer -sax tenôr,flauta
Jerome Richardson -sax soprano,barítono,flauta
Richard Gene Williams -trompete
Rolf Ericson -trompete
Quentin Jackson -trombone
Don Butterfield -tuba
Dannie Richmond -bateria
1 Track A - Solo Dancer
2 Track B - Duet Solo Dancers
3 Track C - Group Dancers
4 Mode D - Trio and Group Dancers/Mode E - Single Solos and Group Dance Mingus
domingo, 29 de abril de 2012
Joe Farrell - Moon Germs (1972)
Farrell teve sólida formação em clarinete e depois dedicou-se a vários outros sopros, incluindo o sax. Ele tocou com Charles Mingus e outros proeminentes e foi experimentando coisas novas aqui e ali, como com a banda de psy-folk Pearls Before Swine, Hermeto Pascoal e até mesmo o Tom Jobim. Ele comçou a trocar figurinhas com o Chick Corea lá no meio dos anos 60 e acabou sendo membro original da célebre Return to Forever. Mas as drogas, sempre elas, estragaram tudo.
Os músicos nesse disco dispensam qualquer introdução, né mesmo?
Joe Farrell -sax e flauta
Herbie Hancock -piano
Stanley Clarke -baixo,vocal
Jack DeJohnette -bateria
com
Ron Carter -baixo,cello
Bob James -Harpsichord,piano elétrico
Hubert Laws -flauta
Gene Bertoncini -violão
Stuart Scharf -guitarra
Airto Moreira -percussão
David Friedman -percussão,vibrafone
Jane Taylor -fagote
Walter Kane -fagote
Wally Kane -fagote
1 Great Gorge
2 Moon Germs
3 Time's Lie
4 Bass Folk Song
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