sábado, 4 de abril de 2020

Bob Dylan - Highway 61 Revisited (1965)







Highway 61 é a principal rota do blues, ela acompanha o rio Mississippi e liga a cidade onde Dylan nasceu à Memphis, Nova Orleans e outras cidades importantes para a música. E ela deu nome ao sexto álbum do Bob Dylan, um marco para ele e para a música. 
Highway 61 Revisited foi criado depois da volta de uma extenuante turnê acústica pelo Reino Unido. Dylan estava física e mentalmente exaurido e pensava realmente em largar tudo. Mas ao invés de largar, ele resolveu mudar. Adeus ao trovador do violão e gaita.
Ele começou a escrever como forma de lidar com a situação e nesse processo, que ele chegou a comparar a uma possessão, redescobriu o gosto pela coisa. E, se era para se reinventar, ele eletrificou-se. Chocou a platéia do festival de Newport, sendo vaiado e chamado de Judas. Contudo, ele fez um convite a Jimi Hendrix, Rolling Stones, Led Zeppelin, Beatles nas sua músicas mais cerebrais e tantos outros. Chuck Berry pode ter inventado o rock, então Dylan o reinventou. Alguns escritores dizem que os anos 60 só começaram depois do lançamento de Highway 61 Revisited.
Ele foi gravado em seis dias e além de não conter uma única música fraca, conta com a combinação imortal de Mike Bloomfield, Al Kooper e Harvey Brooks.




Bob Dylan - vocal, guitarra, harmônica, piano
Mike Bloomfield - guitarra
Charlie McCoy - guitarra
Al Kooper - piano, órgão
Paul Griffin - piano, órgão
Frank Owens - piano
Harvey Brooks - baixo
Russ Savakus - baixo 
Joe Macho, Jr. - baixo
Bobby Gregg - bateria
Sam Lay - bateria




1 Like A Rolling Stone 
2 Tombstone Blues 
3 It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry 
4 From A Buick 6 
5 Ballad Of A Thin Man 
6 Queen Jane Approximately 
7 Highway 61 Revisited
8 Just Like Tom Thumb's Blues 
9 Desolation Row 








quinta-feira, 2 de abril de 2020

Deep Purple - In Rock (1970)






Ok, esse não é nenhuma novidade mas como eu não o tenho visto muito por aí, para alguém bem jovem pode até ser.
In Rock é um marco na história do rock. Quando foi lançado não havia nada parecido, nem mesmo um gênero no qual ele pudesse ser confortavelmente encaixado. E o seu sucesso não reside apenas na capacidade de detonar woofers. Nessa época, tanto a Led Zeppelin como a Free estavam levando o blues-rock aos limites e a Deep Purple decidiu descartar a primeira parte da equação. Os caras voltaram a 1968 quando abriam shows para a Crazy World, banda de Arthur Brown e se inspiraram naquele som com o Hammond pesado, a percussão poderosa, claustrofóbico. 
Contudo, o elemento central do som da Deep Purple era Jon Lord e ele sempre negou a intensão de se fazer uma extensão da Crazy World, atribuindo o disco à somatória de todos os movimentos que a banda vinha fazendo. Ele também sempre atribuiu a escolha do título "In Rock" para diferenciar do álbum anterior, "In Concert". Ritchie Blackmore sempre reclamou daquele álbum, dizendo que a banda deveria fazer música para festas e não para salas de concerto. 
No estúdio todos estavam bastante comprometidos, o que não impediu algumas rusgas entre egos. Gillan reclamava que sua voz quase não era ouvida, ao que Blackmore proferia a famosa frase "who do you think you are".
Ian Gillan foi o primeiro gritador do rock e logo a banda passou a ser reconhecida pelo seu vocal. Durante as gravações, um acetato com um take de Child In Time chegou ao produtor Andrew Lloyd Webber que imediatamente o convidou para estrelar o musical Jesus Cristo Superstar. Tendo compromisso com a Deep Purple, ele aceitou apenas gravar os vocais para o disco, sendo, portanto, o primeiro intérprete de Jesus na produção.
Ao término das gravações ninguém decidia quais músicas seriam lançadas num single. Concordaram que Speed King seria o lado A mas empacaram no lado B. Então, pegaram uma jam de Blackmore, Gillan e Glover escreveram uma letra e em três horas surgiu Black Night. Os produtores estabeleceram que essa seria a música do lado A, ponto final, e lamentaram não poder incluí-la no LP. Black Night chegou ao número dois nas paradas e só foi incluída em coletâneas até se encaixar perfeitamente nessa edição especial de aniversário.
Os membros da banda se dividem quanto a qual seria o melhor álbum: este ou Fireball. Eu adoro o Fireball, mas In Rock exerce um papel muito maior na música.




Jon Lord - órgão Hammond
Ritchie Blackmore - guitarra
Ian Gillan - vocal
Roger Glover - baixo
Ian Paice - bateria




1   Speed King
2   Bloodsucker
3   Child In Time
4   Flight Of The Rat
5   Into The Fire
6   Living Wreck
7   Hard Lovin' Man
8   Black Night (Original Single Version)
9   Studio Chat
10 Speed King (Piano Version)
11 Studio Chat
12 Cry Free (Roger Glover Remix)
13 Studio Chat
14 Jam Stew (Unreleased Instrumental)
15 Studio Chat
16 Flight Of The Rat (Roger Glover Remix)
17 Studio Chat
18 Speed King (Roger Glover Remix)
19 Studio Chat
20 Black Night (Unedited Roger Glover Remix)







terça-feira, 31 de março de 2020

Rainbow - Difficult To Cure (1981)








Difficult To Cure é o quinto álbum da Rainbow e traz um novo line-up com substitutos para o insubstituível Cozy Powell e para Graham Bonnet. Bonnet ainda estava na banda quando as gravações começaram, uma versão da faxa 1 existe com sua voz, e suspeita-se que alguns backing vocals são dele também. Já Bob Rondinelli teve a responsabilidade sobre os ombros logo na sua estréia num estúdio.
O álbum é mais leve que os anteriores numa tentativa de conquistar as rádios. Não funcionou e funcionou. Os antigos fãs reclamaram mas uma nova legião de jovens impulsionou as vendas dele e o colocou nas paradas.
Ouvir Blackmore é sempre muito bom, melhor ainda quando acompanhado por Roger Glover, que também produz o disco.




Ritchie Blackmore - guitarra
Roger Glover - baixo
Don Airey - teclados
Joe Lynn Turner - vocal
Bob Rondinelli (Black Sabbath, Blue Öyster Cult) - bateria




1 I Surrender
2 Spotlight Kid
3 No Release
4 Magic
5 Vielleicht Das Nachster Zeit = Maybe Next Time  (or Vielleicht Das Nachste Mal, in a better translation)
6 Can't Happen Here
7 Freedom Fighter
8 Midtown Tunnel Vision
9 Difficult To Cure (Beethoven's Ninth)






domingo, 29 de março de 2020



John Zorn - Inferno (2015)







Este é o terceiro disco do trio absurdamente virtuoso criado por John Zorn. O trio se chama Simulacrum mas seu nome não é estampado nas capas. Zorn compõe, arranja e produz mas não toca.
Inferno é baseado na obra do escritor e filósofo sueco August Strindberg, cuja obra soturna foi inspiração para o expressionismo e o surrealismo. Uma dessas obras tem esse mesmo título e é de caráter autobiográfico, relatando suas obsessões com alquimia e ocultismo. Zorn escolheu essa obra em particular para compor a faixa título, que ocupa o centro do disco e quase metade da sua duração. As demais faixas também são inspiradas em outras obras de Strindberg.
O som é uma mistura bastante agressiva de Jazz e Metal e o trio junta gente desses dois mundos.




John Medeski - órgão
Matt Hollenberg - guitarra
Kenny Grohowski - bateria




1 Dance of Death
2 Pariah
3 Ghost Sonata
4 Inferno
5 Blasphemy
6 The Powers
7 Dreamplay

sexta-feira, 27 de março de 2020

Iceberg - Sentiments (1977)







Iceberg foi o grande expoente do jazz-rock espanhol e este é o terceiro disco dela. O anterior, Coses Nostres, é um clássico e este está no mesmo nível mas numa direção um pouco diferente, o que neste caso é louvável. O flamenco ficou um pouco de lado enquanto a banda explora mais o jazz-rock e o aspecto sinfônico. A espontaneidade também deu lugar para uma música mais séria e técnica, com passagens memoráveis de guitarra.




Joaquim "Max" Sunyer - guitarra, violão
Josep "Krtflus" Mas - piano, piano elétrico, sintetizadores
Primi Sancho Sancho - baixo
Jordi Colomer - bateria




1 Sentiments
2 Andalusia; Andalusia
3 A Sevilla
4 Ball De Les Fulles
5 Màgic
6 Joguines
7 Alegries Del Mediterrani

quarta-feira, 25 de março de 2020

Hiro Yanagida - Hiro Yanagida (1971)







Hiro Yanagida começou sua carreira na banda The Floral e depois dela fundou a Apryl Fool. Ele habitou o mundo underground e se notabilizou por colaborar com inúmeros projetos experimentais.
Esse é o segundo álbum solo dele e segue a linha do primeiro com uma clara influência de Frank Zappa. Ele mistura o ácido psicodélico ao prog e ao jazz. Os teclados dominam mas Kimio Mizutani arrebenta. 




Hiro Yanagida - teclados, vocal (5, 8)
Kimio Mizutani - guitarra (1 - 5, 6, 7, 8)
Keiju Ishikawa - baixo
Kiyoshi Tanaka - percussão (2, 3, 6, 8)
Kyosuke Tokano - percussão (1, 4, 5, 7)
com
Suiho Tosha - flauta (1)
Hiroto Kawamura - cello (3, 6)
Nozomu Nakatani - flauta (3, 6)
Ichiro Mimori - sax (7)
Joey Smith (Speed, Glue & Shinki) - vocal (7)




1 The Butcher
2 The Murder In The Midnight
3 Fantasia
4 Good Morning People
5 Always
6 The Skyscraper 42ndF
7 My Dear Mary
8 Melancholy

terça-feira, 24 de março de 2020

Metamorfosi - Inferno (1973)







Metamorfosi foi uma das poucas bandas a saírem da Sicília. Esse é o segundo álbum dela e é uma obra prima do rock progressivo italiano. Ele é um trabalho conceitual baseado na obra "Divina Comédia" de Dante, suas faixas são conectadas e rolam sobre múltiplos teclados. A seção rítmica também é um grande destaque. 
Apesar de não ser nada menos que soberba, a Metamorfosi não recebeu o reconhecimento que seria devido, mostrando que naquela época o grande público era tão indiferente à uma música refinada como o é hoje.




Jimmy Spitaleri - vocal, flauta
Enrico Olivieri - piano, órgão, clavinet, sintetizadores, vocal
Roberto Turbitosi - guitarra, baixo, vocal
Gianluca Herygers - bateria




1   Introduzione - Selva Oscura
2   Porta dell'Inferno
3   Caronte
4   Spacciatore di droga - Terremoto - Limbo
5   Lussuriosi
6   Avari
7   Violenti
8   Malebolge
9   Sfruttatori
10 Razzisti - Fossa dei giganti
11 Lucifero (Politicanti)
12 Conclusione

segunda-feira, 23 de março de 2020

Silberbart - 4 Times Sound Razing (1971)







Esse trio foi formado no norte da Alemanha a partir do fim de uma banda chamada Tonics. Ele se serviu do blues rock e do heavy-psych desse início de década mas adotou um estilo pouco convencional de composição, meio esquizofrênico, pela a atonalidade entre os instrumentos. 
Eles entraram no estúdio com a intenção de gravar umas demos mas o resultado foi um dos mais potentes e dementes álbuns do krautrock. Logo ganharam a reputação de uma das bandas que tocavam mais alto e a guitarra com fuzz e distorção os colocou na vanguarda como proto-metal.
Logo depois de lançarem o disco, contudo, se separaram e o baterista é quem teve alguma projeção mais tarde.




Hajo Teschner - guitarra, vocal
Werner Klug - baixo
Peter Behrens - bateria, percussão




1 Chub Chub Cherry
2 Brain Brain
3 God
4 Head Tear Of The Drunken Sun

domingo, 22 de março de 2020

Murple - Io Sono Murple (1974)







Este único álbum da Murple está no patamar mais alto da tradição dentro do Rock progressivo Italiano de álbuns conceituais e com faixas integradas. Ele equilibra o rock pesado e as influências clássicas, deixando as partes mais agressivas para a guitarra e os temas mais refinados para os teclados, numa espécie de duelo.
A banda foi muito infeliz ao se associar a um selo com pouca experiência em promover esse tipo de música, e uma sucessão de problemas atrasou o lançamento do disco, fazendo com que a Murple fosse esquecida.




Pier Carlo Zanco - vocal, órgão, piano, sintetizador, baixo acústico
Pino Santamaria - guitarra, violão,vocal
Mario Garbarino - baixo, bongôs, triângulo
Duilio Sorrenti - bateria, gongo, timbales, percussão




1 Antartide / Metamorfosi / Pathos / Senza Un Perché / Nessuna Scelta / Murple Rock
2 Preludio E Scherzo / Tra I Fili / Variazioni In 6/8 / Fratello / Un Mondo Cosi / Antarplastic
3 Il Vecchio Castello
4 Il Ballo Dei Pulcini
5 Limoges
6 Nani E Clown (Live 1973)