segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Emerson, Lake & Palmer - Welcome Back, My Friends, To The Show That Never Ends - Ladies And Gentlemen (1974)







Este acabou por ser o álbum perfeito da ELP, justamente por reunir o melhor dos discos de estúdio e forçar os três a caminharem numa mesma direção, sem overdubs, acelerando o andamento quando necessário para que as coisas se encaixassem sem contar com o engenheiro Eddy "Are You Ready" Offord. 
"Welcome Back..." foi gravado em fevereiro de 1974 na Califórnia durante a turnê 73/74. Trinta e seis toneladas de equipamentos, duas toneladas só da bateria em aço inox do Palmer, oito Moogs... Tudo tão superlativo quanto este álbum: três LPs, duas horas de música.
Não é difícil perceber que, se as coisas se encaixaram tão bem mesmo com as improvisações extravagantes do Emerson e com Lake se atrapalhando em algumas de suas próprias letras, isso deve-se ao talento do Sr. Carl Palmer.

O título do álbum também é perfeito porque ele parece mesmo interminável e ele também pode servir como uma ironia ao momento que estamos vivendo agora. Mas agora o show é de horrores.




Keith Emerson - órgão, piano, Moogs
Greg Lake - baixo, guitarra, vocal
Carl Palmer - bateria, percussão




CD1
1 Hoedown
2 Jerusalem
3 Toccata
4 Tarkus
   a. Eruption
   b. Stones Of Years
   c. Iconoclast
   d. Mass
   e. Manticore
   f.  Battlefield
   g. Aquatarkus
5 Take A Pebble
   a.Take A Pebble
   b.Still....You Turn Me On
   c.Lucky Man


CD2
1 Piano Improvisations
   a. Piano Improvisations
   b. Fugue
   c. Little Rock Getaway
2 Take A Pebble (Conclusion)
3 Jeremy Bender / The Sheriff
a.Jeremy Bender
b.The Sheriff
4 Karn Evil 9
   a. 1st Impression
   b. 2nd Impression
   c. 3rd Impression


 



quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Leslie West - Guitarded (2004)







Muitos e muitos músicos nos deixaram em 2020: Peter Green, Ken Hensley, Lyle Mays, McCoy Tyner, Keith Tippett, Alex Harvey, Gordon Haskell, Spencer Davis, Little Richard, Gary Peacock, Neil Peart, Eddie Van Halen... O último talvez tenha sido o grande Leslie West. Sua saúde não vinha bem desde 2000 e em 2014 precisou amputar uma perna. Não resistiu a um ataque do coração.

Eu tive o privilégio de vê-lo tocar com o projeto Night Of The Guitar. Estavam lá Steve Howe, Alvin Lee, Randy California e outros, mas Leslie West era o cara. Como dizem por aí, seus acordes poderiam derrubar um rinoceronte.

Guitarded é um dos seus melhores álbuns solo. Não sei por qual motivo ele simplesmente copiou o título e a capa de um outro álbum da banda punk californiana Limp — o disco era de 1999 e a Limp acabou em 2002.
A maioria das faixas são covers e essa é uma constante da carreira solo do West. Longe de ser por falta de material, West fazia esses covers com muita sinceridade para imprimir uma leitura pessoal em músicas que o marcaram e que ele julgava importantes para todos.

Leslie West é descrito como uma pessoa gentil e alegre e, mesmo com aquela avalanche de riffs e licks, essa é a impressão que se tinha dele no palco também. Até um rinoceronte viraria fã.




Leslie West - guitarra, slide, vocal
Gregg Allman - teclados, vocal
Brian Mitchell - teclados 
Joe Bonamassa - guitarra, vocal
Popa Chubby - guitarra
Mark Hitt - guitarra
Ian Gillan - vocal
Joe Lynn Turner - vocal
Leo Lyons (Ten Years After) - baixo
Mark Clarke (Mountain, Tempest, Colosseum, Uriah Heep) - baixo
Randy Coven (Ark) - baixo
Phil Kennmore - baixo
Ritchie Scarlett - baixo, vocal
Aynsley Dunbar - bateria
Corky Laing (Mountain) - bateria
Steve Luongo - bateria 
Paul Beretta - bateria
Leonard Haze (Y&T) - bateria




1   Allergic
2   Cross Cut Saw Blues [Tony Hollins]
3   Stormy Monday [T-Bone Walker]
4   Honky Tonk Women [Rolling Stones]
5   Hang Me Out To Dry
6   If Heartaches Were Nickels
7   The Cell [Mountain, unreleased]
8   Dragon Lady
9   Goin' Down [Don Nix]
10 Third Degree [Eddie Boyd / Willie Dixon]
11 Born To Be Wild [Mars Bonfire / Steppenwolf]
12 Old Brown Shoe [George Harrison]
13 Theme For An Imaginary Western (Live at Night of The Guitar) [Pete Brown / Jack Bruce]







 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Blindside Blues Band - Smokehouse Sessions (2009)







Mike Onesko é um guitarrista que consegue a proeza de ser uma lenda mesmo sendo relativamente pouco conhecido. Talvez seja porque ele passe a impressão de que é preciso porte de arma para tocar nos seus projetos. Ele foi descoberto pelo também guitarrista Mike Varney. Varney é mais conhecido como um produtor que lançou dezenas de artistas e como o dono dos selos Shrapnel Records, Tone Center e Blues Bureau. Juntos eles fundaram a Blindside BB em 1993. Varney pouco tocou com ela, mesmo porque sua praia é o fusion, e a formação da banda mudou bastante ao longo dos anos, tendo contado até com Aynsley Dumbar, outra lenda.
Nesses anos todos a Blindside BB se firmou como uma das melhores bandas de blues-rock ou blues'n'boogie. Seus discos são gravados ao vivo no estúdio para não molhar a pólvora.
Este não é diferente e é um dos melhores na discografia. Ele resgata sete clássicos dos blues e dá a eles um tratamento de hard-rock que faz imaginar Willie Dixon com os cabelos nos ombros.




Mike Onesko - guitarra, vocal
Bill Gressock - guitarra, teclados
Kier Staeheli - baixo
Emery Ceo - bateria
com
John Leanord - guitarra rítmica (3)




1 Little Red Rooster [Willie Dixon]
2 Rock Me Baby [BB King]
3 Dirty Double Dealer 
4 Sweet Little Angel
5 Ramblin' On My Mind [Robert Johnson]
6 Hoochie Coochie Man [Willie Dixon]
7 Same Old Situation 
8 Who Knows Jam [Jimi Hendrix]
9 Crossroads 69 [Robert Johnson]
10 Albatross [Peter Green]


 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Tipton, Entwistle & Powell - Edge of the World (2006)






As músicas para este disco começaram a ser escritas em 1994 e ele deveria ter sido o primeiro álbum solo do guitarrista da Judas Priest, Glenn Tipton. Tipton apresentou várias faixas gravadas com os mitológicos John Entwistle e Cozy Powell mas a gravadora Atlantic acabou por convencê-lo a usar músicos mais jovens. Sem ter outra opção ele usou Robert Trujillo, Billy Sheehan, Brooks Wackerman e Shannon Larkin na maioria das faixas e lançou Baptizm of Fire em 1997.
Ele pretendia excurssionar com Powell e Entwistle tocando as faixas remanescentes mas Cozy Powell faleceu em 1998. Entwistle nos deixou em 2002.
Em 2006 a gravadora Rhino achou que as faixas mereciam ser lançadas. 
Acabou que Edge of the World é bem melhor que Baptizm of Fire.




Glenn Tipton (Judas Priest) - guitarra, vocal 
John Entwistle (The Who) - baixo
Cozy Powell (Black Sabbath, Rainbow) - bateria
Don Airey (Deep Purple, Colosseum) - teclados
Neil Murray (Black Sabbath, Whitesnaske...) - baixo (11)




1  Unknown Soldier  
2  Friendly Fire  
3  The Holy Man  
4  Never Say Die  
5  Resolution  
6  Searching  
7  Give Blood  
8  Crime of Passion  
9  Walls Cave In  
10 Edge of the World  
11 Stronger Than the Drug  



 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Spock's Beard - Snow (2002)







A Spock's Beard surgiu em 1992, quando o grunge ia dominando a cena alternativa, e ofereceu uma alternativa à alternativa: rock progressivo nostálgico, épico e dramático, na melhor tradição das grandes bandas dos anos 70. Ela foi liderada por Neal Morse, um multi-instrumentista e excelente letrista.
Snow é o sexto álbum da banda e pode ser comparado ao The Lamb Lies Down on Broadway da Genesis. É um álbum conceitual sobre um jovem albino chamado Joe, mas apelidado de "Snow", que tem o poder de curar e ler as almas e que se muda para Nova Iorque numa jornada cheia de esperanças. 
A banda preparava-se para gravar um disco totalmente diferente mas Neal estava insatisfeito e pediu um adiamento. Nesse meio tempo aconteceram os atentados de 11 de setembro e, por atribulações pessoais, Neal mergulhou fundo na fé cristã. Portanto, "Snow" foi concebido em meio a forte emoção. É sincero e bonito.
Neal Morse não quis apresentar o álbum ao vivo e acabou por deixar a banda logo depois para seguir carreira solo como um músico cristão. A história até pode ser entendida como uma parábola sobre o desejo que Neal vinha acalentando de deixar a banda. 
Eu não sei por qual motivo, mas este álbum foi lançado primeiro na Rússia e em outros países do leste europeu.
Em 2016 Neal Morse reuniu-se com a atual formação da Spock's Beard, mais Nick D'Virgilio, para finalmente fazer uma apresentação de "Snow". O concerto foi na sua igreja.




Neal Morse - vocal, piano, sintetizador, violão
Ryo Okumoto - órgão Hammond, Mellotron, MiniMoog, Jupiter 8, Vocoder
Alan Morse - guitarra, vocal, cello
Dave Meros - baixo, trompa francesa
Nick D'Virgilio - bateria, percussão, vocal

com
Molly Pasutti - backing vocal
Neil Rosengarden - flugelhorn, trompete
Jim Hoke - sax, clarinete, autoharp
Chris Carmichael - violino, viola, cello




CD1
1   Made Alive / Overture
2   Stranger In A Strange Land
3   Long Time Suffering
4   Welcome To NYC
5   Love Beyond Words
6   The 39th Street Blues (I'm Sick)
7   Devil's Got My Throat
8   Open Wide The Flood Gates
9   Open The Gates Part 2
10 Solitary Soul
11 Wind At My Back


CD2
1   Second Overture
2   4th Of July
3   I'm The Guy
4   Reflection
5   Carie
6   Looking For Answers
7   Freak Boy
8   All Is Vanity
9   I'm Dying
10 Freak Boy Part 2
11 Devil's Got My Throat Revisited
12 Snow's Night Out
13 Ladies And Gentlemen, Mister Ryo Okumoto On The Keyboards
14 I Will Go
15 Made Alive Again / Wind At My Back


 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Focus - Moving Waves (1972)







O título da primeira edição desse álbum foi "Focus II" e dele pode ser dito que foi o primeiro álbum do verdadeiro som da Focus, onde Van Leer e Akkerman fundiram seus talentos. Curiosamente a banda tinha se separado antes. Em 1971, Akkerman convidou seu companheiro na banda Brainbox, Pierre Van Der Linden, mais o baixista Cyriel Havermans. Convidou, então, Van Leer a se juntar novamente e o nome Focus foi resgatado. 
Já estava se tornando tradição na Holanda as bandas transformarem temas da música clássica em rock, mas a Focus foi um pouco mais atrás e buscou na renascença e no barroco suas influências, temperando-as com jazz.
Moving Waves foi um enorme sucesso dos dois lados do Atlântico por causa de Hocus Pocus. Não são poucos os que acham bobagem o yodeling do Van Leer mas esse é um detalhe na música. O que conta mesmo é o riff histórico do Akkerman, inconfundível e incomparável. Já a suíte Eruption deu para a Focus a credencial do clube prog e é uma peça fundamental no gênero.




Thijs van Leer - órgão, piano, Harmonium, Mellotron, flauta soprano, flauta alto, voz
Jan Akkerman - guitarra, violão, baixo
Cyriel Havermans - baixo, voz
Pierre Van Der Linden - bateria




1 Hocus Pocus
2 Le Clochard
3 Janis
4 Moving Waves
5 Focus II
6 Eruption
  a. Orfeus
  b. Answer
  c. Orfeus
  d. Answer
  e. Pupilla
  f. Tommy
  g. Pupilla
  h. Answer
  i. The Bridge
  j. Break
  k. Euridice
  l. Dayglow
  m. Endless Road
  n. Answer
  o. Orfeus
  p. Euridice


 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Gong - Magick Brother (1970)






Daevid Allen é um australiano que mudou-se para a Inglaterra em 1961. Lá ele fundou o Daevid Allen Trio com Robert Wyatt e Hugh Hopper, que mais tarde se transformaria na Soft Machine. Em 1967 a Soft Machine fez uma turnê pelo continente e no retorno Allen foi impedido de entrar porque seu visto tinha expirado — ficou detido uns dias e foi para Paris. Lá ele fundou a Gong; tinha uma guitarra e um amp Binson. Nesse momento ele desenvolveu a técnica de glissando que se tornou sua marca registrada e nas primeiras gravações seu som lembrava bastante a Pink Floyd do Syd Barrett.
Em 1968, com o aumento dos protestos dos movimentos estudantis, ele e sua companheira Gilly Smyth mudaram-se para Majorca para evitar problemas com as autoridades. Voltou para Paris atraído pela proposta de um contrato para gravar três discos.
Didier Malherbe e Rachid Houari formaram a primeira versão da Gong junto com convidados que vieram e se foram. 
Magick Brother, Mystic Sister (título original) revelou o talento de Allen para melodias cativantes, ainda que caóticas, bem como para as letras anti-establishment. 
É um disco bacana para se ouvir nesse período de conjunção de planetas, estrela de Belém, invasão Klingon e não sei mais o quê. O lema ético da Gong era "leve as coisas mais sérias da vida com o mínimo de seriedade".




Daevid Allen - guitarra, baixo, vocal
Didier Malherbe - flauta, sax soprano
Burton Green - piano
Gilly Smyth - vozes
Rachid Houari - bateria, tabla
com
Dieter Gewissler - contrabaixo (1, 7)
Barre Phillips - contrabaixo (3, 8)
Earl Freeman - contrabaixo (6), piano (7)
Tasmin Smyth - voz (1, 8)




             Early Morning
1   Mystic Sister, Magick Brother
2   Rational Anthem
3   Glad To Sad To Say
4   Chainstore Chant & Pretty Miss Titty
5   Fable Of A Fredfish & Hope You Feel O.K.
               Late Night
6   Ego
7   Gong Song
8   Princess Dreaming
9   Five & Twenty Schoolgirls
10 Cos You Got Green Hair


 

sábado, 19 de dezembro de 2020

Gentle Giant - Acquiring The Taste (1971)







Este é o segundo disco da GG e seu título é expressivo. Uma declaração no encarte é ainda mais franca: usaram todo o conhecimento musical e técnico para expandir as fronteiras da música, correndo o risco de tornarem-se muito impopulares. Não foi exatamente o que aconteceu.
A GG tornou-se uma das maiores bandas do rock progressivo e seu trabalho é exemplar, inteligente, complexo e virtuosamente interpretado, mas nunca deixando de ser rock. Por outro lado, ela nunca foi uma grande vendedora de discos.




Gary Green - guitarras 6 e 12 cordas, violão 12 cordas , bandolim, baixo, percussão, assobio, voz
Kerry Minnear - piano, piano elétrico, órgão Hammond, Mellotron, vibrafone, xilofone, MiniMoog, celeste, clavichord, harpsichord, percussão, cello, vocal & backing vocal
Derek Shulman - sax alto, clavichord, percussão, vocal & backing vocal
Phil Shulman - sax alto, sax tenor, clarinete, trompete, piano, teclados, maracas, vocal & backing vocal
Ray Shulman - baixo, violino, violino elétrico, viola, violão flamenco, violão 12 cordas, pedais, percussão, backing vocal
Martin Smith - bateria, percussão

com:
Tony Visconti - flautas barrocas (3,5), percussão, produção
Paul Cosh - trompete, órgão (3)
Chris Thomas - programção do Moog (1-5)




1 Pantagruel's Nativity 
2 Edge of Twilight 
3 The House, the Street, the Room 
4 Acquiring the Taste
5 Wreck
6 The Moon Is Down
7 Black Cat
8 Plain Truth


 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Caravan - If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You (1970)







No meio de 1979 a Caravan contratou o empresário Terry King que lhes conseguiu um longo contrato com a gravadora Decca. Este foi o primeiro lançamento pelo novo selo, é o segundo na discografia e é o álbum que marca o início do período clássico da banda.
O humor característico da cena Canterbury está por toda parte, a começar pelo título. O som é levado pelo órgão mas há solos memoráveis de guitarra. As melodias são ótimas e a interpretação delas é complexa, embora pareça uma jam psicodélica em algumas faixas.




Richard Sinclair - baixo, percussão, vocal
David Sinclair - órgão, piano, Harpsichord
Jimmy Hastings - sax, flauta
Pye Hastings - guitarras, violão, teclados, voz
Richard Coughlan - bateria, percussão




1   If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You
2a And I Wish I Were Stoned
2b Don't Worry
3   As I Feel I Die
4a With An Ear To The Ground You Can Make It
4b Martinian
4c Only Cox
4d Reprise
5   Hello Hello
6   Asforteri
7a Can't Be Long Now
7b Francoise
7c For Richard
7d Warlock
8   Limits
Bonus 
9   A Day In The Life Of Maurice Haylett
10 Why? (And I Wish I Were Stoned) (Demo Version)
11 Clipping The 8th (Hello Hello) (Demo Version)
12 As I Feel I Die (Demo Version)